<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833</id><updated>2011-07-28T23:33:18.544+01:00</updated><title type='text'>Disse Juno</title><subtitle type='html'>Uma espécie de diário pouco rigoroso da forma como me sinto no mundo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>263</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1781539090760271376</id><published>2010-06-05T09:34:00.001+01:00</published><updated>2010-06-05T09:36:04.386+01:00</updated><title type='text'>O nascimento de uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoMabrx6cI/AAAAAAAAAqU/oa8-MM7v7pU/s1600/895_DSCN2164x370.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479205544897145282" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoMabrx6cI/AAAAAAAAAqU/oa8-MM7v7pU/s320/895_DSCN2164x370.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois veio o vento. Zumbia com violência fazendo-me vergar, vinha carregado com o peso das viagens, e poderoso na sua força.&lt;br /&gt;Em regra, o vento não pára para olhar pormenores, passa, cheio de si, varre tudo e, foge depressa para outros lugares. Mas, naquele dia, quando me viu, serenou arfando e perguntou:&lt;br /&gt;- Pequena haste de planta, admiro-te! Como consegues manter-te presa quando ainda há pouco derrubei ramos e caules mais fortes do que tu?&lt;br /&gt;- Porque sou muito pequena e frágil – respondi eu com sinceridade.&lt;br /&gt;O vento amansou mais e murmurou mais para ele do que para mim:&lt;br /&gt;-Como podem as coisas pequenas ter tanta força como eu? – e soprou num assobio que curvou o ar.&lt;br /&gt;-Que importa a dimensão dos seres, oh vento! Tu viajas por eles e não os conheces! Vês tudo de forma igual nessa correria, vais tão cheio de ti que nem mesmo sabes porque avanças nesse delírio interminável! Sabes porque vens e porque vais? Nem mesmo te deténs para observar a tua obra!&lt;br /&gt;- A minha obra?&lt;br /&gt;-Sim, muito do que existe a ti se deve! A rocha ficaria eternamente informe, não se esculpiria de graça, as plantas não se reproduziriam, os pássaros não voariam… tudo se infectaria de podridão. Não percebes quanto és importante na tua passagem? Como podes mudar a vida?&lt;br /&gt;O vento enrolou-se num redemoinho de embaraço e ronronou como qualquer brisa infantil.&lt;br /&gt;- Sim, torna-te brisa e… afaga-me… preciso desse carinho no meu corpo jovem. De que tens medo? Essa é uma forma de cativar, não precisas de dominar!&lt;br /&gt;Desajeitado, o vento, soprou devagarinho sobre mim e fez-me dançar. Logo as nossas emoções nos uniam numa coreografia de sons e gestos. Ele aprendia a alegrar-se e descobria o seu lado terno da existência.&lt;br /&gt;Já quase no final da tarde despediu-se, ia ameno, completo. A sua paixão tornara-se algo mais perene, firmava-se agora na certeza da sua utilidade.&lt;br /&gt;Fiquei contente. A partir desse dia, todas as plantas conheceriam a meiguice do vento em suas folhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1781539090760271376?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1781539090760271376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1781539090760271376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1781539090760271376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1781539090760271376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/06/o-nascimento-de-uma-flor.html' title='O nascimento de uma flor'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoMabrx6cI/AAAAAAAAAqU/oa8-MM7v7pU/s72-c/895_DSCN2164x370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2544332406759187015</id><published>2010-06-05T09:30:00.002+01:00</published><updated>2010-06-05T09:32:45.189+01:00</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoLpd8ukuI/AAAAAAAAAqM/DUscHz9R2wg/s1600/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479204703691510498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoLpd8ukuI/AAAAAAAAAqM/DUscHz9R2wg/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Planície&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A planície é o lugar onde o espaço se dilui com a consciência dos homens.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A muitas horas de distância da última fonte, sob o sol ardente do meio da tarde, pela planície queimada, vão arrastando-se, sedentas, suadas e entorpecidas as companheiras de Íris.&lt;br /&gt;O mundo que já percorreram vem-lhes à memória, sobretudo os momentos amargos que lhes deixaram o travo nas línguas doridas.&lt;br /&gt;Qualquer direcção dos pontos cardeais leva-as ao infinito. Só se vêem searas queimadas e aqui e além uma gota de sangue no corpo das papoilas, um grito aflito em raros sobreiros.&lt;br /&gt;A planura torna mais pequenos os homens, fá-los reconhecer a sua pequenez. A aridez torna mais frágeis os homens, fá-los reconhecer a sua dependência. O calor intenso esgota-lhes as forças e cala-os, levando-os a falar com o seu interior e a perder-se em meandros labirínticos de confusão.&lt;br /&gt;As serpentes e os escorpiões escondem-se na palha, prontos a morder os pés incautos.&lt;br /&gt;A dimensão da planície não se mede, o horizonte longínquo é enganador. Somente o carreiro de terra vermelha bordado de tojos, indica um rumo.&lt;br /&gt;Agora que falta tão pouco para acabar este ciclo, Íris sente na alma o tormento da dúvida e, pressente já a borrasca que tentará romper a teia urdida por si. Já vê nos rostos das outras o medo, o desalento e a revolta.&lt;br /&gt;Vai ouvi-las...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera já dominou o que tinha a domar, quase rebenta de fúria, por isso pára e grita. Grita tão alto que algumas das suas palavras se arrastam e espalham na planície!&lt;br /&gt;- Parem! Parem! Ouvi o que tenho a dizer. Estamos perdidas num círculo. Um círculo que nos veda os avanços. Aonde nos levas Íris? Para que nos levas?! Acreditámos em ti, conhecemos de cor as tuas palavras, mas é uma loucura! Estamos vencidas, somos filhas de homens e de mulheres, o nosso espírito não voa como o teu, já não conseguimos ajudar ninguém! Quem quis mudar mudou, que mais poderemos fazer pelos outros? Hoje és já uma mulher, tens poder e força para prosseguir. Deixa-nos regressar à nossa origem. As caminhadas são demasiado longas, tornam-se inúteis. Acabou Íris, acabou!&lt;br /&gt;- Cambada de cobardes!- vocifera indignada Andreia- Onde está a vossa convicção? Alguma de vós foi obrigada a segui-la? Porque não ficastes nas vossas vidinhas cheias de coisas pequeninas? Vejam, ela não mostra, mas doem-lhe as vossas palavras, os vossos pensamentos. Há mais tempo do que nós, ela caminha. Já percorremos tanto! O que custa terminar? Todas sabemos que não é fácil, que é tortuosa esta via, mas viemos. Porque querem agora desistir? Vamos! Ânimo! Depois da planície virá a lagoa onde repousaremos e lavaremos as nossas feridas. Temos fome, sede, estamos cansadas. Mas quantas vezes isso aconteceu? Também sabemos que logo seremos generosamente recompensadas! Vá, dêem as mãos, soltem uma bela e sonora gargalhada, lancem no ar um canto de alegria, é só mais um passo! Estamos a chegar.&lt;br /&gt;Íris escuta-as atentamente, depois de forma enérgica pergunta:&lt;br /&gt;- Quem me quer seguir?&lt;br /&gt;Leonor, Andreia, Constância, Ema e Lectícia colocam-se a seu lado. Vera e Ofélia afastam-se um pouco.&lt;br /&gt;- E tu não dizes nada?- Pergunta a Paula que se não movera.&lt;br /&gt;- A minha casa fica por de trás da colina, só agora aqui cheguei. Não tive tempo ainda de aprender. Nada me pediste, nem eu a ti, segui-te porque vi em ti a luz. Ainda vejo...&lt;br /&gt;É a vez de Sofia, que conhece tão bem como Íris a Palavra. a sua voz é suave mas pincelada de desafio.&lt;br /&gt;- Íris, minha irmã será realmente este o caminho?&lt;br /&gt;- É, tu sabes que sim. Pode ser o mais longo, o mais árduo, mas é o mais seguro para atingir a glória.&lt;br /&gt;- Eu prefiro atingi-la de outra forma...&lt;br /&gt;- Eu sei. Por isso a divindade maior me enviou a mim. És tu que me segues e não eu a ti. - Responde com uma autoridade desabitual, Íris.- Dispam as vossas roupas, montem uma tenda aproveitando o que puderdes. Esperem-me aqui até que regresse. A sombra que conseguirdes aliviará um pouco do vosso calor. A brisa do entardecer refrescar-vos-á. Sofia, Paula, acompanhai-me. Vera, Ofélia, apelo agora à vossa obediência.&lt;br /&gt;O silêncio voltou ao grupo.&lt;br /&gt;As ordens foram cumpridas.&lt;br /&gt;Íris acompanhada pelas escolhidas avança pelo carreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do carreiro há dois desvios: um dirige-se para a lagoa, outro vai até uma anta milenária. É este o que Íris escolhe.&lt;br /&gt;Antes de entrar no velho monumento indica a Sofia e a Paula onde devem aguardar.&lt;br /&gt;A noite já caiu. Hoje não há lua e as nuvens que ameaçam trovejar escondem as estrelas.&lt;br /&gt;Aplanando um pouco o chão, limpando-o à entrada da anta, Íris senta-se. Está tranquila apesar de tudo. Ordena então ao seu coração que pare por momentos e, fica queda, esperando o milagre.&lt;br /&gt;Sofia e Paula não adormecem, estão inquietas e olham para a frágil figura com uma interrogação. De repente, da abóbada escurecida, três astros luminosos descem sobre Íris. O espírito desta também se eleva e juntos iniciam um bailado de luz. As voltas, os ziguezagues que fazem entontecem Paula e estremecem Sofia. Não sabem quanto tempo dura a coreografia porque o tempo pára nesse momento.&lt;br /&gt;Depois, quase madrugada, os astros recolhem-se e o espírito volta ao corpo de Íris. Estremunhadas, gatinham até ela e Paula pergunta:&lt;br /&gt;- És tu a própria divindade?&lt;br /&gt;- Todos o seremos um dia- responde Íris- esta é uma das suas manifestações da qual faço parte. Por ora não digais a ninguém o que vistes. Podereis falar depois, depois de tudo terminado. Regressemos irmãs. Regressemos porque nos esperam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2544332406759187015?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2544332406759187015/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2544332406759187015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2544332406759187015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2544332406759187015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/06/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoLpd8ukuI/AAAAAAAAAqM/DUscHz9R2wg/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1359717646845808448</id><published>2010-06-05T09:26:00.001+01:00</published><updated>2010-06-05T09:28:06.438+01:00</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoKjbRHYOI/AAAAAAAAAqE/kSCuYOUb3gs/s1600/bau-a5-full-color-43.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479203500380872930" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoKjbRHYOI/AAAAAAAAAqE/kSCuYOUb3gs/s320/bau-a5-full-color-43.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;O tesouro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alugara uma carrinha daquelas que têm três lugares à frente e atrás um amplo espaço para levar toda a tralha que julgamos necessária. Ainda pensara comprar uma caravana, mas não se tornava tão cómoda!&lt;br /&gt;O veículo estava em bom estado, mas como era natural, custou-lhe a adaptar-se à sua condução. Rolava por isso com alguma lentidão.&lt;br /&gt;Levava o que considerava imprescindível; fogão de campismo, cobertores, caixa de primeiros socorros, etc. Tudo poderia vir a revelar-se útil.&lt;br /&gt;A estrada do litoral por onde seguia era recortada por falésias e praias, alternando com espaços agrícolas. As povoações conciliavam as casas brancas e pequenas com prédios de apartamentos para turistas.&lt;br /&gt;Nessa noite talvez fosse dormir a ...., uma pequena cidade que já fora outrora rica e próspera. O nome dessa cidade sempre despoletara nele um interesse estranho; um misto de saudade e sofrimento e no entanto era a primeira vez que resolvia visitá-la.&lt;br /&gt;Durante a caminhada da sua juventude nunca se afastara muito do centro do país mas agora que possuía um transporte aventurava-se a ir mais longe.&lt;br /&gt;Com o entardecer a temperatura baixou e por isso fechou a janela. A carrinha não estava equipada com rádio nem leitor de cassetes portanto, a única coisa que podia fazer, era cantarolar umas velhas canções.&lt;br /&gt;A sua voz não era das melhores, felizmente ninguém estava ali para o ouvir! Desconhecia metade das letras e desafinava na outra metade. Com uns lá-lá-lás à mistura com hun-hun-huns, acabava por ser divertido! Quando esgotou o stok musical virou-se para as últimas piadas que ouvira. Eram francamente estúpidas, mas tudo isto tinha o condão de o pôr a rir de si próprio. Foi com agrado que ouviu as suas gargalhadas soarem alto naquela solidão!&lt;br /&gt;Mais cedo do que pensara foi surpreendido pela noite e com a falta de iluminação deixou-se de brincadeiras e levou muito a sério o resto do percurso.&lt;br /&gt;Quando entrou na pensão já não serviam refeições, porém, solícito, o dono preparou-lhe umas sandes e uma cerveja. Logo que acabou de comer foi para o quarto. Enfiou-se na cama. Então, o cansaço do dia fez-se sentir, os músculos das costas e das pernas começaram a doer-lhe horrivelmente. Levantou-se e tomou um duche de água quente para os relaxar. Voltou para a cama, mas apesar de ajeitar vezes sem conta a almofada, de afastar a coberta, e de mudar de posição, ao ponto de se ter virado para os pés da cama, não conseguia dormir. Ficou tremendamente irritado. Afinal no outro dia estava decidido a levantar-se cedo para retomar a viagem, desta forma não iria conseguir com certeza!&lt;br /&gt;O vento começou a soprar de madrugada, primeiro, brandamente, depois sacudindo com força os ramos das árvores e assobiando por entre as gretas da janela. Enrodilhou-se ainda mais nos lençois já soltos, como se se protegesse. Até que uma espécie de sonho o veio embalar.&lt;br /&gt;Viu-se a observar cenas de uma batalha medieval. Ouviu: o entrechocar de espadas e lanças, o relinchar dos cavalos, o som dos seus cascos raspando a terra, e os gritos dos homens excitados e doridos. Viu: as expressões de raiva e de medo, o relampejar das armaduras em movimento, as lágrimas sujas escorrendo pelas barbas emaranhadas. Cheirou: o suor e o sangue dos homens, a poeira e a urina, e ao mesmo tempo o doce aroma dos pinheiros que emolduravam o cenário.&lt;br /&gt;E ele ali estava!&lt;br /&gt;Entre os outros, montado num cavalo malhado e forte, pouco elegante, mas ágil e resistente. Um cavalo de batalha! O peso da sua espada deslocava-se para a direita e para esquerda num contínuo espadanar. A certa altura passou por si um vulto, e simultaneamente, uma dor intensa perfurou-lhe o abdómen. Tão intensa! Tão viva! Que ele deixou de ver tudo o que se passava para se centrar apenas nela. Tudo o que existira até ao momento foi-se diluindo, e lentamente, foi entrando na escuridão do próprio som.&lt;br /&gt;Sentiu-se flutuar desamparadamente num vácuo sombrio. Não conseguia reagir. Era incómoda aquela sensação de dormência! Angustiante! Eterna!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou encharcado em suor e custou-lhe a levantar-se. A luz do sol já inundava o quarto. Pôs os pés nus no chão de madeira arrastou-se até à janela. Abriu-a. estava linda a manhã! O cheiro dos campos entrara de golfada no seu peito, lavando-lhe as angústias da noite. Que sonho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou à estrada para procurar um lugar que nunca tinha visto. Esta ramificava-se em caminhos estreitos e mal tratados. Entrou instintivamente por um à sua direita e foi ter a uma pequena aldeia sentada no sopé de uma velha montanha que há muito havia perdido a vegetação. Parou a carrinha no largo, tirou a mochila, e resolveu subir por entre pedras e espinhos. Trepou com um impulso irracional a encosta bravia até chegar ao seu cume. O sol do meio-dia reflectia-se nas rochas esbranquiçadas duplicando o calor. Resolveu tirar a camisa e atá-la na cabeça para se proteger e verificou estupidamente que se havia esquecido de trazer água, ainda por cima não vislumbrava um pequeno fio que fosse. Mais teimoso que a própria sede, não desistiu. Ao chegar ao cimo do monte compreendeu que se tratava de um planalto ligeiramente inclinado para o interior, aumentando assim a dimensão aferida antes. Não havia um único arbusto por perto. Passou a língua pelos lábios e sentiu-os gretados. Acalmou a respiração e voltou a olhar em redor. Um enorme penedo chamou a sua atenção. Ficava quase no declive oposto e tinha uma forma invulgar.&lt;br /&gt;Aproximou-se. A rocha parecia ter sido escavada no seu interior por mãos humanas. Ao tocá-la foi como se uma descarga eléctrica o atingisse. Talvez fosse a emoção! Só não compreendia porque a sentia! Havia nela qualquer coisa de chamativo. De um salto alcançou a borda e sem pensar internou-se nela. Arrastando-se num túnel diagonal avançou na sua exploração. Tornava-se obsessivo! Deparou-se então num espaço circular. Apontou o foco da sua lanterna lançou um grito de surpresa.&lt;br /&gt;As pernas fraquejaram, o suor escorreu desenfreadamente pelo seu corpo e, um enorme arrepiu desceu da sua nuca até à cintura. Era como se reconhecesse aquele lugar!&lt;br /&gt;Nunca estudara arqueologia mas tinha a certeza que se encontrava dentro de uma capela cuja construção se situaria algures no século XII ou XIII. As paredes conservavam ainda o colorido dos frescos que em narração pictórica contavam a vida de um dos muitos santos da época. O chão, lajeado tinha inscritos nomes e datas assinalando que aí repousavam resto mortais de homens contemporâneos. Recuado e tombado, um altar de pedra rosada. Simples, sereno, digno.&lt;br /&gt;O tempo havia submergido a capela e o destino tinha-o chamado para a reencontrar. Com que finalidade? Elevou os olhos para a cúpula branca e resvalou pelas paredes os dedos trémulos. Sentiu o calor das imagens, as arestas, as fissuras, e nada mais. Baixou então o corpo acocorando-se, e procurou decifrar as palavras inscritas nas lajes, foi atraído para uma da qual só conseguiu ler: JOANNES V ALVARES, MONGE-CAVALEIRO, M—XXXIV. Não conseguiu perceber se se tratava de um C ou de dois CC, só sabia que ali havia um espaço em branco demasiado largo par conter uma letra e demasiado estreito para conter duas, entretanto a luz da lanterna começou a esmorecer e ele resolveu sair e regressar no dia seguinte, desta vez com as ferramentas necessárias. Foi difícil escalar porque tinha muito pouco a que se agarrar, teve que fazer um movimento de lagarta o que, para quem não está habituado, se torna extremamente cansativo e doloroso. Ao chegar à superfície ficou encadeado com o sol da tarde. Desceu até ao vale bastante entontecido mas com a firme decisão de voltar a pesquisar melhor aquela capela.&lt;br /&gt;Na aldeia não existia qualquer lugar onde pudesse pernoitar, nem nenhum armazém onde pudesse comprar o que necessitava, portanto resolveu voltar à cidade. Antes disso, assinalou bem o lugar num bloco de notas, o percurso, e fez uma pequena lista de compras.&lt;br /&gt;Apesar das emoções e da rudeza do dia, quando chegou à cama, a mesma da noite anterior, caiu num sono profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo de manhã, assim que se despachou, rumou de novo de encontro ao seu achado. Desta vez proveu-se de tudo e encheu a mochila com mantimentos. Ah! A água não foi esquecida! Falou com um homem da aldeia e disse-lhe que era professor de História e que andava a estudar o local, pediu-lhe que guardasse a carrinha de forma segura. Por incrível que pareça, o homem não se mostrou admirado e referiu-se até que ele era já o terceiro doutor a aparecer no espaço de meio ano. Interessado, ele perguntou se por acaso tinham falado nalgum achado. Se sim, nunca o tinham revelado, um deles parecia ter feito qualquer descoberta pois, quando regressara, vinha com um ar estranho, quase mágico. O outro, tanto quanto sabia, desaparecera sem deixar rasto. Só se tinha saído de noite e ninguém o tivesse visto! Intrigado, mas não desiludido, ele iniciou a subida. Quem seriam os outros dois? O que fora que os levara ali, um de cada vez, sem que nenhum soubesse da existência dos outros? Não se apercebera que alguém tivesse entrado dentro da capela antes dele! E a população também parecia não saber de nada!&lt;br /&gt;Agora parecia-lhe menos penosa a subida, reconhecia até certos pormenores, e quando chegou à entrada suspirou de alívio. Mas mesmo assim relanceou o olhar por cima dos ombros como se sentisse observado. Ao mergulhar, arrastava a mochila, a pá, o cantil e isso dificultava-lhe bastante os movimentos. Tivera ainda o cuidado de atar a ponta de uma corda ao exterior para que o regresso fosse mais fácil que na véspera.&lt;br /&gt;A sensação de espanto que tivera pela primeira vez foi substituída pela sensação de regresso ao lar. Antes de iniciar a abertura da sepultura, pensou se não seria mais natural verificar as outras. Quem sabe se algum dos nomes lhe soasse conhecido? Limpou cuidadosamente uma a uma das inscrições, quase todas pareciam referir-se a monges e clérigos da região. A única que mencionava a qualidade de cavaleiro era a tal de Joannes.&lt;br /&gt;Esteve muito tempo acariciando a laje, passando nela, os dedos com ternura. Depois, com uma espátula foi raspando cuidadosamente o seu perímetro tentando encontrar uma abertura. Logo que conseguiu encaixar o pé-de-cabra, mais em jeito do em força, levantou a tampa. Demorou horas nesse trabalho, a terra soldara com firmeza as brechas! Mas à medida que a ia destapando, aumentava o seu nervosismo. Por fim conseguiu erguê-la. Pesava muito mais do que imaginara pois tinha quase vinte centímetros de espessura! Quando viu o buraco aberto sentiu temor.&lt;br /&gt;Iluminar a profundidade de uma tumba era afinal algo que o incomodava ainda! Esperava encontrar ossadas, restos de tecido, enfim qualquer vestígio da humana presença! Nada. Absolutamente nada! A sepultura parecia nunca ter servido a alguém. À parte alguns insectos e outros bichos rastejantes que se sentiram atarantados pela invasão dos seus domínios, nada existia. Sentou-se desanimado no chão. Quase que sentia raiva por ter feito todo aquele esforço inglório, era como se tivesse sido enganado!&lt;br /&gt;Passados os momentos de frustração, lembrou-se do seu guia, o velho livro deveria dizer alguma coisa sobre o assunto. E leu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O óbvio não existe quando há procura&lt;br /&gt;É o mistério que impulsiona o saber&lt;br /&gt;Aquele que pensa que a vida é segura&lt;br /&gt;Jamais virá um dia a poder entender.&lt;br /&gt;No entanto a resposta pode estar perto&lt;br /&gt;Naquilo que negligentemente desprezaste&lt;br /&gt;E encontrá-la é o caminho mais certo&lt;br /&gt;Será que para isso te esforçaste?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha que estar ali. A resposta para a pergunta que ele ainda não formulara. Voltou a olhar atentamente em redor. Centímetro a centímetro, e a luz já enfraquecida varrendo o friso do rodapé! Quando estava para desistir, reparou então numa espécie de alavanca que se disfarçava debaixo do altar. Premiu-a com firmeza e um ruído áspero e seco fez-se ouvir. O altar apesar de derrubado, foi-se deslocando e mostrando uma nova entrada subterrânea. Excitado nem hesitou, pegou em tudo o que lhe pertencia e desceu. Os degraus eram sólidos, pisou-os um por um na certeza do caminho.&lt;br /&gt;Encontrou-se então numa sala rectangular onde se mantinham três mesas de madeira e bancos compridos de cada um dos lados. Sobre uma delas, estava um livro aberto, intacto, grande e pesado. Sentou-se, e com todo o cuidado, foi passando as páginas que ameaçavam desfazer-se. Tratava-se de um livro de crónicas, vidas de santos e de heróis. De repente lá estava, Joannes V Alvares. Quase saltou de alegria! E com sofreguidão, leu tudo a seu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joannnes V Alvares, havia sido um jovem nobre mui parco de haveres, por isso partira como tantos outros, à procura da glória e da fortuna. Fizera-se cavaleiro de uma ordem monástica e durante cerca de dez anos nada fizera que merecesse relevância até que, não se sabe bem por que razões, fora enviado para a Palestina.&lt;br /&gt;Segundo constava, a viagem fora dura e tormentosa, e como era natural fora difícil adaptar-se ao clima e à nova sociedade. Nessa altura o mais importante era manter os domínios da Ordem em solo estrangeiro e inimigo, o que levava a que os cavaleiros estivessem constantemente em rixas quer com os infiéis, quer com as outras ordens ali fixadas.&lt;br /&gt;Pela descrição, Joannes teria sido um homem intempestivo e pouco prudente, daqueles que por isso mesmo se tornam mitos. Numa dessas lutas foi capturado e vendido como escravo. A seguir o livro narrava todos os tormentos e sacrifícios que ele passara com cada um dos donos que o compraram. Um dia porém conseguira iludir a vigilância e fugira para casa de um velho que tinha fama de santo e sábio. A partir dessa altura tudo mudou para ele. Aprendeu com o velho todo um pensamento diferente daquele em que fora educado. O livro referia-se a esta personagem como um mago mas o mais provável é que se tratasse de um alquimista árabe. Respeitosamente tratado, Joannes interessou-se pelo conhecimento do seu protector e, a pouco e pouco, foi modificando o seu temperamento, alterando as suas atitudes, tornando-se ele próprio num estudioso. O livro não esclarecia quanto tempo ele vivera foras do país, mas fazia referência que à sua chegada andava pelos cinquenta anos e, o mais importante, que trouxera com ele um tesouro.&lt;br /&gt;Talvez pensasse vir gozar com tranquilidade os seus últimos dias, mas uma guerra interna apanhou-o e, como era seu dever, teve que entrar nela e lutar ardentemente até ser atingido por uma lança que lhe pusera fim à vida. A curiosidade natural dos que lhe eram próximos, levou a que lhe revistassem os aposentos embora nem ouro, nem prata, nem relíquias de santo, encontrassem.&lt;br /&gt;Apenas um livro. Um pequeno livro que tinha o condão, quando aberto, indicar à pessoa que o possuía, o caminho a seguir. Aterrorizados, os homens que o acompanharam nos últimos tempos de vida, foram entregar ao abade o livro que desde logo o considerou perigoso e o fechou em lugar seguro.&lt;br /&gt;A história do monge-cavaleiro terminava dizendo que o corpo dele desaparecera enigmaticamente antes do funeral. Em breve nasceu uma lenda em redor do monge-cavaleiro Joannes V Alvares, lenda essa que com o passar dos anos, foi esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber bem porquê, as lágrimas correram-lhe pela cara abaixo, voltou a subir os degraus e com reverência sincera colocou o livro no túmulo aberto e fechou-o em seguida. Voltou à superfície com a sensação de ter feito uma viagem no tempo e de ter cumprido um destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não era noite, mas as nuvens cinzentas obrigaram-no a conduzir com os máximos acesos. Desta vez não fazia ideia nenhuma para onde ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1359717646845808448?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1359717646845808448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1359717646845808448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1359717646845808448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1359717646845808448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/06/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/TAoKjbRHYOI/AAAAAAAAAqE/kSCuYOUb3gs/s72-c/bau-a5-full-color-43.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1388228072119132794</id><published>2010-05-26T07:50:00.002+01:00</published><updated>2010-05-26T07:54:25.575+01:00</updated><title type='text'>Esclarecimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S_zFj4asbPI/AAAAAAAAAp8/O0kbU9Q8K5Q/s1600/bomdia_084.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 185px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475468467206122738" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S_zFj4asbPI/AAAAAAAAAp8/O0kbU9Q8K5Q/s320/bomdia_084.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho andado com muitas actividades e com problemas de saúde que me têm impedido de manter a regularidade deste blog. É coisa passageira. logo que possível retomo, de Acordo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1388228072119132794?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1388228072119132794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1388228072119132794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1388228072119132794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1388228072119132794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/05/esclarecimento.html' title='Esclarecimento'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S_zFj4asbPI/AAAAAAAAAp8/O0kbU9Q8K5Q/s72-c/bomdia_084.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2047882330731547726</id><published>2010-04-03T09:01:00.002+01:00</published><updated>2010-04-03T09:03:08.882+01:00</updated><title type='text'>O nascimento de uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7b2OMOpHiI/AAAAAAAAAp0/j4zQI8fsJs8/s1600/895_DSCN2164x370.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455818722267176482" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7b2OMOpHiI/AAAAAAAAAp0/j4zQI8fsJs8/s320/895_DSCN2164x370.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;4&lt;strong&gt;&lt;em&gt;. A terra, o vento, a chuva e o sol&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Passavam os dias e eu, cada vez mais presa à terra, continuava o meu percurso ascendente enquanto me fortalecia e me tornava maior.&lt;br /&gt;A terra quase negra segredava-me confidências num diálogo íntimo… daqueles que acontecem quando nos reconhecemos próximos!&lt;br /&gt;Naquele mesmo espaço, dizia ela, haviam já nascido muitas plantas que ela sustentara. Vira-as nascer, crescer e morrer. Isso desencantava-a porque tinha sempre que despedir-se quando encontrava!&lt;br /&gt;Não havia revolta nela, apenas uma tristeza, uma conformação por não poder manter quem amava!&lt;br /&gt;Expliquei-lhe que talvez fosse essa a sua missão; permitir que a vida se manifeste, mesmo que por pouco tempo e, sublinhando a sua generosidade, valorizei o seu serviço.&lt;br /&gt;Ela não me respondeu logo mas por fim perguntou:&lt;br /&gt;- Será que sou de facto como me vês? Não ocultarei eu desejos inconfessados de domínio sobre aqueles que me são entregues? Não serei apenas um instrumento com que a natureza se dotou para dar a outras formas de vida o valor que não tenho? Quem sou afinal? Uma amálgama de rochas desfeitas e restos de podridão material de seres que já cumpriram!&lt;br /&gt;Sorri, sacudindo o orvalho que se depositara em excesso nas minhas folhas.&lt;br /&gt;- Os outros ver-te-ão como tu te quiseres mostrar, porém aconselho-te a não te deslumbrares com o brilho fugaz das vidas que contemplas. Temes o desejo de possuir mas, somos nós que te possuímos enquanto vivemos aqui! Sem ti não desabrocharíamos, ficaríamos eternamente numa semente anunciadora… o que serias tu sem o nosso ciclo de nascimento/morte/renascimento? É isso que te torna tão diferente das areias estéreis. Tu és abrigo, calor, segurança, alimento. Sem ti nada seria como é e nada poderia realmente manifestar-se neste lugar… mesmo que por breves momentos!&lt;br /&gt;A terra soluçou comovida ao descobrir a grandeza que tinha em si, ela que sempre se considerara um meio e não uma entidade plena, ao ter consciência disso percebeu que tinha uma responsabilidade maior, tornava-se cúmplice do processo transcendente que é a vida. Era-lhe difícil assumir, assim de imediato, esta nova personalidade, quase doloroso! Porém, humilde como era, a terra encheu-se de brios e passou a acreditar que todas as coisas eram importantes a partir desse momento. Deste modo perdeu o desejo de possuir e ganhou o conceito de contribuir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2047882330731547726?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2047882330731547726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2047882330731547726&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2047882330731547726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2047882330731547726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/04/o-nascimento-de-uma-flor.html' title='O nascimento de uma flor'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7b2OMOpHiI/AAAAAAAAAp0/j4zQI8fsJs8/s72-c/895_DSCN2164x370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3600809096571227559</id><published>2010-04-03T08:19:00.001+01:00</published><updated>2010-04-03T08:20:19.221+01:00</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7bsLSWs1vI/AAAAAAAAAps/wLs0a3nEinA/s1600/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455807677255702258" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7bsLSWs1vI/AAAAAAAAAps/wLs0a3nEinA/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Paula&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A humildade é a virtude que torna os pequenos homens em grandes sábios ou anjos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, no alto da colina, há um casal que é banhado pelo sol assim que nasce o dia.&lt;br /&gt;Ali, onde a subsistência obriga a um trabalho contínuo, há um canteiro mimado. O canteiro de Paula. É ela que prepara a terra, a rega, é ela que o planta e semeia para depois, a cada milagre de cor e perfume dar um nome, um carinho, através dos gestos e sussurros sorridentes.&lt;br /&gt;Paula não desvenda mistérios nem medita na criação. Basta-lhe presenciá-los, aceitá-los, com o amor genuíno das almas simples.&lt;br /&gt;Paula não sente a nostalgia pelo passado nem ansiedade pelo futuro. Pisa com alegria o presente. Vive. Vive cada momento da sua vida com singeleza e quietude.&lt;br /&gt;Esta manhã, descortina na planície circundante um grupo de jovens que têm um aspecto diferente das demais raparigas que conhece. Não é hábito receber visitas, ainda por cima a uma hora destas e com este número! Porém, estende os braços e acolhe-as no seu lar. Convida-as a entrar e oferece-lhes alimento e água fresca, numa franqueza própria de quem não tem malícia.&lt;br /&gt;Quando estas se sentam, cansadas e empoadas pela jornada, num impulso irresistível, ajoelha-se a seus pés e lava-os com água perfumada por pétalas das suas rosas. As companheiras de Íris esquivam-se envergonhadas, julgam que esse gesto resulta do seu aspecto pouco limpo. Mas Íris sorri docemente e diz-lhes:&lt;br /&gt;- Abençoada seja aquela que se ajoelha perante os seus iguais, porque ao curvar-se, se eleva para além do tamanho de todos. Esta é a violeta rasteira e sombria que exalta o jardim com o seu aroma!&lt;br /&gt;A seguir, Íris dá-lhe a mão e ergue-a, senta-a junto de si e oferece-lhe ela própria, a sua tigela de leite.&lt;br /&gt;A conversa entre as nove é agradável e risonha. Todas tentam explicar a Paula os seus percursos e Íris fala-lhe que aquelas mulheres estão atadas por um nó que as aperta e torna fortes, capazes de reunirem todas as virtudes humanas e elevá-las até à divindade.&lt;br /&gt;Paula não entende exactamente o sentido das palavras mas intui a verdade, por isso se comove e deixa que as lágrimas caiam e escorram no seu rosto.&lt;br /&gt;Os dedos de Íris não resistem a enxugá-las e passam ternos sobre a rosada e suave face de Paula, num acto de amor tão espontâneo que ela própria se surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula perfuma até a própria alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de uma semana que o grupo se acolhe na colina. Há mais de uma semana que partilha as tarefas e se senta à tardinha junto do canteiro, falando de coisas simples e quotidianas. Durante este tempo recuperam as forças, ganham energia e preparam-se para a próxima etapa.&lt;br /&gt;Íris parece feliz, quase voltou a ser menina. Mas esta tarde está mais séria. Sente que é chegado o momento de partir. Sabe que todas a seguirão mas, está apreensiva quanto a Paula. Esta, tem uma vida quieta, não tem dúvidas nem parece aspirar a mais nada do que já possui. Paula está incluída no seu projecto desde o princípio, pela primeira vez, vacila em pedir-lhe que a siga. Isso significa deixar tudo para trás, viver ao sabor dos ventos e dos trilhos, sofrer as agruras do descrédito, sentir o desprezo dos acomodados. No entanto, a virtude de Paula tornaria as outras mais firmes...&lt;br /&gt;Sai por fim do seu encanto, indica que está pronta a partir. Obedientes, todas as outras se erguem. Despedem-se de Paula e seguem Íris pelo campo.&lt;br /&gt;Ainda não tinham descido a encosta, quando Íris olha para trás. o fim de todas, na cauda do grupo, segue saltitante Paula. Olha para o céu e murmura feliz:&lt;br /&gt;-Paula perfuma as nossas almas!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3600809096571227559?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3600809096571227559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3600809096571227559&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3600809096571227559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3600809096571227559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/04/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7bsLSWs1vI/AAAAAAAAAps/wLs0a3nEinA/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4572336996552702424</id><published>2010-04-03T08:16:00.002+01:00</published><updated>2010-04-03T08:17:52.787+01:00</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7brmyaZXzI/AAAAAAAAApk/qGHkZu8cJ3g/s1600/bau-a5-full-color-43.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455807050205978418" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7brmyaZXzI/AAAAAAAAApk/qGHkZu8cJ3g/s320/bau-a5-full-color-43.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;O tapete vermelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mãe, como já era previsto, preferiu ficar na sua própria casa, rodeada pela sua gente. Gente que a vira lutar, vencer e ganhar a paz que trazia consigo. Ele responsabilizava-se para que nada lhe faltasse e tivesse sempre quem a ajudasse nas tarefas do dia a dia. Sempre que podia visitava-a. A mãe elogiava-o sempre, dizendo a todos o bom filho que ele era, mas interiormente ele sentia que não era o suficiente. Um enorme complexo de culpa invadia-o de vez em quando e corria para ela. Tinha medo, um medo terrível que lhe acontecesse o que tinha acontecido com ao pai.&lt;br /&gt;Entretanto o seu nome era cada vez mais conhecido, um produtor de cinema tinha-o abordado para fazer alguns trabalhos baseados nos seus contos. O contrato era aliciante e ele não foi capaz de dizer que não, mesmo sabendo que teria ainda menos tempo disponível. Em breve a sua vida voltava a tornar-se num corrupio incessante sem horas para nada nem para ninguém. Tinha-se mesmo tornado antipático com as pessoas. Trajava agora o fato de luzes, o mundo girava à sua volta, enquanto as folhas do calendário caiam uma a uma sem que ele se apercebesse disso.&lt;br /&gt;Muitas eram as mulheres que o procuravam, que o desejavam, que dormiam com ele porque sabiam que ele estava bem relacionado com o mundo das artes e dos espectáculos. Claro que ele sabia isso, mas já nada lhe importava! Embalado na dança do socialmente aceitável, lá andava de um lado para o outro, esquecendo-se de si próprio e esculpindo a imagem de um homem-estrela.&lt;br /&gt;Poucos eram os amigos verdadeiros, os mais fieis sentiam-se acabrunhados pelo peso da sua nova imagem. E ele não reparava...&lt;br /&gt;Ufano, impunha a todos um comportamento de subserviência e quantas vezes tinha para com os seus colaboradores uma atitude tirânica!&lt;br /&gt;Se por acaso alguma vez parava e olhava o espelho não era a sua imagem real que via mas, a caricatura de um homem que fora um dia.&lt;br /&gt;Uma tarde, sem saber bem porquê, sentiu-se só, estava cansado das letras do seu nome imprimidas nos cartazes que enfeitavam os escaparates das livrarias, que iluminavam os cinemas, que se arrastavam nas folhas de jornal perdidas no chão da cidade.&lt;br /&gt;Sentiu o vazio que construíra e, lembrou-se das palavras do pai.&lt;br /&gt;Não dormiu nessa noite e, ainda madrugada, dirigiu-se até à praia mais próxima. Não era sequer primavera, mas o sol brilhava contente brincando com a areia fina e dourada. As ondas esverdeadas, vinham uma após outra, desfazer-se em espuma nos seus pés. Não havia ninguém e as gaivotas aproveitavam para deixar as marcas tridentes à beira-mar. Os gritos delas rasgavam o ar feito de vento frio e leve. E ele aproveitou e gritou também. Gritou tanto que a voz enrouqueceu . Deixou que o ar puro e salgado lhe entrasse pelos pulmões limpando-lhe a alma.&lt;br /&gt;De repente o desejo de liberdade invadiu-o e fê-lo mergulhar no oceano e deixar-se levar pela corrente.&lt;br /&gt;Era como se sentisse de novo livre!&lt;br /&gt;Cansado, tremendo de frio, voltou para o carro e embrulhou-se numa manta que ali estava. Lembrou-se dos tempos da procura. Da caminhada.&lt;br /&gt;Que passos havia ele dado então desde aí?&lt;br /&gt;Recordou o livro das mensagens. Onde estaria? Em sua casa ou na casa da mãe? Subitamente toda a urgência estava em encontrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressou rapidamente a casa e revirou-a de uma ponta a outra, como o não encontrou, deslocou-se ainda nesse dia a casa da mãe. Admirada, esta perguntou-lhe ao que vinha e ele nem sequer respondeu, dirigiu-se de imediato ao seu antigo quarto, abriu e fechou quantas gavetas havia nele. Estava a ficar desesperado quando, finalmente, por detrás de uma fotografia sua de criança, o encontrou.&lt;br /&gt;Tremeu de emoção, pegou no livro cuja capa quase se desfazia, e sentou-se aos pés da cama com ele.&lt;br /&gt;Assustava-o a ideia de que as palavras se tivessem apagado durante a sua ausência. Teve medo simplesmente de não conseguir ler e entender. Por fim, sustendo a respiração, abriu o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os teus pés calcam agora a fortuna&lt;br /&gt;O teu corpo arrasta-se na falsa ilusão&lt;br /&gt;A tua alma sofre a eterna secura&lt;br /&gt;E tu, só encontras a solidão.&lt;br /&gt;Tens os teus ombros carregados&lt;br /&gt;Com a miragem do teu sucesso&lt;br /&gt;E os teus sonhos foram relegados&lt;br /&gt;P’ros confins d’outro universo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pensamentos enturbilharam-se no seu cérebro. O coração arrítmico abrandou tanto que quase parou. A mágoa. A mágoa emergiu manifestando-se num mal-estar esquecido. Que caminho tomara ele? Em que beco se perdera? Mentalmente murmurou: - Não sou digno da esperança que foi confiada! Não soube encontrar-me... – e abriu de novo o livro. Nunca o fizera duas vezes seguidas. Estava desesperado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do caos nasce a nova ordem&lt;br /&gt;Porque não mergulhas nele?&lt;br /&gt;Volta à primordial viagem&lt;br /&gt;E pede ao Espírito que vele.&lt;br /&gt;Terás nas tuas mãos um tesouro&lt;br /&gt;Vislumbrá-lo-ás rebrilhando&lt;br /&gt;Mas só serás senhor desse ouro&lt;br /&gt;Enquanto a tua alma for clamando”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta era a réstia de esperança que lhe davam!&lt;br /&gt;Sim. Ele teria que voltar a caminhar, ser o nómada do deserto do entendimento. Por isso, guardou o livro consigo e inventou uma desculpa ao despedir-se da mãe.&lt;br /&gt;Voltou à cidade e demorou dois dias para suspender todos os assuntos pendentes. Não deu explicações a ninguém. Para quê? Alguém o poderia entender?&lt;br /&gt;Uma última oportunidade tinha-lhe sido dado e desta vez ele não a queria desperdiçada. Sabia que a caminhada seria dura e dolorosa, mas era a sua caminhada. E sem ela, jamais se encontraria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4572336996552702424?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4572336996552702424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4572336996552702424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4572336996552702424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4572336996552702424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/04/o-caminheiro_03.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S7brmyaZXzI/AAAAAAAAApk/qGHkZu8cJ3g/s72-c/bau-a5-full-color-43.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3635930422412664133</id><published>2010-03-28T09:18:00.001+01:00</published><updated>2010-03-28T09:19:52.538+01:00</updated><title type='text'>O nascimento de uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68RHwZXS5I/AAAAAAAAApU/eH1dsJ2S__s/s1600/895_DSCN2164x370.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453596498717002642" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68RHwZXS5I/AAAAAAAAApU/eH1dsJ2S__s/s320/895_DSCN2164x370.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;1. A cor que grita: Esperem por mim&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu toda verde quando passou a manhã e veio a tarde. Revesti-me de exuberância e multipliquei o prazer de me ver assim! O vento roçava-me com ternura sem saber, o sol beijava-me morno e o dia avançava com o respirar de todas as coisas vivas.&lt;br /&gt;Eu também estava viva! Sentia que sempre o estivera. Mas agora a força que me animava era outra, mais material e mais física, fazia-me agarrar ao mundo onde estava! Projectei a minha sombra no chão e vi como a dimensão dela fazia uma curva diferente.&lt;br /&gt;Um bando de pássaros passou por ali. Conversámos longamente sobre primaveras vividas antes e eles trouxeram consigo as lembranças de ninhos em escarpas frígidas.&lt;br /&gt;- Ter asas e voar é mais do que uma função, não é? - Perguntei eu.&lt;br /&gt;Um dos pássaros olhou para mim enquanto catava a base das asas e respondeu-me:&lt;br /&gt;- Quando voamos vemos o mundo e aprendemos com ele. Que conheces tu dele e dos seus contrastes? Dos desertos e das florestas, dos céus e dos mares, dos campos e das cidades? Só conheces o perímetro de ti mesma…&lt;br /&gt;- Eu não preciso de asas para aprender sobre o mundo, ele vem até mim através das emoções dos outros, de maneira intocável é certo, pois estou presa à terra, mas repara, como se ergue a minha cor para além do solo! Aprendo o mundo através dos elementos que vêm até mim.&lt;br /&gt;- Nesse caso tudo o que aprendes vem travestido, não é autêntico, vem transformado pela percepção dos outros… que tens realmente de teu no teu conhecimento?&lt;br /&gt;- Tudo! Eu pertenço a este todo e partilho-o sem medo de perder o meu poder. Para que me serviria o teu conhecimento? A tua sabedoria serve para dominar, eu porque comungo da vida, desejo apenas estar viva e ser feliz.&lt;br /&gt;O pássaro pareceu não concordar comigo e para mostrar todo o seu poder, convidou o bando a um voo uníssono e levantaram-se do chão formando uma nuvem anónima pelo céu.&lt;br /&gt;De facto esqueci-me de lhe dizer que pensar individualmente era importante mas não evitava que eles agissem assim sincronizada e impessoalmente. Eu ao menos, oferecia-me de forma única. E isso era o mais importante.&lt;br /&gt;Perdoando-os, ainda lhes gritei:&lt;br /&gt;- Ei! Esperem por mim! Levem o meu verde pelo mundo fora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3635930422412664133?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3635930422412664133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3635930422412664133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3635930422412664133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3635930422412664133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-nascimento-de-uma-flor_28.html' title='O nascimento de uma flor'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68RHwZXS5I/AAAAAAAAApU/eH1dsJ2S__s/s72-c/895_DSCN2164x370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7625463220311474615</id><published>2010-03-28T08:41:00.001+01:00</published><updated>2010-03-28T08:42:39.369+01:00</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68IasAEmyI/AAAAAAAAApM/quamD0-5BtU/s1600/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453586928350042914" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68IasAEmyI/AAAAAAAAApM/quamD0-5BtU/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Sofia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O conhecimento é o conjunto de saberes, mesmo daqueles que ainda não pertencem ao nosso universo.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recorte do litoral neste lugar é de falésia. Ela estende-se a dado momento por uma faixa estreita e prolonga-se pelo mar dentro. No seu limite está um farol. Tão velho e sólido que o mar apesar da sua fúria o respeita. O vigia luminoso passa de geração em geração sempre na mesma família. A solidão é um vício. O caminho rochoso é batido violentamente pelas águas que ora abrem fendas, ora o cumulam de areia e lodo como presentes.&lt;br /&gt;O farol é um lugar de romagem obrigatório para Íris. Ela sabe-o e sabe também que só ela será protegida na sua passagem e, mesmo assim...&lt;br /&gt;Pede então ao grupo que a acompanhe que fique em terra esperando. Que aguarde e vele. Pede ainda que aproveitem o tempo para sentir a vibração divina da voz das águas e reflictam um pouco na existência do horizonte.&lt;br /&gt;A sombra da tarde já ilude o olhar, confunde os vultos e torna mágicos os elementos. A distância não é longa mas apenas pode vislumbrar a silhueta de quem a espera à porta.&lt;br /&gt;É Sofia, aquela que rege o mundo das trevas através da luz rotativa que se espalha em raios de claridade. Sofia que adivinha já o seu encontro e que põe sobre os seus olhos a mão em pala como forma de dirigir a sombra até si.&lt;br /&gt;Quando as duas se encontram não são precisas palavras. São os seus pensamentos que falam, se encontram e reconhecem.&lt;br /&gt;As mãos tocam-se. Certificam-se de que é material a sua presença.&lt;br /&gt;Quando entram na construção cónica, sóbria e sólida, sobem até à cúpula e esperam caladas que a primeira estrela anoiteça o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esperei por ti toda a minha vida, mesmo antes de saber que vivia...-sussurra Sofia confidente.&lt;br /&gt;- Estive sempre aqui. Mesmo sem saber que era aqui o teu lugar - responde Íris no mesmo tom.&lt;br /&gt;- No entanto é longa a jornada que tens feito!...&lt;br /&gt;- Mais longa será o resto dela...&lt;br /&gt;- Íris, como podes ser filha da mulher se a tua semente veio de além, onde é impronunciável o nome? És semente divina, Íris?&lt;br /&gt;- Todas as sementes são divinas, todas as mães são mulheres. São elas que dão corpo e forma à existência. Sem elas a divindade ficaria eternamente no seu casulo adormecida.&lt;br /&gt;- Eu também sou semente divina! Lembras-te? Lembras-te quando antes nos fundíamos e éramos aspectos diferentes de uma mesma identidade? Lembras-te como éramos antes de sermos como somos?&lt;br /&gt;- Lembro Sofia. Lembro. Mas foi necessário separarmo-nos para nos reencontrarmos. Eu vim trazer a Palavra e ela só pode ser dita através da voz e do gesto, de modo a que todos a compreendam. Tu conheces a Palavra porque fazes parte dela como eu. Mas...eles, os homens, continuam a procurar-nos mesmo depois de nos conhecer.&lt;br /&gt;Mas foste concebida sem acto carnal enquanto, bem, nasci de um homem e de uma mulher.&lt;br /&gt;- Foste mais feliz do que eu! Nasceste do amor entre dois seres iguais. Foi o amor que te ungiu e nada há de mais belo neste lugar que o amor entre um homem e uma mulher que dão forma e corpo à semente adormecida!&lt;br /&gt;Eu, fui a escolhida. Tornei-me mensageira, nunca estive em nenhum lugar nem nunca saí de algum lugar. Sou como um arco, uma ponte, que une as margens e não as toca...&lt;br /&gt;- Íris, tu sofres?&lt;br /&gt;- Tudo o que é matéria sofre, porque ela limita o espírito e torna espessas as ideias. O meu sofrimento faz parte do Inominável. É ele que torna o conhecimento visível e claro aos homens.&lt;br /&gt;- Eu não sofro...&lt;br /&gt;- Não. Tu vives na solidão desde que nasceste. E quem tem como gémea a solidão não sofre. Tens todo o tempo para ti. Quando partirmos e nos reencontrarmos, quando a nossa existência se fundir de novo, verás como cada uma terá alargado a sua verdade. E como seremos grandes depois!&lt;br /&gt;Sofia e Íris esperam a madrugada comungando do crepúsculo. É necessário voltar de novo a estar juntas.&lt;br /&gt;Íris regressa para o pé das companheiras. Elas dormem um sono profundo. Íris deixa escapar, leve, uma censura:&lt;br /&gt;- Então não foram capazes de ficar acordadas ao menos uma hora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso estar de novo com Sofia. Íris deve voltar ao farol. Por isso separa-se do grupo na tarde do dia começado e avança pelo cabo pedregoso. O sol baixo que ilumina a sua imagem pinta-lhe a aura de dourado.&lt;br /&gt;Juntas, Sofia e Íris, assistem agora ao declínio do dia, quando o primeiro luar as toca, voltam a retomar o diálogo do dia anterior.&lt;br /&gt;- Sofia, o tempo ainda não está esgotado. Faltam ainda fios com que é necessário tecer a corda que rebocará a humanidade. Ainda falta percorrer parte do arco circular deste caminho. é por isso que estou aqui!&lt;br /&gt;- Não compreendo Íris! Como pode a divindade enviar-te se os homens continuam sem ouvir? Todos os que vieram antes de ti tiveram dois destinos: ou foram imolados ou foram idolatrados. Qual é o teu destino Íris?&lt;br /&gt;- Já te disse Sofia, o meu destino é a passagem. É deixar no meu rasto o espectro luminoso da Palavra. Somente isso! Será a última prova, a última fase da sublimação do meu ser.&lt;br /&gt;- Também eu estou no último degrau, também eu me preparo através da meditação para tornear o patamar e entrar no corpo sublime da estrela-mãe. No entanto não tenho precisado de me liquefazer em dor...&lt;br /&gt;- Há sempre formas de atingir esse momento; tu fá-lo através da meditação, eu, através da acção. Ambas são legítimas e seguras. No entanto ambas são incompletas. Por essa razão te reencontro. A partir de agora teremos que caminhar juntas, para conseguirmos alcançar o nosso objectivo. Só quando nos completarmos, poderemos terminar. Vem Sofia, está na hora.&lt;br /&gt;- Não posso deixar de sentir receio pelo que vou encontrar. Há muitas histórias da História da humanidade que têm chegado até mim através dos ventos e das marés. Falta-me a coragem, confesso, Íris, de avançar por esse caminho. Há muito que esqueci a provação !&lt;br /&gt;- Afasta as tuas dúvidas minha irmã ! Para lá do farol estão aquelas, que com as suas virtudes, representam o melhor da humanidade ! São elas que me têm amparado e incentivado até aqui. Continuarão a fazê-lo.&lt;br /&gt;- Fá-lo-ão por ti, Íris, não por elas próprias !&lt;br /&gt;- É verdade...mas quando partirmos, entrelaçarão as suas forças e continuarão a arrastar os homens. Vem Sofia, está na hora !&lt;br /&gt;- Espera. Espera só mais um pouco. Deixa que amanheça e partiremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra manhã começa. Íris e Sofia trazem consigo a luz do farol que encandeia e prostra o grupo. É necessário que Íris as sossegue:&lt;br /&gt;- Não temais amigas. É apenas a luz que transborda. Logo vos habituareis a ela. Esta é Sofia, minha irmã. Também ela percorrerá a partir de agora o que falta.&lt;br /&gt;Não temais. Esta luz não vos cegará, apenas abrirá aos poucos os vossos olhos. Logo sereis capazes de a seguir e vós mesmas, depois de nós a transportareis, iluminadas.&lt;br /&gt;Não temais. Não temais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7625463220311474615?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7625463220311474615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7625463220311474615&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7625463220311474615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7625463220311474615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-evangelho-de-iris_28.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68IasAEmyI/AAAAAAAAApM/quamD0-5BtU/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7256956700234129607</id><published>2010-03-28T08:37:00.002+01:00</published><updated>2010-03-28T08:39:54.070+01:00</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68HwqhAq1I/AAAAAAAAApE/LWO4h1j_Jak/s1600/bau-a5-full-color-43.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453586206396820306" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68HwqhAq1I/AAAAAAAAApE/LWO4h1j_Jak/s320/bau-a5-full-color-43.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Vaidades&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é estranho o sucesso dos homens! Do baú tinha nascido o reconhecimento material e social da sua vida. E, enquanto seu nome era falado ele ia calando cada vez mais o segredo da sua caminhada.&lt;br /&gt;O regresso às obrigações do trabalho tornara-o a pouco e pouco insensível, sobretudo em relação ao seu mistério íntimo.&lt;br /&gt;No tempo em que falara do seu baú ainda fora capaz de tocar os sentimentos, mas agora, que escrevia sobre os baús dos outros, a memória deles era filtrada por uma mente racional e fria.&lt;br /&gt;Vendia bem as histórias. O público prefere histórias vulgares que apenas rocem as suas próprias histórias. Nada de muito profundo...&lt;br /&gt;O tempo antes não tinha dimensão, agora perdia-se escoado nas alíneas da agenda. Como é estranho o sucesso dos homens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite quando chegou a casa, encontrou sobre a secretária um telegrama. Suspirou, tirou o casaco, desapertou o nó da gravata e por fim abriu-o e leu-o: PAI FALECIDO ESTA MANHÃ. Nunca a morte lhe tinha sido tão próxima. Com uma espécie de desconfiança e os dedos incertos carregou nas teclas do telefone.&lt;br /&gt;Foi a mãe que o atendeu.&lt;br /&gt;- Mãe?&lt;br /&gt;- Filho!&lt;br /&gt;- Só o soube agora. Acabei de chegar... Como foi?&lt;br /&gt;- Naturalmente, meu filho, suavemente...&lt;br /&gt;- Mas...assim? Estava doente?&lt;br /&gt;- Não. Porque é que há-de haver razões para a morte? Morre-se e pronto!&lt;br /&gt;- Há tanto tempo que não estava convosco!&lt;br /&gt;- Mas nós estivemos sempre contigo!&lt;br /&gt;- Mãe?&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Amanhã estarei aí.&lt;br /&gt;- Esperarei por ti.&lt;br /&gt;Pousou o auscultador. Custava-lhe a acreditar... sentou-se no sofá e ficou muito tempo sem conseguir ordenar as ideias. As imagens do pai assomavam constantemente. Parecia-lhe ainda ouvir a voz dele, levemente arrastada, e sentir, sentir as mãos de pele áspera de encontro ao seu rosto, cheirando a coiro. E ele que abominava o cheiro do coiro! Agora entrava-lhe pelo o nariz e arranhava-lhe a garganta, e ele gostava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só as lágrimas é que não vieram ter com ele, teimavam e negavam-se a correr, ou então, corriam dentro dele como lava quente queimando-o por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que amanheceu, comunicou a um colega o sucedido, e preparou-se para sair. Pegou numa pequena maleta de coiro e enfiou lá para dentro alguma roupa juntamente com os objectos de higiene. Depois ficou parado algum tempo remirando-a poderia ter sido feita pelo pai, mas tinha uma marca estrangeira e custara bastante dinheiro. Porque nunca pedira ele ao pai que lhe fizesse uma mala como aquela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez-se à estrada. Agora já não andava de mochila às costas. Conduzia um bom automóvel e seguia pela estrada asfaltada em grande velocidade apesar do especial cuidado que esta exigia. Admirou-se consigo mesmo. Estava tão calmo e seguro que aparentava frieza. À medida que se ia aproximando mais rígido parecia. Porque não conseguia chorar? Como se comportaria na hora do funeral? Acusava-se intimamente da pouca assistência que lhe dera. Quem teria tratado de todas as formalidades? A mãe? Apesar da idade continuava enérgica e cheia de sangue frio. Mas... naquela hora de perda...amando o marido como só ela fora capaz. Teria tido coragem? Talvez algum dos vizinhos?... Quem sabe? Um dos seus irmãos?... Achava pouco provável que algum tivesse essa iniciativa. Era a ele que lhe competia a tarefa, a mais ninguém, afinal era seu pai, não era o pai dos seus irmãos.&lt;br /&gt;Quando entrou no prédio, a D. Mingas nem o deixou tocar à porta, era a vizinha do rés-do-chão, abraçou-o a chorar comovidíssima e comunicou-lhe que o corpo estava na capela mortuária da igreja do bairro. Ele agradeceu, desembaraçou-se como pode do abraço e dirigiu-se para lá.&lt;br /&gt;O cheiro adocicado e crepitante das velas misturado com o perfume das flores irritaram de imediato as suas narinas obrigando-o a uma série de espirros ruidosos. A mãe reconheceu-o e veio ter com ele.&lt;br /&gt;Olharam-se com ternura, nos olhos, e ampararam os corpos um no outro, sem se apertarem, apenas de forma que eles confirmassem a materialidade da sua existência.&lt;br /&gt;A mãe vestia de negro com a mesma naturalidade com que vestia qualquer cor, talvez estivesse um pouco mais pálida, mas de resto, parecia tranquila. Ela dando-lhe a mão, levou-o até a galeria dos amigos e parentes afastados sentados cerimoniosamente nas altas cadeiras de espaldar. Todos aqueles rostos pareciam esculpidos de conveniência, nem um só gesto desajustado, nem uma só expressão menos correcta. Nada fugia às normas convencionais.&lt;br /&gt;Sem dar por isso deixou escapar um leve sorriso, não era um sorriso de alegria, claro! Mas um sorriso nervoso de quem não está habituado aqueles cenários.&lt;br /&gt;Depois, com naturalidade, dirigiu-se à urna do pai.&lt;br /&gt;Era de madeira escura e pesada, forrada de cetim azul claro. À sua volta uma moldura de flores torneava-lhe a cabeça e o corpo. Poucas vezes tinha visto o pai sem óculos e estremeceu ao notar como eram grandes as semelhanças entre si e ele. Era como se estivesse a presenciar o seu próprio futuro! O pai estava vestido com o melhor fato que tinha, o cinzento escuro, uma camisa imaculadamente branca e uma gravata azul escura e branca que ele lhe oferecera num Natal distante. Aquele não parecia ser o pai, estava habituado a vê-lo com roupa de trabalho, sobretudo com o enorme avental de couro enegrecido. Aproximou-se um pouco mais e estendeu a sua mão direita sobre as mãos dele que estavam cruzadas no peito. Sim. Aquelas eram as suas mãos! Mãos que não souberam mascarar a vida e que traziam com elas as cicatrizes da sovela e do fio. Mãos endurecidas e, no entanto, tão delicadas, tão cheias de carinho.&lt;br /&gt;Em pensamento dedicou-lhe as palavras de amor que nunca lhe expressara claramente, pediu perdão pela negligência que tivera nos últimos tempos e viu-se de repente a confidenciar-lhe os últimos projectos. Tudo em silêncio! Depois sentou-se ao lado da mãe e passou-lhe o braço pelos ombros. Ficaram quietos, calados, sem lágrimas nem inquietações.&lt;br /&gt;Uma hora depois chegaram dois dos seus irmãos com as respectivas mulheres e filhos. Nunca haviam sido muito chegados ao padrasto, mas soube-lhe bem que tivessem vindo para confortar a mãe. Desculparam a irmã, dizendo que ela vivia longe demais e o marido estava fora, mas traziam da parte dela palavras sinceras de condolências. A mãe abraçou-os e parecendo quase feliz.&lt;br /&gt;Depois do funeral propriamente dito, os irmãos chamaram-no. Era a primeira vez que o tratavam como irmão verdadeiro, e a questão principal era saber exactamente o que deviam fazer com a mãe, pois com a idade que tinha já não convinha ficar tão sozinha. Ele nunca pensara nisso, por isso respondeu que o melhor seria falar com ela logo que fosse possível. Talvez aquele momento não fosse o ideal para o fazer. No entanto não acreditava que a mãe, sempre tão independente, quisesse ficar em casa de algum deles. Os outros desculparam-se imediatamente com o facto de terem casas demasiado pequenas e, provavelmente porque a sua solidão seria maior pois, as respectivas mulheres trabalhavam também, e ela desse modo, ficaria sem ninguém durante todo o dia. Mas o mais grave seria o desenraizamento. Ela vivera quase toda a vida naquele prédio, naquele bairro, naquela cidade. O mais sensato seria que ele, solteiro, e um escritor famoso, com melhores condições económicas do que eles, pudesse assumir o encargo financeiro de manter alguém de confiança junto dela.&lt;br /&gt;Teve vontade de os mandar passear, mas conteve-se. Descansou-os, dizendo que sim, que assumiria esse compromisso com toda a alegria, que ficassem tranquilos quanto a isso. Percebeu os seus suspiros de alívio e nem sequer ousou criticá-los.&lt;br /&gt;A mãe voltou para casa com os vizinhos, ele precisava de espairecer um bocado e sobretudo preparar a conversa com ela de modo a não a magoar.&lt;br /&gt;Quando entrou no carro sentiu uma enorme necessidade de rolar pela cidade sem rumo definido. Parou por fim na parte alta e sem saber como, rompeu num pranto. Não chorava a morte do pai. Uma vida inteira de generosidade e pureza. Chorava o desmembrar do casal feliz que os seus pais tinham formado.&lt;br /&gt;Esgotado pelo esforço do choro, reclinou a cabeça e fechou os olhos. Sentiu o cheiro a cabedal, o afago no alto da cabeça que o pai gostava de lhe fazer, olhou para o lado. Ali estava ele, de camisola azul e calças cinzentas de algodão. Estava a rir. Parecia estar a fazer pouco dele. Quis dizer-lhe alguma coisa mas a voz embargou-se-lhe. Não teve medo mas sentiu-se atrapalhado pela presença etérea do pai.&lt;br /&gt;O velho piscou-lhe o olho como se dissesse: - Desta já me escapei! – E ele riu.&lt;br /&gt;Com mais segurança perguntou-lhe:&lt;br /&gt;- E agora? E a mãe?&lt;br /&gt;- Agora nada! Vou viver a minha verdadeira vida! A tua mãe? Bom, ela é forte, saberá encontrar pensamentos de conforto. É uma grande mulher, sabes?&lt;br /&gt;- Sei.&lt;br /&gt;- É contigo que me preocupo, meu filho.&lt;br /&gt;- Comigo?&lt;br /&gt;- Sim. Procuras sempre fora o que tens dentro de ti. Arriscas-te a perder no meio da ilusão que criaste para ti. Tens fama, tens sucesso, serás cada vez mais solicitado para te integrares nesta sociedade de bem estar material. Dessa forma irás perder tudo. Tem cuidado, não te desiludas a ti próprio!&lt;br /&gt;- Que hei-de fazer, meu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai esfumou-se sem palavras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7256956700234129607?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7256956700234129607/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7256956700234129607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7256956700234129607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7256956700234129607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-caminheiro_28.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S68HwqhAq1I/AAAAAAAAApE/LWO4h1j_Jak/s72-c/bau-a5-full-color-43.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5313940849167462501</id><published>2010-03-20T11:06:00.002Z</published><updated>2010-03-20T11:08:41.250Z</updated><title type='text'>O nascimento de uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SstGFQTKI/AAAAAAAAAo8/FEDzb_4f_Qg/s1600-h/895_DSCN2164x370.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450671339751885986" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SstGFQTKI/AAAAAAAAAo8/FEDzb_4f_Qg/s320/895_DSCN2164x370.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;2. A haste verde que estende os braços&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Pouco maior que o musgo atapetando o chão, encarei o orvalho e fiquei a recebê-lo…. Bebi-o até não poder mais, numa atitude cortês de quem recebe um prémio.&lt;br /&gt;Estava tão cheia de orgulho de mim mesma que nem reparei na minha mãe longínqua plantada naquele vasto lugar.&lt;br /&gt;Interessava-me rever e reaprender tudo. Sobretudo voltar a sentir o perturbante enleio que vinha do ar; os cheiros, os sons, os toques macios e ásperos das brisas e dos ventos, do calor do sol filtrado por entre as minhas irmãs.&lt;br /&gt;Tinha urgência em abraçar o universo. Quem chegava era eu e vinha de novo para o mundo que entrava em mim. Havia que estender os meus braços e estender-me à vida. Em breve, um pequeno animal, um grão de terra, vieram cumprimentar-me trazendo-me as suas mensagens através de folhas desprendidas…Do meu corpo então em alvoroço estendi o verde da minha folhagem&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5313940849167462501?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5313940849167462501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5313940849167462501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5313940849167462501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5313940849167462501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-nascimento-de-uma-flor_20.html' title='O nascimento de uma flor'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SstGFQTKI/AAAAAAAAAo8/FEDzb_4f_Qg/s72-c/895_DSCN2164x370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4231136046192977942</id><published>2010-03-20T11:04:00.001Z</published><updated>2010-03-20T11:05:58.115Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SsEIj6HpI/AAAAAAAAAo0/HUjhnuHw64k/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450670636042690194" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SsEIj6HpI/AAAAAAAAAo0/HUjhnuHw64k/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Lectícia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A alegria dá à vida o brilho com que se destacam os pormenores da neutralidade dos factos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris não dorme, fica ali sentada, vigiando, junto das suas companheiras. Acompanha o percurso da noite e recebe de seus pais intemporais a mensagem do dia próximo.&lt;br /&gt;Quando o horizonte muda de tom não pode evitar um sorriso de bem estar. Acorda as companheiras deixando que a energia transmitida pela paisagem lhes toque a alma. Correm para as águas cantantes que correm no ribeiro, mergulham nelas e lavam nelas as tristezas do passado.&lt;br /&gt;Com a voracidade juvenil comem todos os frutos que podem oferecidos pelos arbustos e as árvores. É preciso dar alimento ao corpo que as transporta.&lt;br /&gt;A aurora do dia chega plena de luz, desperta os bandos de aves que repousam nos ramos e enche as margens do ribeiro com criaturas diversas, dispostas a viver mais um dia. O sol ainda se orna de rosa, mas aquece já o orvalho que se eleva no ar formando uma neblina baixa e mágica que encanta. Cheira a pinheiros, fetos e violetas. Uma mistura de aromas que inebria os sentidos. O vale coberto de musgo abraça e recebe a graça divina de uma primavera benevolente.&lt;br /&gt;Apetece gritar bem alto:&lt;br /&gt;Bom dia! Bom dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da encosta do monte desce a voz de uma pastora que canta. Cantiga simples em que as palavras jogam com os sons da rima quebrada, mas, a música, vem de dentro, sobe e desce e volteja no ar como trinados. O eco repete-a como um coro no espaço. A pastora pensa que está só em intimidade com a natureza, por isso se despe de todo o pudor e através da voz se mostra nua.&lt;br /&gt;O grupo faz-se encontrado e ela recebe-o surpreendida. O breve momento de hesitação desvanece-se e abre o seu sorriso franco. Oferece então o pão da partilha e o leite das suas ovelhas.&lt;br /&gt;Emocionada com a simplicidade da jovem, Íris pergunta-lhe o nome. O nome é fundamental porque imprime no espírito a personalidade.&lt;br /&gt;- Lectícia.&lt;br /&gt;- Lectícia!- Repetem em conjunto as companheiras.&lt;br /&gt;Íris convida-as a todas a sentarem-se, dá a mão a Lectícia e, virando-se para o grupo, explica:&lt;br /&gt;- Lectícia é a alegria. A alegria que nos falta tantas vezes. Toda a caridade, toda a verdade, toda a coragem e acção devem ser feitas com alegria. Agradece-se a oportunidade de viver, demonstrando a alegria, porque ela filtra a luz que entra no coração dos homens e torna maior a dimensão em que vivemos.&lt;br /&gt;Tu, que és pastora, que estás longe das estradas e das cidades, que vês o mundo do alto dos montes e o céu inteiro do fundo dos vales, tu que aprendes com os pássaros a voar com a tua voz para além de todas as dores e de todas as dúvidas, tu que calcas as ervas que atapetam o solo, és outro elo da cadeia que arrasto e com a qual desejo prender o mundo de meu pai ao de minha mãe, vem. Vem connosco espalhar generosamente os teus risos e deixa, Lectícia, que eu ria também contigo, que eu aprenda contigo a tua música e dance, dance até à exaustão, o bailado, que o Divino coreografou!&lt;br /&gt;Talvez Lectícia não perceba todo o sentido das palavras que ouve, Talvez se acanhe perante aquela que veste todas as cores. Mas sente no seu corpo o desejo de ir. Olha, uma a uma, cada uma das presentes e vê nelas a mesma ansiedade que vê em Íris.&lt;br /&gt;Mas e o rebanho? Que contas dará dele?&lt;br /&gt;Não pode haver alegria sem liberdade diz-lhe Íris.&lt;br /&gt;- Homens! Eis que a Palavra se mistura com o som da música no meu peito.&lt;br /&gt;Homens! Ouvi comigo a canção e deixai que o vosso corpo se contagie de ritmos e baile...baile...&lt;br /&gt;Homens, aquela que foi escolhida também me acolhe, como acolherá a vós se quiserdes!&lt;br /&gt;Glória. Glória à Vida. Deixai que o Sol solte uma risada e vos aqueça até ao fim dos tempos. A alegria chegou!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4231136046192977942?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4231136046192977942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4231136046192977942&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4231136046192977942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4231136046192977942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-evangelho-de-iris_20.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SsEIj6HpI/AAAAAAAAAo0/HUjhnuHw64k/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-9148043425983436131</id><published>2010-03-20T11:00:00.001Z</published><updated>2010-03-20T11:02:39.382Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SrSjvGoUI/AAAAAAAAAos/jdmQj4GhZe4/s1600-h/3d_scene_7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450669784343945538" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SrSjvGoUI/AAAAAAAAAos/jdmQj4GhZe4/s320/3d_scene_7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Próximo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrente de ar deslizou fria por cima dos seus cabelos arrepiando-os. Depois muito lentamente afagou todo o seu rosto passando em seguida para o peito. Aí, foi aumentando a temperatura tornando-se tão quente que lhe abrasou todo o corpo. Gemeu. Depois, desceu arrefecida, pelo seu ventre, pelas suas pernas, terminando na ponta dos pés e, fluiu como se de um rio de suor se tratasse. Suspirou. Daí a pouco um novo fluxo fez o percurso inverso enchendo-o de força e de paz. Uma paz a que não estava habituado.&lt;br /&gt;O conjunto das vozes em confusão foi deixando distinguir alguns termos técnicos sobre o seu estado de saúde. Até que uma mais forte disse: - Abre!&lt;br /&gt;Foi então que as vozes passaram a ter rostos.&lt;br /&gt;Eram homens e mulheres de idade e aspecto diferentes que tinham apenas em comum o estar vestidos com uma espécie de túnica verde-água que lhes escondia o corpo de modo que os contornos se perdiam em pregas soltas.&lt;br /&gt;Reparando mais atentamente, pode verificar que algumas das formas não eram humanas, tratavam-se de criaturas com feições bizarras mas que apesar disso inspiravam confiança e bondade.&lt;br /&gt;Uma delas, com cerca de um palmo de altura e olhos encovados de uma cor violeta deslumbrante, levitou até junto da sua fronte. À sua volta havia um halo luminoso amarelo dourado que lhe acariciou o coração.&lt;br /&gt;- Pronto. Daqui a pouco poderás descansar, agora no entanto é necessário que aguentes a dor para teu próprio bem. Depois disto compreenderás muitas coisas que te estavam vedadas.&lt;br /&gt;Foi o que percebeu! Pois a voz que ouvia não tinha som, apenas entrava nele como um pensamento.&lt;br /&gt;De repente, aquilo que lhe pareceu ser um dedo comprido e delgado, tocou-lhe um ponto entre as sobrancelhas. Uma dor aguda e ardente violou-lhe todo o crânio. Vulcões de fogo, explosões de estrelas, ondas gigantescas de lava, encheram-lhe a visão. Durou uma eternidade!&lt;br /&gt;Quando acordou verificou que tinham passado apenas quinze minutos desde a última vez que olhara para as horas. Tinha a certeza absoluta disso porque o seu velho relógio de parede continuava fiel na marcação do tempo. Já não sentia dores nem calor excessivo, embora estivesse completamente transpirado. Sentia um torpor agradável que o embalava.&lt;br /&gt;Com incredulidade reparou que tudo à sua volta estava rodeado de auras luminosas que se exprimiam em cores e intensidades diferentes. Algumas dessas auras, como as das plantas do vaso sobre o parapeito da janela, pareciam intermitentes, outras, eram pálidas e pouco definidas.&lt;br /&gt;Quando a mãe voltou a entrar, vinha rodeada de um largo espectro. Azul. Verde. Matizando-se com um dourado fascinante. Emocionou-se. Um nó na garganta impediu-o de falar. E ao sentir as suas mãos magras a afagá-lo, teve vontade de chorar.&lt;br /&gt;A mãe. Quem era aquela mulher?&lt;br /&gt;Tivera-o em fase adiantada da vida, no entanto a diferença de idades nunca obstara a um óptimo relacionamento e até a uma certa cumplicidade. Ela compreendia porque razão aquele filho tinha tanta necessidade de se afastar e de viver uma vida solitária porque o aceitava e o amava tal como ele era.&lt;br /&gt;Fora sempre uma grande mulher, a mãe! Tivera uma infância pobre e com poucas oportunidades, casara muito cedo com um homem doente e agressivo. Criara três filhos dele com imensas dificuldades e muita instabilidade afectiva. Quando o marido morreu de forma atroz, ela ficou sozinha com todas as responsabilidades e sem ajuda de ninguém, mas o mais grave, sem um trabalho que lhe garantisse o sustento dela e dos filhos. Desembaraçou-se. Fez limpezas, costurou para fora, dormia e comia muito pouco para que nada faltasse. Encontrou então um homem tranquilo e bondoso que por amor dela aceitou o encargo de uma família já formada. Casaram. Sem exigências, apenas com a ternura de bagagem. Os filhos cresceram e tomaram conta dos seus próprios destinos. Nunca souberam agradecer à mãe e ao padrasto a vida que puderam usufruir.&lt;br /&gt;O nascimento dele fora aceite de má vontade, como se o considerassem um intruso. Um bastardo. O que fazia sofrer aquela mãe divida entre o amor dos primeiros e a paixão do último.&lt;br /&gt;Tanto o pai como a mãe pareciam ter sido talhados à medida um do outro. Tinham uma delicadeza de trato que mesmo nas horas de maiores dificuldades se fazia sentir. Nunca os ouvira queixar um do outro, nunca se apercebera dos defeitos de um através da crítica do outro. Eles amavam-no e mimavam-no com alegria. Deram-lhe todas as possibilidades de progredir e desenvolver as capacidades. Sem grandes recursos contudo, tornaram-lhe a infância feliz e tranquila. Com o seu exemplo, ensinaram-lhe a ser tolerante, generoso e respeitador para com toda a gente. Fora um privilegiado!&lt;br /&gt;Agora voltar à casa paterna era reaprender os afectos.&lt;br /&gt;- Então, meu filho, como te sentes? – perguntou a mãe suavemente.&lt;br /&gt;- Bem, obrigado, minha mãe. Perdoe o trabalho que lhe estou a dar!&lt;br /&gt;- Ora filho, que trabalho? O que me fez mal foi o susto que nos pregaste. Já não somos novos e situações destas perturbam-nos muito.&lt;br /&gt;Ficou envergonhado. A última coisa que desejava era fazer mal àqueles dois seres maravilhosos.&lt;br /&gt;- Eu sei que já és adulto e tens a tua própria vida, mas filho, ficamos tanto tempo sem ter notícias tuas!&lt;br /&gt;- Não é por indiferença, mãe, sabe que não é por mal! É que o meu trabalho não tem horário fixo... nem lugar...&lt;br /&gt;- E os outros teus colegas que têm família? Será que a abandonam assim?&lt;br /&gt;- O que eu faço é diferente. Sou repórter.&lt;br /&gt;- Quando telefonei para o jornal, ninguém sabia dar resposta. Disseram também que havias deixado de enviar trabalho há algum tempo. O que se passa? Confia em mim!&lt;br /&gt;- O segredo é alma do negócio, não é? – Disse para desviar a atenção- E sabe, tenho andado todo este tempo à procura do sentido da vida. Quero escrever sobre ele.&lt;br /&gt;- O sentido da vida? Porquê? A vida não tem que ter um sentido! Talvez seja bom que o não o conheçamos. O melhor é viver. O ontem de uma maneira, o hoje de outra , e o amanhã ... Bom o amanhã logo se verá! Para que queres tu complicar as coisas? E ainda por cima escrever sobre isso? A tua vida é tão importante como a dos outros! Só tu é que a vês diferente...&lt;br /&gt;Era verdade. A mãe sempre fora uma mulher muito prática. Nunca tivera tempo para problemas existenciais. Sorriu. Que mais poderia fazer? Prometeu à mãe que voltaria a trabalhar e a pôr em ordem as suas ideias. Talvez fosse interessante falar da vida dos outros, daquilo que aprendera a conhecer neles. Sim, falaria dos homens e das mulheres que encontrara no caminho.&lt;br /&gt;A mãe respirou fundo aliviada e convencida que ele a havia escutado.&lt;br /&gt;Assim que ela saiu, retirou o livro do peito e passou a mão pela sua capa macia e lustrosa. Que lhe diriam agora aquelas páginas de sabedoria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Nas angústias do Ser há sempre um cais.&lt;br /&gt;Um cais onde o Homem pode aportar&lt;br /&gt;E, olhar o horizonte, e exigir dele mais,&lt;br /&gt;Estendendo a mão de modo a poder agarrar.&lt;br /&gt;Em cada viagem há outros companheiros&lt;br /&gt;Que de tão próximos de nós são esquecidos,&lt;br /&gt;São como nós, também, caminheiros,&lt;br /&gt;E dão-nos a comparação do que sentimos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou os olhos e compreendeu. O seu orgulho de homem convencido foi rasgado pelas lágrimas da compreensão.&lt;br /&gt;A mãe, o pai, eram os eus próximos que havia esquecido. Nunca lhes soubera agradecer realmente a oferta da sua vida. Pensara que ela era só sua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida! Agora entendia-a como o entrelaçar de todas as vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o tempo da convalescência era preciso voltar à vida activa. Tinha deixado de ganhar dinheiro durante a sua aventura e precisava de voltar a tê-lo para subsistir, tornava-se urgente voltar à redacção, rever os colegas e sobretudo concretizar as ideias que germinavam dentro de si.&lt;br /&gt;Preparou-se para sair de casa naquela manhã com a sensação de ter fechado um parêntesis na sua vida. A mãe abeirou-se com a sabedoria dos anos e o hábito velho de o aconselhar: Estava nevoeiro, não convinha uma recaída, que tivesse cuidado, que se agasalhasse... ele abraçou-a com a ternura feita de reconhecimento. Era bom!&lt;br /&gt;A rua agora parecia-lhe um lugar mágico, envoltos como estavam, os contornos do que via.&lt;br /&gt;Apanhou o autocarro e saiu em frente da porta castanha do edifício decadente que o esperava. O cheiro familiar do papel e da tinta, do fumo e do suor, escorregou-lhe pela garganta, obrigando-o a tossir.&lt;br /&gt;À sua entrada, os colegas de trabalho regozijaram-se com o seu regresso, como se ele fora um filho pródigo! Palmadas nas costas, piadinhas salgadas, e apertos de mão viris e sinceros. Sentiu-se amado, sentiu-se protegido, no seu lugar.&lt;br /&gt;O chefe da secção ainda não tinha chegado por isso a confusão soava alto. Mas poucos minutos depois, o “Riscos” apareceu e a sua voz rouca surpreendeu-os como a meninos apanhados em falta. Todos voltaram as suas mesas de trabalho para voltar a martelar textos. Só ele ficou em pé à espera de ordens e... talvez um cumprimento!&lt;br /&gt;“Riscos”, sem o olhar, disse:&lt;br /&gt;- Duas colunas sobre as condições hospitalares. Estiveste internado, não foi? Um gajo como tu deve ter percebido muitas coisas. Ao meio-dia quero tudo pronto.&lt;br /&gt;E foi sentar-se na sua velha secretária. Preparou a máquina e ficou à espera. Que havia para dizer? Dois terços do tempo estivera a dormir, o outro terço entre a vida e a morte! Pediu com jeitinho ao seu cérebro que se recordasse e o ajudasse. Uma enxurrada de palavras soltou-se e pespegou-se no papel. Quando terminou de escrever eram onze e meia. Levantou-se e foi mostrar o trabalho ao chefe.&lt;br /&gt;O velho leu em silêncio e depois tirou de trás da orelha o famoso lápis vermelho e desatou a riscar. – O “Riscos”- remontava o texto e acrescentava, encavalitando, algumas palavras.&lt;br /&gt;- Continuas o mesmo literário! Mais objectividade, menino! Bem, passa isto a limpo e envia para baixo.&lt;br /&gt;Quando ia a sair ouviu:&lt;br /&gt;- Depois volta aqui que quero propor-te uma coisa. É bom ter-te de novo!&lt;br /&gt;Ele sorriu e levou a mão à cabeça em jeito de continência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever contos para o jornal? Era uma ideia aliciante. Sempre sonhara ser escritor de verdade e aquela era uma óptima oportunidade para começar.&lt;br /&gt;Logo que chegou a casa revirou a secretária para encontrar os seus cadernos. Leu-os de um fôlego, a mãe até lhe veio trazer o jantar num tabuleiro, porque ele não conseguia interromper a leitura.&lt;br /&gt;Os olhos ardiam-lhe e a noite estava já cerrada quando concluiu com uma certa decepção que todos aqueles contos religiosamente guardados eram imaturos, quase infantis. Ficou desconsolado e deitou-se sobre a cama. Escrever sobre o quê?&lt;br /&gt;De repente a sua atenção foi desviada para o baú onde guardava os despojos da sua vida: brinquedos, cartas, fotografias, etc. tudo era tão vulgarmente raro! Tudo estava tão impregnado de história! Da sua história, da história dos outros!..&lt;br /&gt;E se escrevesse sobre esses objectos?&lt;br /&gt;Naquele momento tudo se tornou mágico, as palavras que lhe vieram à memória encheram de vida as vidas antigas desenhando-se nas páginas brancas do caderno recém aberto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-9148043425983436131?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/9148043425983436131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=9148043425983436131&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/9148043425983436131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/9148043425983436131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-caminheiro_20.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S6SrSjvGoUI/AAAAAAAAAos/jdmQj4GhZe4/s72-c/3d_scene_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1317047013581122247</id><published>2010-03-16T08:49:00.002Z</published><updated>2010-03-16T08:52:39.595Z</updated><title type='text'>O nascimento de uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59Gzrdza6I/AAAAAAAAAok/DnhnNf5Z1es/s1600-h/895_DSCN2164x370.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449151927796591522" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59Gzrdza6I/AAAAAAAAAok/DnhnNf5Z1es/s320/895_DSCN2164x370.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;1. Rompendo a terra escura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Acordei a consciência de mim quando, imobilizada no quente torrão, me abrigara no meu milagre.&lt;br /&gt;Embora incomodada naquela prisão, eu trazia em mim o registo da liberdade, encontrava-o ainda na minha memória desprendendo-se de uma corola!&lt;br /&gt;Era apenas um começo. Mais um! Por isso decidi utilizar o meu esforço em direcções opostas afundando-me em múltiplas raízes que tacteavam o silêncio e na escuridão procuravam equilíbrios e…me seguravam. Foi dessa parte de mim que saciei de seiva, alimento que me trouxe um novo alor e me fez prosseguir. Depois, absorvendo o ar que chegava até mim, elevei-me em altura, e iniciei o exercício de subir arranhando-me nos grãos de terra áspera que me envolviam.&lt;br /&gt;Eu sabia que esse era o meu destino; por um lado prendia-me a terra, por outro, libertava-me da minha forma inicial.&lt;br /&gt;A distância media-se em tempo, em dor, em ansiedade. O importante era chegar segura e forte ao novo mundo que me receberia. O importante era testemunhar que existia e que viveria de forma material para despertar nem que fosse apenas por um só sorriso.&lt;br /&gt;Faltava-me apenas romper a barreira. E assim… numa madrugada, despontei! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1317047013581122247?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1317047013581122247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1317047013581122247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1317047013581122247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1317047013581122247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-nascimento-de-uma-flor.html' title='O nascimento de uma flor'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59Gzrdza6I/AAAAAAAAAok/DnhnNf5Z1es/s72-c/895_DSCN2164x370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2925558476846540896</id><published>2010-03-16T08:46:00.001Z</published><updated>2010-03-16T08:49:02.015Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59F-ARvGRI/AAAAAAAAAoc/wLqtgGOPg8I/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449151005670185234" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59F-ARvGRI/AAAAAAAAAoc/wLqtgGOPg8I/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Constância e Ema&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A perseverança e o trabalho são as chaves que abrem a porta ao sonho para este entrar no real.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constância é coxa. Tem uma perna mais curta que a outra, mas isso não a impede de percorrer quilómetros na cidade e de estar sempre onde é necessária. Teimosa, não desiste nunca dos seus objectivos. Inventa todas as formas que dão corpo aos desejos dos outros.&lt;br /&gt;Ema, qual abelha laboriosa, não pára nunca. Obreira incansável, tem no ócio o seu pior inimigo. Constrói e reconstrói mil vezes a matéria sólida que sustenta a vida.&lt;br /&gt;Num mundo de multidões como é a cidade, tratam por tu toda a gente e chamam-lhes amigos.&lt;br /&gt;Quase não têm vida própria, as suas vidas são as vidas de quem servem, como se fossem essas as suas únicas missões. Por isso são procuradas por todos e esquecidas em seguida. Porém o despeito não entra nos seus corações. Aceitam essa atitude, naturalmente, sem esperar nada em troca.&lt;br /&gt;Durante o reinado de Íris ouviram os seus discursos e sentiram o impulso de a seguir. Modestamente, colocam-se na retaguarda das peregrinas, prestando-se nas suas virtudes, sem palavras. Como oásis no deserto, servem os alimentos simples e a água fresca que revigoram o equilíbrio daquela que jejuara toda a semana.&lt;br /&gt;Íris está fraca, triste e sem voz. Mas tem o braço de Ofélia que a ampara. Mas tem o ombro de Leonor onde chora. Mas tem as palavras consoladoras e animosas de Vera e Andreia e, tem agora os membros do seu corpo em Constância e Ema.&lt;br /&gt;Os sete raios iluminam a sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar onde repousam há água limpa e frutos maduros.&lt;br /&gt;No lugar onde repousam há uma lapinha que as abriga do sol e da chuva.&lt;br /&gt;O lugar onde repousam fica situado numa colina e daí, lobriga-se a extensão da terra até ao limite de outras colinas.&lt;br /&gt;Íris e as companheiras estão saciadas.&lt;br /&gt;Íris e as companheiras, na amenidade do lugar, reflectem sobre a cidade e...turbam-se.&lt;br /&gt;Íris e as companheiras lançam o olhar para além do vale e interrogam-se entre si se devem continuar a semear a Palavra na terra.&lt;br /&gt;- Como podemos levar aos homens o socorro e a ajuda nas suas dores, se eles vestem couraças de orgulho?- Pergunta Ofélia de voz tremida.&lt;br /&gt;Constância que penteia os cabelos de Íris responde:&lt;br /&gt;- Em todas as couraças há costuras. Em todas as costuras, orifícios, onde uma agulha fina penetra e entra. Sejam as nossas palavras agulhas penetrando no seu orgulho e elas percorrerão o corpo inteiro dos homens.&lt;br /&gt;- Como podemos nós levar o consolo aos homens, se o sofrimento lhes endurece os rostos e trava-lhes as lágrimas?- Pergunta Leonor de voz magoada.&lt;br /&gt;Constância que entrança os cabelos de Íris responde:&lt;br /&gt;O sofrimento abre nos corações dos homens a compreensão, no entanto quando ele é demasiado, fecha-os e cerra-lhes os maxilares de desespero. O sofrimento deve ser dado em doses certas. Cada um, por isso, deve aliviar as dores dos outros. Só dessa forma as lágrimas se enxugarão e as bocas se abrirão coniventes num sorriso.&lt;br /&gt;- A verdade, minhas irmãs, a verdade é que os homens sustentam dentro de si monstros escuros que iludem a verdade e os induzem ao erro. Outros, antes de nós vieram e falaram. Cegos os homens não os expulsaram!- Grita Vera revoltada.&lt;br /&gt;Constância que enfeita as tranças de Íris, pára um momento e coloca sobre o ombro de Vera, a mão. Depois responde:&lt;br /&gt;- Não há monstros nos peitos dos homens. Se os houver, também há anjos, que os incitam para a verdade. Os homens são seres frágeis por isso os que vieram antes de nós e nós mesmas, temos que os auxiliar a verem claro.&lt;br /&gt;Quando o conseguimos, Vera, os homens calam os monstros e deixam os anjos falar.&lt;br /&gt;- É isso!- exalta-se Andreia- É isso. A nossa função é abrir os olhos, abrir os ouvidos e abrir as suas mentes para que distingam correctamente as diferentes vias e possam escolher livremente e sem medo.&lt;br /&gt;Constância corre a abraçar Andreia e diz com embargo na voz:&lt;br /&gt;- Querida irmã corajosa, como sabes bem o que é preciso fazer! O que é preciso é não desistir, fazer e refazer um milhão de vezes se for necessário. Outros virão depois de nós para continuar a mudar o rumo dos transviados. Somos nós que temos que recolher os pedaços de ilusão e colá-los de novo tornando-os no primordial objecto.&lt;br /&gt;Só assim o Divino nos poderá enviar o conhecimento através da certeza do nosso pensamento.&lt;br /&gt;Ema, que estivera calada todo o tempo, providenciando o conforto de cada uma, sente que é a sua vez de falar e dela saem palavras serenas:&lt;br /&gt;- Alegra-me ouvi-las nas vossas resoluções. Alegra-me ouvi-las nas vossas certezas. Mas além deste lugar, há outros lugares que ainda não acolheram os nossos passos. É preciso que a Palavra ande, não fique só no ar que respiramos.&lt;br /&gt;Levemo-la connosco sem tardança. Urge o tempo de a lançar.&lt;br /&gt;Íris aplaude emocionada as suas amigas. Resolve que é hora de regressar ao mundo dos homens. Abraça uma a uma agradecendo-lhes e dá ordem de partida.&lt;br /&gt;O sol, que até aí estivera encoberto pelas nuvens, desvia-se e lança lá de cima a luz branca e quente que as anima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2925558476846540896?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2925558476846540896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2925558476846540896&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2925558476846540896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2925558476846540896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-evangelho-de-iris_16.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59F-ARvGRI/AAAAAAAAAoc/wLqtgGOPg8I/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-86696768310563811</id><published>2010-03-16T08:42:00.002Z</published><updated>2010-03-16T08:45:46.856Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59FNNuyM4I/AAAAAAAAAoU/A-lJoTirauM/s1600-h/3d_scene_7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449150167468094338" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59FNNuyM4I/AAAAAAAAAoU/A-lJoTirauM/s320/3d_scene_7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O mergulho total&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua estrada desaguava numa outra, uma estrada de asfalto, barulhenta e movimentada.&lt;br /&gt;A mudança de ambiente fê-lo estremecer. Tinha-se desabituado a viver naquele alvoroço. Apesar de já ter trepado montanhas e descido a vales, caminhado por areia e rochas, o piso desta nova estrada fazia-lhe doer as pernas e sentir-se cansado. Era demasiado plana!&lt;br /&gt;Pela primeira vez em muitos dias preocupou-se com o seu aspecto. Quem o visse julgá-lo-ia um mendigo, um vagabundo. A barba e o cabelo haviam-lhe crescido desordenadamente e em resultado da exposição ao sol apresentavam um tom amarelecido e baço. A pele estava queimada e seca como se tivesse vivido toda a vida ao ar livre e a roupa esfarrapada e suja. A cor das calças já não se podia adivinhar...&lt;br /&gt;Tinha deixado tudo para trás, agora era completamente anónimo.&lt;br /&gt;Estendeu o braço e pediu boleia. Durante muito tempo ninguém lhe prestou a menor atenção até que um camião de gado parou a uns cinquenta metros à sua frente fazendo chiar horrivelmente os pneus. Lançou-se numa pequena corrida e parando junto da cabina abriu a porta. O motorista era um rapaz gordo e boçal.&lt;br /&gt;- Vou até ao mercado. Queres vir?&lt;br /&gt;- Se fizer favor. Agradeço.&lt;br /&gt;O outro ficou admirado com a delicadeza dele. Com o seu aspecto devia estar à espera de um outro tipo de linguagem.&lt;br /&gt;- Que fazes aqui na estrada? Não me pareces um vadio qualquer! – Disse enquanto punha o camião de novo em andamento.&lt;br /&gt;- Ando em viagem...sem rumo...&lt;br /&gt;- Hum! Trazes pouca bagagem. Foste assaltado?&lt;br /&gt;- Não. Deixei-a para trás. Não era necessária.&lt;br /&gt;- Aposto que és daqueles tipos malucos que têm tudo e só se lembram de experimentar ser pobres!&lt;br /&gt;- Mais ou menos.&lt;br /&gt;- Se calhar nem conheces a cidade para onde te levo!&lt;br /&gt;- Não. Mas isso não me interessa.&lt;br /&gt;- Eu vou lá três vezes por semana. E chega!&lt;br /&gt;- Ainda falta muito?&lt;br /&gt;- Mais hora e meia de caminho. De que é que vives? Tens uma profissão, não?&lt;br /&gt;- Sou jornalista. – Soaram-lhe estranhas estas palavras aos seus próprios ouvidos, há muito tempo que não trabalhava. Nem acreditava já que fosse voltar a sê-lo.&lt;br /&gt;- Ah! Se calhar estás a fazer uma daquelas reportagens malucas sobre a vida das pessoas!&lt;br /&gt;- Não é bem isso... (é mais sobre a minha vida) pensou ele!&lt;br /&gt;- Olha eu cá não entendo como é que um tipo é capaz de escrever tanto. Eu quando tenho que escrever fico completamente estúpido. Não me saem as palavras... eu sei o que quero dizer. Mas escrevê-las... também não leio muito. Os títulos dos jornais... e se forem de desporto! Chateia-me a política, não ligo nenhuma às notícias, quero lá saber quem morreu, quem casou ou quem roubou! Quero é saber da minha vida e, pronto.&lt;br /&gt;- Ele sorriu. Fechou os olhos. A trepidação do camião estava a fazê-lo enjoar.&lt;br /&gt;- Estás mal?&lt;br /&gt;- Um pouco... isto já passa. Não se preocupe.&lt;br /&gt;- Abre a janela e apanha ar.&lt;br /&gt;Foi o que fez.&lt;br /&gt;O estômago vazio parecia acumular rios de espuma. Sentia-a ao longo do esófago, da garganta. Uma acidez incrível! A cabeça andava à roda e só conseguia aguentar com os olhos fechados e o corpo quieto.&lt;br /&gt;O outro continuava a tagarelar, não se apercebendo da realidade do seu estado. Ele tinha a certeza que se tentasse responder largaria o vómito ali mesmo.&lt;br /&gt;Quando entraram na cidade, ele pediu que o deixasse ficar ali mesmo. Agradeceu balbuciante e, logo que pôs os pés no chão, dobrou-se para a frente e vomitou.&lt;br /&gt;O suor cobriu-lhe o corpo inteiro, as pernas tremeram-lhe. Nunca se tinha sentido tão mal!&lt;br /&gt;Quando conseguiu recuperar, respirou diversas vezes com força para tentar acalmar-se mas os cheiros da cidade penetravam-lhe o nariz e sufocavam-no.&lt;br /&gt;Há muito tempo que não comia. E ainda por cima sem dinheiro algum. Todos os seus documentos perdidos. Sentia-se fraco. Só lhe restava pedir esmola. Nunca o fizera, mas agora, era uma questão de sobrevivência. Quando se dirigiu aos transeuntes sentiu o medo deles revelar-se nas esquivas negativas ou nas ofertas apressadas. Nunca ninguém tivera medo dele! Era uma sensação esquisita!&lt;br /&gt;Só a meio da manhã conseguiu juntar uns trocos e entrar num supermercado para comprar pão e água. O segurança perseguiu-o descaradamente. A empregada da caixa mostrou-se irritada por contar tantas moedas e, mesmo assim, mirou e remirou algumas não fossem elas falsas!&lt;br /&gt;Acabou por se sentar num banco de pedra do jardim raquítico ali perto. Mastigou o pão lentamente para que o estômago não reclamasse. O sol pálido veio adormecê-lo.&lt;br /&gt;Acordou sobressaltado ao sentir-se apalpado. Era um velho nojento que tresandava a alcool e a roupa suja.&lt;br /&gt;- Desculpe...&lt;br /&gt;Ele reparou que lhe faltava o livro. Provavelmente ao tirá-lo pensara que fosse uma carteira.&lt;br /&gt;- Desculpe... pode entregar-me o meu livro?&lt;br /&gt;O velho descaradamente e sem sequer se mostrar comprometido tirou-o do bolso e devolveu-o sem pressa. Depois levantou-se lentamente com um riso cínico e foi-se embora.&lt;br /&gt;Ele, ficou ali. Sentado sob o calor morno do sol da manhã. Passou a mão em forma de afago na capa do livro. E quase inconsciente abriu de novo as suas páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Para que te eleves ao cume sagrado&lt;br /&gt;Deves descer ao negro abismo&lt;br /&gt;Respirares o seu ar envenenado&lt;br /&gt;E libertares-te do dragão do egoísmo.&lt;br /&gt;É que no doentio pântano fedendo&lt;br /&gt;Encontrarás a essência do teu ser&lt;br /&gt;Só nele lavarás o teu espírito doente&lt;br /&gt;E poderás finalmente renascer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu com dificuldade aquelas palavras, como se cada uma aprofundasse o seu mal-estar. Elas diziam-lhe quem era ele na realidade, e que os seus monstros escondidos, calcados pela educação e pelos preconceitos intelectuais, ainda urravam dentro de si. Ó! Que juízo benevolente sempre fizera de si! Não se lembrava te ter magoado alguém propositadamente, de ter roubado, agredido, invejado, ofendido... mas, na verdade tudo lhe tinha sido dado de graça, fora sempre um privilegiado, nunca sofrera privações, a sua família protegera-o de tudo. Agora estava sendo posto à prova, duramente, tornando-o um indigente numa cidade estranha, tendo apenas como arma a sua inteligência e a sua moral!&lt;br /&gt;O céu cobriu-se entretanto de nuvens cinzentas e pesadas e o vento começou a soprar frio e raivoso. Frio. Não sabia ao certo se ele vinha de fora ou de dentro de si... era inquietante!&lt;br /&gt;Deambulou durante o resto do dia pelas ruas irreconhecíveis e a noite veio apanhá-lo de surpresa na margem de um rio poluído que as atravessava sem música, enquanto luzes da cidade se acenderam sinistras dando forma aos fantasmas, diluindo a materialidade da sua existência.&lt;br /&gt;Uma prostituta aproximou-se dele, já não era jovem, mas o seu rosto tinha ainda vestígios da sua beleza anterior. Olhou-a nos olhos, estavam aureolados de roxo e amarelo, e no entanto eram de um castanho puro, tão doces, que o fez sorrir com simpatia. A voz da mulher, rouca e sem entoação, fez-se ouvir no convite óbvio, ele voltou a sorrir, que tinha ele para lhe dar em troca?&lt;br /&gt;A prostituta percebeu, encolheu os ombros, encostou-se ao muro de costas voltadas para o rio. Puxou por um cigarro, acendeu-o, e ofereceu-lhe. Ele aceitou. Partilhou assim o fumo e o fôlego da sua alma!&lt;br /&gt;Ficaram ali durante muito tempo, sem uma palavra, cada qual guardando o seu próprio mundo. Ainda lhe passara pela cabeça fazer perguntas, como por exemplo o porquê daquela escolha, mas sentiu-se ridículo, tinha a certeza que em breve estaria a pregar-lhe um sermão sobre a dignidade da vida. E quem era ele afinal para o fazer? Acaso tinha o direito de se julgar melhor do que ela? Calou-se a tempo. Um carro parou em frente dos dois, a mulher correu para a janela do veículo e conseguiu o que esperava. Partiu. Antes, porém, olhou-o e acenou-lhe sorrindo. Não era um sorriso feio! Era um sorriso-sorriso feito de simpatia e de cumplicidade. Ele guardou-o como guardava sempre os olhares, as palavras e os gestos que passavam na sua vida.&lt;br /&gt;O corpo começou a sentir a fadiga do dia, e arrastou-o mais uma vez na procura de um abrigo. Encontrou-se num beco escuro e húmido cheirando a restos de comida e a urina de gato. Ajeitou-se o melhor que pode num portal de uma casa em ruínas. O frio voltava a atormentá-lo, não tinha sequer uma manta ou uma caixa de cartão que o agasalhasse. Mas o sono veio, fechou os olhos e adormeceu.&lt;br /&gt;Despertou com dores horríveis provocados pelos pontapés e empurrões de um homem de frágil estatura mas grande ódio. Aquele era o território dele e não estava disposto a cedê-lo a ninguém. Atarantado, desalojou-se do seu coito e arrastou-se para o outro lado com o sangue escorrendo da boca. À socapa mirava o outro que também o vigiava sorrateiramente. A lei do mais forte impunha-se, ele era apenas um recém chegado às ruas, o que sabia ele? Ficou ali encolhido à espera que o rei adormecesse. Um rato passou a chiar e o gato que o perseguia. Nunca mais conseguiu que o sono viesse, para agravar todo o seu corpo lhe doía e a fome desassossegava-o.&lt;br /&gt;Quando a luz da manhã voltou ergueu-se com dificuldade e procurou uma fonte que vira na véspera. Mergulhou a cabeça nela na esperança de aliviar a dores. Depois, já sem relutância, resolveu mendigar o pão daquele dia. Porém as pessoas passavam apressadas e desviavam-se de si. Observou então outros que também por ali vagueavam e reparou como se desenvencilhavam. Estava perto do mercado, por isso não era difícil subtrair com relativa destreza uma peças de fruta para o pequeno-almoço. Comeu algumas avidamente, sem culpas, sem medos.&lt;br /&gt;A meio da manhã começou a sentir a garganta seca e um calor intenso. Depois vieram as tonturas e a fraqueza nas pernas. Sentava-se de vez em quando para respirar, todavia o seu estado agravou-se e a dada altura caiu. Teve consciência de que passavam junto de si, de ouvir comentários maldosos e de desprezo. Quis falar, dizer que não era nada daquilo que estavam a pensar, mas as palavras não saíam do seu cérebro e cada vez mais se perdiam no labirinto do seu pensamento.&lt;br /&gt;Não soube como nem quando o levaram para o hospital mas teve a nítida consciência que estava num. Sentiu o cheiro peculiar desse espaço, as vozes e os gemidos, a corrente de ar, a agulha espetada no seu braço. A imobilidade.&lt;br /&gt;Por instinto levou a mão ao peito. Lá estava o livro, não lho tinham tirado!&lt;br /&gt;- Vamos levá-lo para o serviço – ouviu a voz masculina.&lt;br /&gt;- As camas estão todas ocupadas, doutor – respondeu a voz feminina.&lt;br /&gt;- O tipo não pode ficar aqui. Dá mau aspecto. Levem-no para cima, lavem-no e mantenham-no sob vigilância. Se for preciso dêem-lhe um tranquilizante.&lt;br /&gt;- A febre já baixou. É provável que deixe de ter convulsões. Vou ver o que se pode fazer.&lt;br /&gt;Sentiu-se empurrado por corredores até ao elevador. Não conseguia abrir os olhos, ver quem o transportava daquela forma tão impessoal. Mas afinal o que é que isso importava?&lt;br /&gt;Aos solavancos lá se encontrou um lugar para a maca estacionar. Ficou no corredor da enfermaria dos homens entre a casa de banho e o gabinete dos enfermeiros.&lt;br /&gt;Distinguia o tilintar metálico dos instrumentos, a água correndo de um autoclismo avariado, queixumes de alguém que devia estar no fundo. O que o mais o irritava era não conseguir abrir os olhos! Parecia que as pálpebras estavam coladas, pesadas.&lt;br /&gt;Chegou-lhe ao nariz o aroma de sopa de legumes. Só isso já o repugnava.&lt;br /&gt;- Quer uma sopinha? – disse uma mulher próxima de si.&lt;br /&gt;Abanou a cabeça, negando.&lt;br /&gt;- Vá, tem que comer qualquer coisa, está muito fraco!&lt;br /&gt;Voltou a dizer que não com a cabeça. Os lábios e a língua estavam secos demais para falar.&lt;br /&gt;Sentiu de repente uma toalha húmida esfregar-lhe o rosto. Abriu os olhos. Viu a auxiliar que carinhosamente o tratava. Fez um esforço, entreabriu os lábios sorrindo à laia de agradecimento.&lt;br /&gt;- Daqui a pouco já o levo para o quarto. Agora tem que ficar limpinho e bonito. Vou também barbeá-lo. Vai ver que as mulheres até farão bicha para o ver!&lt;br /&gt;- Obrigado – Conseguiu então dizer.&lt;br /&gt;Por um lado era incómodo sentir alguém estranho lavar-lhe o corpo. Tocar-lhe. Por outro, as mãos hábeis que o viravam com cautela , firmeza e ainda, as palavras amáveis, comoviam-no.&lt;br /&gt;Ela vestiu-lhe um pijama lavado de flanela grossa que talvez fosse azul, talvez fosse cinzento. Penteou-lhe os cabelos gentilmente porque alem de estar muito comprido, estava também terrivelmente embaraçado. Fez-lhe a barba com sabão, o que lhe deixou um certo ardor no rosto, ali não havia luxos! Enquanto executava estas tarefas ia também falando com os colegas de trabalho. A dada altura deixou de a escutar, estava tonto de tantas voltas... quase desmaiou. Quando um maqueiro o veio buscar para o levar ao quarto.&lt;br /&gt;Deitaram-no numa cama acabada de fazer, entalaram-lhe a roupa e ajeitaram-lhe a almofada.&lt;br /&gt;- Agora vai descansar, vou trazer-lhe um pão com manteiga e um copo de café com leite. Amanhã os doutores vêm vê-lo.&lt;br /&gt;- Está – murmurou obediente como um menino. Depois sobressaltou-se e perguntou aflito:&lt;br /&gt;- O meu livro? Viu o meu livro?&lt;br /&gt;- Está aqui, não se preocupe, pegue-o. – disse a mulher retirando-o do bolso da bata. – quer que o ponha aqui em cima da mesa?&lt;br /&gt;- Não, não. Dê-mo por favor!&lt;br /&gt;Assim que ela saiu os doentes da esquerda e da direita ergueram quase em simultâneo as cabeças e observaram-no.&lt;br /&gt;Começaram a tecer comentários. Pareciam entendidos no assunto. Não falavam directamente com ele mas, como se ele ali não estivesse, por isso não foi capaz de esclarecê-los.&lt;br /&gt;O tranquilizante proporcionou-lhe um sono profundo e vazio de sonhos, como já não tinha há muito. Acordou de madrugada. Tudo era silêncio. Uma luz ténue de presença indicava a porta do quarto. O corredor mantinha uma luminosidade fraca. O doente da esquerda ressonava, o da direita proferia palavras indistintas. Tinha vontade de urinar, não sabia que fazer, tinha medo de acordar os outros... ainda tentou erguer a cabeça, mas uma vertigem obrigou-o a recostar-se de novo.&lt;br /&gt;Apertou as pernas. Uma dorzita acentuou-se na zona da bexiga e depois nos rins. Precisava de alguém que o ajudasse! Nunca estivera tão dependente!&lt;br /&gt;Lembrou-se de que havia de existir uma forma qualquer de chamar a enfermeira. Levantou o braço e tacteou atrás de si. Encontrou uma campainha, premiu o botão uma, duas vezes. A espera pareceu-lhe imensa!&lt;br /&gt;A enfermeira afinal veio rapidamente e, quase em segredo, ele disse-lhe o que precisava. Ela pegou num urinol guardado na mesa e destramente abriu-lhe as calças e colocou o seu pénis no recipiente. Ficou envergonhado, não disse nada, mas demorou muito tempo até conseguir descontrair-se e a expulsar a urina. Pensou que a quantidade seria superior à capacidade do urinol e que transbordaria, mas a enfermeira adivinhando o seu medo sossegou-o. Aos poucos foi ficando mais aliviado e a dor desapareceu. Assim que acabou, a enfermeira retirou-se e ele suspirou.&lt;br /&gt;Assistiu ao amanhecer no hospital, ao seu crescendo de movimento e barulhos, enfermeiros, auxiliares andavam numa roda viva para pôr tudo em ordem para a visita médica. Os doentes que se podiam levantar, arrastavam-se de toalha ao ombro, sabonete numa mão e copo de dentes na outra, o pente ia enfiado no bolso do casaco ou do roupão. Passavam por ele sem o olhar. Regressavam e enfiavam-se na cama já feita de lavado.&lt;br /&gt;A seguir veio uma rapariga com um aspirador para limpar o chão. Alguns doentes meteram-se com ela que se ria e respondia às provocações com um ar ligeiramente brejeiro. Parecia que toda a gente fazia o possível para tornar mais leve o ambiente.&lt;br /&gt;Só depois de tomar o pequeno-almoço é que vieram os médicos. Vinham a rir, a falar alto, de vez em quando paravam mais demoradamente junto das camas e reliam os processos, observavam os doentes, faziam-lhes perguntas, sentenciavam:&lt;br /&gt;- Mais dois dias e depois pode ir embora.&lt;br /&gt;- Alta? Homessa você não sabe o que está a pedir!&lt;br /&gt;- Sim senhor. Você pode ir hoje mas, cuidado! Não o quero ver aqui nestes tempos mais próximos! Trate de fazer tudo direitinho...&lt;br /&gt;- Então amigo? É desta vez que vai fazer a desintoxicação? A sua família já não aguenta!&lt;br /&gt;- Quem é este?&lt;br /&gt;- Foi o que chegou ontem.&lt;br /&gt;- Hum! Pneumonia. As análises... não estão mal! Como se chama?&lt;br /&gt;Ele respondeu timidamente.&lt;br /&gt;- Você não trazia identificação nenhuma?&lt;br /&gt;- Perdi a mochila com os meus documentos.&lt;br /&gt;- A polícia disse-nos que andava a vadiar no mercado. O que é que você faz?&lt;br /&gt;- Sou... jornalista.&lt;br /&gt;Vários pares de olhos se fixaram nele com a surpresa. Um jornalista vadio? Sem dinheiro e sem documentos? Fizeram-lhe um inquérito cerrado sobre as razões que o haviam levado ao hospital.&lt;br /&gt;Ele respondeu cautelosamente. Contou uma história simples. Andava a fazer uma reportagem original e acabara por se perder e perder as suas coisas. O médico mais velho ia anotando tudo. Mais tarde confirmaria. Aconselhou-o a descansar e a cumprir as prescrições. Garantiu-lhe que numa semana estaria apto a voltar para a rua.&lt;br /&gt;Ele pediu para telefonar à família. Precisava de roupa, dinheiro e sobretudo de confirmar os dados de identificação que havia dado. Tudo lhe foi concedido com amabilidade. Afinal era um senhor jornalista!&lt;br /&gt;A mãe apareceu no dia seguinte extremamente preocupada, trazia-lhe tudo quanto ele pedira menos os documentos. Fora ao pai que coubera essa tarefa.&lt;br /&gt;Apesar do seu sorriso havia uma censura no seu olhar. Aquele filho nunca lhe dera cuidados na infância nem na adolescência e agora, que era um homem, dava em meter-se à estrada sozinho e sem explicações!&lt;br /&gt;Só ao fim de oito dias é que teve alta. Os pais vieram-no buscar e tratavam-no como um menino, ele sentiu-se realmente constrangido!&lt;br /&gt;A viagem foi toda feita em silêncio e, quando chegou a casa deitou-se na cama e adormeceu.&lt;br /&gt;A mãe entrou pouco depois para lhe ajeitar os cobertores e beijou-lhe os cabelos.&lt;br /&gt;O livro estava escondido debaixo da almofada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-86696768310563811?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/86696768310563811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=86696768310563811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/86696768310563811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/86696768310563811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-caminheiro_16.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S59FNNuyM4I/AAAAAAAAAoU/A-lJoTirauM/s72-c/3d_scene_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7626697271198114077</id><published>2010-03-07T10:11:00.001Z</published><updated>2010-03-07T10:12:40.212Z</updated><title type='text'>O evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N8EnqNZgI/AAAAAAAAAoM/Pvw_JJ0ihBE/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445832793228404226" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N8EnqNZgI/AAAAAAAAAoM/Pvw_JJ0ihBE/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;A expulsão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turba enfurecida varre da cidade os vestígios da festa.&lt;br /&gt;Os gritos de admoestação enfrentam os rostos da fantasia.&lt;br /&gt;É preciso destruir a Palavra subversiva que destrói o equilíbrio da pirâmide. Chegados ao palanque iniciam o auto de fé usando como combustível os mantos coloridos.&lt;br /&gt;É preciso eliminar a cor. A cor que exaltou os corações e fez nascer a inquietação.&lt;br /&gt;- A Rainha falou no vermelho!- Grita o sumo sacerdote, iniciando o ofício.&lt;br /&gt;- Sim- respondem os crentes- chamou-nos hipócritas e disse que o fogo nos redimiria e purificaria...&lt;br /&gt;- Meus filhos, amar o fogo é um grande pecado!&lt;br /&gt;- É pecado. É pecado!- Contritam-se gritando, os crentes.&lt;br /&gt;- A Rainha falou no laranja?- continua o sumo sacerdote exortando à confissão.&lt;br /&gt;- Sim- responderam os crentes- chamou-nos ignorantes e cobardes, e falou que o grande centauro nos defenderia, nos guiaria...&lt;br /&gt;- Idolatrou o Centauro, ouviram? É pecado!&lt;br /&gt;- A Rainha falou no amarelo...- Ironiza aquele que comanda os homens.&lt;br /&gt;- Sim- respondem os crentes- fez-nos acreditar que nos poderíamos tornar estrelas e que essas estrelas seriam divinas!&lt;br /&gt;E falou ainda- continua venenosamente o chefe- Que o fogo, o centauro e a estrela eram símbolos de força. De uma força que poderíeis controlar. Isso não é pecado, é blasfémia!&lt;br /&gt;- É blasfémia! É blasfémia!- Desesperam-se os homens arrepelando os próprios cabelos!&lt;br /&gt;Alterando a forma agressiva dos primeiros momentos, o sacerdote torna-se viperino e a voz sai-lhe como um silvo ameaçador.&lt;br /&gt;- ...Mas a Rainha falou também no verde maduro da paciência...&lt;br /&gt;- Sim- indignaram-se os homens- comparou-nos às plantas nas trevas incapazes de crescer onde queremos. Nós os privilegiados da criação divina!&lt;br /&gt;- ... E a Rainha falou na suavidade do azul!&lt;br /&gt;- Sim- troçaram os homens- comparou-nos a anjos flutuando no céu. Como se não trouxéssemos em nós o pecado original e o não resgatássemos já convosco, Senhor.&lt;br /&gt;- ...Também, também falou no anil que vos tornaria iguais...&lt;br /&gt;- Sim- arrogaram-se alguns- quase nos convidou à promiscuidade, como se não houvesse diferenças entre nós.&lt;br /&gt;- A Rainha insinuou o violeta, a cor do ideal!&lt;br /&gt;- Ah!- Queixaram-se os homens- Quase nos levou à exaltação através da Palavra. Quase que dominou as nossas mentes com a magia do seu discurso.&lt;br /&gt;- Blasfémia! Blasfémia!&lt;br /&gt;- Ergamos sobre ela o punho cerrado da indignação.&lt;br /&gt;- Queimemos o seu rasto com a ortodoxia dos nossos pais.&lt;br /&gt;- Destruamos a cor que nos confunde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris, a Rainha das sete cores tornou-se mal amada.&lt;br /&gt;Os homens da cidade perseguem-na, mas os sete espíritos coloridos enviados pelo divino, encandeiam-os e barram-lhes o caminho. Não chegou ainda a hora do sacrifício daquela que traz consigo a Palavra.&lt;br /&gt;A cidade foi um logro.&lt;br /&gt;Íris sabia-o desde o começo!&lt;br /&gt;Agora já não está só, leva consigo as virtudes companheiras que não a abandonam. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7626697271198114077?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7626697271198114077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7626697271198114077&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7626697271198114077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7626697271198114077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-evangelho-de-iris_07.html' title='O evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N8EnqNZgI/AAAAAAAAAoM/Pvw_JJ0ihBE/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1098985970754536199</id><published>2010-03-07T10:08:00.001Z</published><updated>2010-03-07T10:10:29.439Z</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N7jm6Nw1I/AAAAAAAAAoE/2bmI7Oo36U8/s1600-h/3d_scene_7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445832226091418450" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N7jm6Nw1I/AAAAAAAAAoE/2bmI7Oo36U8/s320/3d_scene_7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O valor do desconhecido&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou muito depois. Teriam passado dias ou horas? Agora já nem sabia o que era o tempo. Estava fraco, desiludido, completamente derrotado. O seu instinto de sobrevivência dizia-lhe que era necessário abrir as cortinas daquele sonho mas o seu pensamento ultrajado prendia-lhe os movimentos.&lt;br /&gt;Todo o seu corpo lhe doía.&lt;br /&gt;Lembrou-se então do pequeno livro e meteu a mão ao peito para o retirar. O livro ali estava, miraculosamente salvo depois de toda aquela aventura.&lt;br /&gt;Abriu-o.&lt;br /&gt;Leu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toda a porta tem uma fechadura&lt;br /&gt;da qual cada um possui a chave.&lt;br /&gt;Se a tua alma se mantiver pura&lt;br /&gt;é então possível que acabes&lt;br /&gt;por encontrar a verdadeira saída.&lt;br /&gt;Se choraste, é porque sofreste.&lt;br /&gt;Abriste a sagrada ferida.&lt;br /&gt;Meu irmão, então, venceste!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vitória era esta que o fazia sentir-se perdido?&lt;br /&gt;De dentro de si ouviu uma voz: “ quando se reconhece a dor é porque se está prestes a acordar.”&lt;br /&gt;Uma angústia imensa envolveu-o. Uma tristeza amarga invadiu-o. E voltou a chorar. Agora silenciosamente, ininterruptamente, com lágrimas grossas escorrendo devagar por todo o seu rosto enquanto da sua mente se libertava um peso enorme.&lt;br /&gt;Deixou de ouvir o burburinho da cidade, as imagens dissolveram-se numa atmosfera limpa e ele encontrou-se em frente a um ribeiro saltitante no meio de uma floresta antiga. Que lugar era aquele? Onde estavam a gruta e a praia que havia percorrido?&lt;br /&gt;Era um novo sonho ou a sua vida real?&lt;br /&gt;Percebeu que não valia a pena tentar compreender. A sua salvação estava no facto de aceitar sem questionar.&lt;br /&gt;Deixou de sentir dores, de sentir medo, de sentir alguma coisa como sua... usufruía a partir de agora o Todo.&lt;br /&gt;Aproximou-se do ribeiro e olhou-o atentamente. Reviu a sua imagem ondulando. Sorriu. Despiu-se e cuidadosamente pôs as suas roupas dobradas na margem. Entrou nas águas e deitou-se no seu leito. Uma imensa sensação de paz tomou conta dele.&lt;br /&gt;Agora já não tinha visões, nem pensamentos. Agora só tinha emoções.&lt;br /&gt;Sentiu-se forte, seguro, limpo. Fechou os olhos não para dormir mas, para poder receber ainda mais intensamente toda aquela calma e ternura.&lt;br /&gt;“ Eu sou o que sou.”, pareceu-lhe ouvir, muito ao longe, como num eco perdido.&lt;br /&gt;Quando saiu do banho purificador, vestiu-se e voltou a caminhar. Agora já não tinha mais nada de seu senão aquela roupa e aquele livro.&lt;br /&gt;Ainda não tinha dado muitos passos quando à sua frente encontrou um homem. Cumprimentou-o. O outro respondeu-lhe.&lt;br /&gt;- Para onde vai? – Perguntou.&lt;br /&gt;- Ainda não sei. – Retorquiu o outro.&lt;br /&gt;- Bom. Nesse caso acompanhá-lo-ei.&lt;br /&gt;E foi assim que lado a lado os dois homens percorreram o caminho.&lt;br /&gt;Nem um nem outro falaram.&lt;br /&gt;Ambos pareciam cheios de algo que não partilhavam.&lt;br /&gt;A noite apanhou-os desprevenidos em plena floresta. Acenderam&lt;br /&gt;uma fogueira numa cúmplice decisão.&lt;br /&gt;Cada um recostou-se ao tronco de uma árvore próxima mas nenhum foi capaz de falar. Nenhum descerrou as pálpebras. Ambos esperaram pela aurora doce e partiram.&lt;br /&gt;No fim da estrada poeirenta havia uma bifurcação. Cumprimentando-se de novo, cada qual seguiu o seu rumo.&lt;br /&gt;O Nada poderia estar em qualquer lado...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1098985970754536199?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1098985970754536199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1098985970754536199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1098985970754536199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1098985970754536199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-caminheiro_07.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5N7jm6Nw1I/AAAAAAAAAoE/2bmI7Oo36U8/s72-c/3d_scene_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4484768986877780925</id><published>2010-03-05T10:33:00.002Z</published><updated>2010-03-05T10:35:43.847Z</updated><title type='text'>Quimera</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DeeQxsb0I/AAAAAAAAAn8/QZZtZf91VWI/s1600-h/4a.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 125px; DISPLAY: block; HEIGHT: 95px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445096560971771714" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DeeQxsb0I/AAAAAAAAAn8/QZZtZf91VWI/s320/4a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Nunca me perdi em tão grande quimera.&lt;br /&gt;Nunca sorri tão feliz na Primavera.&lt;br /&gt;E no entanto, que posso eu esperar?&lt;br /&gt;O Inverno não tardará a chegar.&lt;br /&gt;Aprendo agora que a vida não tem idade&lt;br /&gt;Tudo o que nos sobra é já felicidade,&lt;br /&gt;Aprendo agora que o tempo não tem medida&lt;br /&gt;Que o que importa é passar de vida em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já corri, já caí, já me feri e morri.&lt;br /&gt;Deixa-me pois sentir que renasci!&lt;br /&gt;A estrada que me leva levanta o pó&lt;br /&gt;No passar da minha passada triste e só.&lt;br /&gt;E eu tusso, choro e espirro alergicamente,&lt;br /&gt;Quero ser feliz, mesmo que tragicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê por algum tempo a chuva conciliadora&lt;br /&gt;Que apaga a fogueira que me devora.&lt;br /&gt;Sê depois o sol espalhado e generoso&lt;br /&gt;Para que o azul do céu rebrilhe radioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca. Nunca me tomou tanta loucura!&lt;br /&gt;Nunca desejei ser tão sábia e tão pura!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4484768986877780925?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4484768986877780925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4484768986877780925&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4484768986877780925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4484768986877780925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/quimera.html' title='Quimera'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DeeQxsb0I/AAAAAAAAAn8/QZZtZf91VWI/s72-c/4a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7014106678874603342</id><published>2010-03-05T10:30:00.002Z</published><updated>2010-03-05T10:31:05.180Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DdYXd-asI/AAAAAAAAAn0/94GiU89RNBE/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445095360177269442" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DdYXd-asI/AAAAAAAAAn0/94GiU89RNBE/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A cor&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris veste no primeiro dia um manto vermelho, ergue a voz e começa:&lt;br /&gt;- Falo-vos hoje do vermelho. Do fogo vermelho que purifica e transmuta o minério mais pobre do mais nobre metal. Este fogo de que vos falo é o fogo redentor, aquele que separa a ganga dos vossos preconceitos da vossa pureza mais profunda. O fogo alimentado pela sinceridade, essa frágil chama que ora queima ora se apaga. Deixai que a destilação se faça dentro das vossas almas. Não permitais que ela arrefeça, cristalizando em vós a hipocrisia. Sede vermelhos. Vermelhos como o fogo e dai às noites o primeiro raio de sol de cada dia.&lt;br /&gt;Sede fortes. Sede vermelhos. Sede puros e sinceros. deixai que o fogo de artifício faça uma festa dentro dos vossos corações. Rejubilai com a cor.&lt;br /&gt;Sede vermelhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris veste no segundo dia um manto laranja, ergue a voz e começa:&lt;br /&gt;- Fresca e doce. Luminosa e quente. Eis a cor que envolve em gargalhadas sonoras a promessa do dia seguinte.&lt;br /&gt;Que cor é esta que ri, que invectiva a força na coragem de prosseguir? Que cor é esta que aquece os peitos e doira os corações dos homens afastando-lhes o medo?&lt;br /&gt;Laranja. A cor do centauro incansável lutando contra a ignorância e a superstição.&lt;br /&gt;É laranja o rasto colorido das vitórias. É laranja!&lt;br /&gt;É essa a cor que deveis agarrar quando as forças vos faltarem. É dela que deveis vestir para vencerdes os obstáculos quando o cinzento vos ameaçar sujar a alma.&lt;br /&gt;Ai mordei de prazer essa cor! Ai sugai esse suco que vos dessedenta e vos alimenta!&lt;br /&gt;E amanhã, acordareis revigorados, alegres, preparados!&lt;br /&gt;Não esqueçais nunca o laranja, pintai-o em vossos horizontes. E vencereis. Vencereis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris tem no terceiro dia sobre os ombros o manto amarelo.&lt;br /&gt;É com ele que nesse dia a sua voz se ergue para começar o discurso:&lt;br /&gt;- A generosidade da cor amarela estende-se para além de tudo quanto é concebível. Com ela acredita-se que se é eterno e essa crença gera a fé em nós mesmos. O amarelo é intenso. é fluído. E inflama-nos sem nos ferir.&lt;br /&gt;Olhai, olhai só por momentos, o Sol. Aquele Sol que ao meio-dia se torna pleno. Vede como ele nos abraça, nos acalenta, nos amima. Doce e generoso Sol que sustenta a vida!&lt;br /&gt;Os campos de trigo, ondulando suaves no nosso imaginário, alimentam-nos o corpo. O mel escorrente dos favos encanta-nos os sentidos, embriaga-nos com o seu cheiro meigo. O âmbar que protege dos tempos, os fósseis dos nossos avós mais remotos. A gema do ovo que guarda a herança genética das espécies numa ternura de mãe. O ouro incorruptível, que torna as memórias do passado presentes.&lt;br /&gt;São amarelos... Estão amarelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divindade assenta a sua força no espectro do vermelho, do laranja e do amarelo. Essa força propulsora da vida, combustível dos actos da humanidade.&lt;br /&gt;O ouro alquimíco cambia estas cores no cadinho do projecto. A divindade é uma estrela dourada que deixa os seus raios tocar-nos. Cá dentro... Cá dentro no microcosmos de nossas vidas.&lt;br /&gt;Brilhai. Brilhai, vós sois super-novas de vós mesmos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciclo da força terminou. Mas a cor entende também a sabedoria, por isso no quarto dia Íris veste o manto verde e, prepara a Palavra:&lt;br /&gt;- Tenho-vos falado da força, da energia que cada um pode acender dentro de si e inflamar a humanidade inteira. No entanto toda essa chama se pode apagar perante as barreiras da vida e, num momento, deixar que o cinzento volte a reinar.&lt;br /&gt;Por isso hoje tenho que vos dar a conhecer o verde. O verde da maturidade que nos ensina a paciência e a prudência.&lt;br /&gt;Lembrai-vos que são verdes as algas do mar, as copas das árvores, as ervas do campo! Lembrai-vos que a natureza é verde...&lt;br /&gt;O verde é lento no seu desabrochar e antes que tome cor vive uma eternidade no seio da terra húmida e escura. Ele é a promessa de vida onde há o vazio.&lt;br /&gt;A semente que realiza em si o milagre deixa que se estendam as suas raízes, apalpando meticulosamente cada espaço que o seu equilíbrio requer. O tempo não conta porque a prudência lhe ensina que sem segurança jamais crescerá.&lt;br /&gt;Depois, sabendo bem o que quer, ergue-se, pacientemente, perfurando a camada que a separa do exterior, expõe-se então, em toda a sua pujança, aliada ao tempo, ornando-se de mais verde numa tarefa nunca acabada.&lt;br /&gt;É o verde que vos assegura a realização dos vossos desejos. Sem ele perder-vos -eis no caminho do sonho.&lt;br /&gt;Podeis enfeitar-vos de todas as cores, mas sob os vossos pés terá de haver verde para avançardes.&lt;br /&gt;Não esqueçais o verde que vos suportará a vida.&lt;br /&gt;Adubai e semeai na terra as sementes que se tornarão verdes um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que rodeiam Íris, diluem-se na cidade.&lt;br /&gt;A Palavra leva os homens, a partir de agora, a verem-se com olhos interiores e a cegueira a que estão habituados é difícil de recuperar.&lt;br /&gt;O quinto dia já se cansa na voz de Íris, que se encontra coberta pelo manto azul, a sua voz sai-lhe mais lenta, mas expande-se até ouvidos recuados:&lt;br /&gt;O que está em baixo é como o que está em cima. A imensidão do céu reflecte-se na imensidão líquida da terra. Azul cetim, que acaricia as almas numa envolvente duplicidade equilibrando a vida! Tudo o que existe flutua em azul. Esta é a cor maternal que harmoniosa e justa, ama sem contrapartidas e sussurra o divino impelindo à ascensão.&lt;br /&gt;O ameno azul cobre as cidades e lugares oferecendo-se a todos em alegria e paz.&lt;br /&gt;Estar azul é um estado de espírito capaz de abraçar de uma só vez toda a humanidade e ao mesmo tempo clarificar os limites da nossa vontade. É o finito espaço da nossa existência...&lt;br /&gt;É preciso que esvoaceis nesse campo de luz, que percorreis toda a sua extensão para poderdes conhecer a dimensão da verdade.&lt;br /&gt;Subi, para além de vós e tornai-vos azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está rouca a voz de íris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem a escuta, debruça-se sobre si e alerta o sentido da audição. Alguns, veladamente, dormitam sem perturbar.&lt;br /&gt;O manto está a seus pés. É anil, cor da noite, da noite que aconchega aqueles que não ousam mostrar-se de dia.&lt;br /&gt;O anil- diz Íris- é a cor da humildade e do desapego, aquela que torna vultos de cor igual, os diferentes passantes. O anil partilha a sua tonalidade com todos os espíritos que se soltam e mostram a sua nudez mais pura. Sem pejo, sem arrogância, tornando-os reais. As máscaras do dia estão penduradas nas portas da rua, e os rostos, aliviados, resplandecem de emoção.&lt;br /&gt;A mesa comum é larga e os convivas aconchegam-se na procura do calor.&lt;br /&gt;Comungam do pão comum e do vinho de uma só taça. Átrio da Graça, lugar dos humildes que alcançaram a esperança. Vestem o anil da igualdade vendo mais perto o que está longe.&lt;br /&gt;É a noite da consciência, da tranquilidade, preâmbulo da exaltação final.&lt;br /&gt;Tão fácil e tão difícil tornar anil o branco das almas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sétimo dia chegou.&lt;br /&gt;Junto de Íris, as suas companheiras estendem-se, rodeando-a. Contemplam-na e tentam perceber nos seus lábios a Palavra que fecha o ciclo das cores.&lt;br /&gt;O último dia, veste-a de violeta, a cor feita de bondade e de tolerância.&lt;br /&gt;Hoje é último dia do reinado de Íris na cidade que a festejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Força empolgou os homens mas a Sabedoria estremeceu-os e acobardou-os.&lt;br /&gt;Muitos foram os chamados, poucos os escolhidos que acolheram a Palavra.&lt;br /&gt;O violeta reveste-lhes as auras e coloca-lhes no rosto um sorriso beato. O êxtase coloca-os acima do solo de pedras e torna-os mais próximos do divino.&lt;br /&gt;A voz de Íris já não sai da sua boca, sai-lhe dos seus olhos, do seu rosto, das suas mãos, de todo o seu corpo em expressão.&lt;br /&gt;Junto delas duas novas personagens esperam entrar no círculo. São Constância e Ema, as raparigas da cidade.&lt;br /&gt;A aurora vem aí. A rotina vem aí.&lt;br /&gt;Mas primeiro é preciso expurgar o sonho, por isso os rumores da multidão já ameaçam o lugar.&lt;br /&gt;Íris que tem sobre o estrado os sete mantos do seu reinado reconhece a hora da partida. Levanta-se com as suas companheiras e prepara-se para a jornada.&lt;br /&gt;O violeta não foi ouvido.&lt;br /&gt;O violeta só veste quem tem já em si as cores da força e da sabedoria e os homens esqueceram-se de algumas...&lt;br /&gt;É preciso sair da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7014106678874603342?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7014106678874603342/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7014106678874603342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7014106678874603342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7014106678874603342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5DdYXd-asI/AAAAAAAAAn0/94GiU89RNBE/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-9205173468063128606</id><published>2010-03-05T10:25:00.002Z</published><updated>2010-03-05T10:28:54.830Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5Dc302gHiI/AAAAAAAAAns/9wqYnTZX9oE/s1600-h/3d_scene_7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445094801129086498" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5Dc302gHiI/AAAAAAAAAns/9wqYnTZX9oE/s320/3d_scene_7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A água espelho de si&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que via à sua volta eram rochas batidas com violência pelo Oceano agitado. Não fazia sentido! Aquele pequeno texto deveria ser profético. Como deveria ele orientar-se? Talvez estivesse demasiado cansado! Acomodou-se então o melhor possível e fechou os olhos na esperança que a meditação o levasse à resolução do problema.&lt;br /&gt;A princípio só conseguiu ouvir a cadência das ondas, os gritos das gaivotas, o rastejar de um ou outro lagarto e o gemido das conchas a abrirem-se, o estalar do sal sobreaquecido. Depois como se alguém lhe sussurrasse uma mensagem, ouviu: “por vezes o que procuramos fora está dentro.” Sobressaltou-se um pouco mas voltou a sossegar o espírito. E continuou a ouvir: “ O espaço é multidimensional. Não procures sempre em frente.” Abriu então os olhos e com maior atenção olhou em todas as direcções. Quando se voltou para trás e viu a escuridão da gruta pensou: O mundo continua para além do infinito. A negrura da entrada da gruta chamou-o.&lt;br /&gt;Entusiasmado, arrumou tudo e entrou na sua profundidade. Nunca tinha explorado grutas mas não teve medo.&lt;br /&gt;A passagem era estreita e as arestas arranhavam-no. Acendeu um coto de vela e a sua luz frágil assustou os pequenos animais que ali viviam. Entrou numa espécie de túnel apertado e húmido percorrendo cautelosamente esse espaço com a esperança a empurrá-lo. O túnel fez-lhe perder a noção do tempo. Só quando se sentiu completamente esgotado lançou um grito à divindade. O grito ecoou por um tempo indeterminado e de repente uma corrente de água respondeu-lhe. As forças dobram-se-lhe e arrastaram-no aos tropeções até ao limite.&lt;br /&gt;O que encontrou fê-lo suster a respiração. Sentiu a cabeça andar à roda e os músculos agitaram-se independentemente da sua vontade.&lt;br /&gt;Encontrava-se num átrio de forma oval onde cascatas de água cristalina se desprendiam de uma enorme altura alimentando um lago que ficava situado no semicírculo menor daquela área. Uma vegetação de algas e fetos forrava as paredes. A própria rocha era raiada de cores brilhantes por causa da variedade de minérios seus desconhecidos. Variavam entre o azul, o verde e o turquesa, passando por um rosa pálido. Sentiu-se dentro de uma concha de madrepérola! Havia uma ténue luminosidade que ele não soube explicar, pois de onde se encontrava não via nenhuma abertura, nem sequer uma racha por mais fina que fosse.&lt;br /&gt;Entrara ele no reino?&lt;br /&gt;Estendeu a mão direita e tacteou demoradamente a polidez da rocha. Não era exactamente fria, talvez um pouco húmida e pareceu-lhe até que emanava um calor morno, como se de um ser vivo se tratasse. Esse contacto enturbilhou dentro de si ideias e sentimentos contraditórios. Se por um lado era maravilhoso estar ali a contemplar o que homem algum contemplara, por outro sentia uma espécie de ansiedade que o incitava a vir para fora clamar por toda a gente e mostrar orgulhoso o seu achado.&lt;br /&gt;Senhor de um segredo pela primeira vez, sentiu-se único. Todavia se aquele era o reino, teria que o explorar ainda mais, conhecer todos os seus detalhes, intelectualizar os seus receios e espantos.&lt;br /&gt;A água molhava-o agora por inteiro, escorria do seu braço levantado para dentro da sua roupa e metade de si estava completamente encharcada. Num impulso de curiosidade, estendeu também a outra mão, encostou todo o seu corpo à parede curva e ficou debaixo da cascata que o baptizava com mistério. Passo a passo percorreu todo o perímetro da sala.&lt;br /&gt;Tinha dado quase a volta inteira quando encontrou rente ao chão uma outra entrada. Deitou-se e espreitou para ver se havia alguma possibilidade de descer. A abertura era triangular e o seu corpo cabia embora com algum esforço e habilidade. Primeiro enfiou as pernas balançando-as para ver se encontrava algum apoio. Não havia. Voltou a sair e debruçou-se desta vez de cabeça para baixo. À medida que os seus olhos se habituavam à escuridão, pode vislumbrar uma espécie de rampa diagonal por onde, arrastando-se e contorcendo-se, conseguiu finalmente deslizar. A descida era lenta e não fazia a menos ideia do que iria encontrar. Uma luz difusa indicou-lhe então a saída, ultrapassou-a ofegante.&lt;br /&gt;Quando atingiu o outro lado entrou num mundo novo e desconhecido. Pareceu-lhe uma cidade. Centenas de pessoas andavam de um lado para o outro atarefadas nos seus afazeres diários. Pelo aspecto pareciam de um outro tempo, de um outro espaço, as suas roupas e calçado lembravam as gravuras que tinha visto num museu e que retratavam cenas da Idade Média, contudo possuíam apetrechos e tecnologia bem recente. Ouvia-os falar numa língua estranha e admirou-se com a agilidade dos seus movimentos. Aproximou-se delas mas ninguém parecia notar a sua presença. Quis chamar a atenção gesticulando, mas nada do que fizesse parecia ter resultado. Numa das ruas havia uma loja com caixotes de fruta à porta, ao ver tão belas maçãs sentiu-se salivar pegou numa delas para a levar à boca, mas ao fazê-lo a sua imagem desfez-se. ficou surpreendido e esfomeado, voltou a repetir o acto anterior com outros frutos mas tudo se desvanecia...&lt;br /&gt;Pareceu-lhe uma tortura. Um pesadelo! No entanto a sua fome e o seu cansaço eram bem reais. Deambulou desesperado pela cidade e por todo o lado sentiu que não existia. Completamente exausto regressou à gruta. Não a encontrou. Então como um menino, chorou, chorou convulsivamente, gritando, batendo-se, insultando-se...&lt;br /&gt;Caíra na armadilha dos Magos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-9205173468063128606?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/9205173468063128606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=9205173468063128606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/9205173468063128606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/9205173468063128606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/03/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S5Dc302gHiI/AAAAAAAAAns/9wqYnTZX9oE/s72-c/3d_scene_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7820812408529465717</id><published>2010-02-27T09:29:00.002Z</published><updated>2010-02-27T09:31:42.086Z</updated><title type='text'>Profundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jmcfL-lWI/AAAAAAAAAnk/X-QvFXdboa0/s1600-h/150Miscellaneous12.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 194px; FLOAT: right; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442853526759708002" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jmcfL-lWI/AAAAAAAAAnk/X-QvFXdboa0/s320/150Miscellaneous12.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Profundo&lt;br /&gt;Tão fundo!&lt;br /&gt;No submundo&lt;br /&gt;Deste mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És, no meu lodo semente&lt;br /&gt;E deixas que ela dormente&lt;br /&gt;Germine alegremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimento-a de mim em tuas águas&lt;br /&gt;E faço com que as raízes me rasguem as mágoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quando de mim restar o nada,&lt;br /&gt;Ficará uma história&lt;br /&gt;Que esvoaçará pelo vento, espalhada,&lt;br /&gt;Ou se diluirá na chuva, ou na enxurrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu continuarás a viver contente&lt;br /&gt;E eu virei ver-te, suavemente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7820812408529465717?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7820812408529465717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7820812408529465717&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7820812408529465717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7820812408529465717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/profundo.html' title='Profundo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jmcfL-lWI/AAAAAAAAAnk/X-QvFXdboa0/s72-c/150Miscellaneous12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3661903237052576333</id><published>2010-02-27T09:23:00.001Z</published><updated>2010-02-27T09:25:08.251Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jk7tozrnI/AAAAAAAAAnc/Fo4U4KkbyQs/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442851864191413874" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jk7tozrnI/AAAAAAAAAnc/Fo4U4KkbyQs/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A cidade&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A cidade é um mundo próprio onde se misturam aqueles que procuram o seu clã.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade está em festa. A festa durará a semana toda e receberá visitantes de todos os lados. Será uma semana que ficará guardada junto das outras semanas da sua recordação. Os anos contam-se através delas...&lt;br /&gt;As ruas enfeitam-se de cores que iluminadas durante a noite se transformam num universo fantástico. Aspergida, a música envolve-se com os risos e enche os ouvidos de todos em qualquer lugar. Os cheiros das guloseimas e petiscos misturam-se ao suor e aos perfumes entontecendo quem o respira.&lt;br /&gt;Nesta confusa alegria fabricada os homens despem o seu ar quotidiano e vestem-se de domingueiros fatos encontrados no baú das suas almas. Ébrios de gozo reinventam sortilégios e exorcizam os fantasmas dos outros dias. Juntam-se em pequenos magotes que sobem e descem as artérias, parando aqui e ali, dispersando-se ou aglutinando-se em outros grupos. Empurram-se, pisam-se, magoam-se, mas sempre com risos de cumplicidade.&lt;br /&gt;O ano tem cinquenta e uma semanas cinzentas e aborrecidas, porque não uma vez por ano, haver uma que seja diferente para a festa?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o primeiro dia da primeira semana. É da tradição coroar o milésimo visitante e pô-lo a reinar durante sete dias. O povo excita-se com o acontecimento, vai esperá-lo à porta da cidade formando duas alas enormes adornadas de flores. A ansiedade aumenta enquanto os responsáveis gritam os números:&lt;br /&gt;Novecentos e noventa e sete...&lt;br /&gt;Os pescoços erguem-se, os olhos amiúdam-se no esforço de focar.&lt;br /&gt;Novecentos e noventa e oito...&lt;br /&gt;O silêncio parece imperar para que os ouvidos possam detectar.&lt;br /&gt;Novecentos e noventa e nove...&lt;br /&gt;Nas gargantas formam-se nós e a saliva enche as bochechas de excitação.&lt;br /&gt;- Vem aí! Vem aí!&lt;br /&gt;O foco principal ilumina o caminho de cinco personagens.&lt;br /&gt;- É uma rainha!&lt;br /&gt;- É uma rainha!&lt;br /&gt;Montada num burrinho, Íris é ovacionada, colocam-lhe sobre a cabeça uma coroa de flores. O percurso até ao palanque do trono é atapetado por colchas de mil cores.&lt;br /&gt;Aplausos. Gritos. Assobios. Aplausos.&lt;br /&gt;- É a rainha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris senta-se no trono macio colocado no cimo do palanque. Reinará durante sete dias. A sua Palavra será ouvida por toda a cidade. Durante sete dias aquele será o seu povo, como manso rebanho a seus pés, escutará a flauta da pastora.&lt;br /&gt;A Sétima de Tamara da longínqua Geração, tornou-se hoje na milésima, a rainha da cidade.&lt;br /&gt;O carreiro espinhoso revela-se agora num tapete colorido que a conduz ao trono.&lt;br /&gt;E o silêncio de outrora, opressivo, é neste momento um silêncio reverente e terno.&lt;br /&gt;Íris traz a Palavra. A Palavra daquele que gerou a vida.&lt;br /&gt;A Palavra formada por todos os sons da música universal.&lt;br /&gt;Quem a quiser ouvir, cale a sua própria voz e oiça.&lt;br /&gt;Íris traz a emoção. A emoção feita de todos os sentimentos que vivem na alma de todos os seres.&lt;br /&gt;Quem quiser sentir, aquiete o seu coração e, sinta.&lt;br /&gt;O coro de apoiantes brame de inquietação e deixa que o ar estremeça de euforia, um coro que vibra da Terra ao Céu e do Céu à Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris volta-se para as suas companheiras e diz-lhes baixinho:&lt;br /&gt;- É só uma semana. Depois os ouvidos, os olhos e os corações tornarão a ser como eram, tal como o azeite voltará à superfície a sua mesquinhez e, ela manifestar-se-á nos homens com crueldade.&lt;br /&gt;- É só uma semana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3661903237052576333?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3661903237052576333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3661903237052576333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3661903237052576333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3661903237052576333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/o-evangelho-de-iris_27.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jk7tozrnI/AAAAAAAAAnc/Fo4U4KkbyQs/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-918395217493318810</id><published>2010-02-27T09:19:00.001Z</published><updated>2010-02-27T09:22:18.492Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jkRFw6jWI/AAAAAAAAAnU/uwg327JE1uM/s1600-h/superhombre.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442851131933494626" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jkRFw6jWI/AAAAAAAAAnU/uwg327JE1uM/s320/superhombre.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A irreflexão&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a manhã arrastou os passos pelo terreno cada vez mais arenoso do lugar, ás vezes era interrompido por zonas de rochas e aproximava-se perigosamente do mar bravio que rugia lá em baixo, outras sentia a áspera dureza de um solo estéril que se recusava a dar mais do que espinhos e cactos.&lt;br /&gt;O dia prolongou-se naquele desânimo e à noite dormiu ao relento aninhado num buraco de rochedo. Só no final do dia seguinte encontrou um casal composto de meia dúzia de casas que mais pareciam cabanas, pois estavam construídas de adobe e cobertas de folhas de palma amarelecidas. Entrou no terreiro e gritou um “faz favor” esperando que alguém o atendesse.&lt;br /&gt;Uma mulher de meia idade saiu de uma das casa e pôs a mão em pala sobre os olhos por causa do sol baixo que incidia nela.&lt;br /&gt;Educadamente, ele pediu para mudar a água do cantil e descansar ali naquela noite.&lt;br /&gt;A mulher mostrou-lhe o poço que ficava nas traseiras e avisou-o de que a água não era grande coisa, mas que se servisse à vontade! Depois explicou que os familiares andavam nas rochas a apanhar lapas e que só viriam mais tarde. O único espaço disponível era uma espécie de barracão feito de lata onde estavam guardados alguns apetrechos de pesca e por ironia umas alfaias agrícolas que nunca deveriam ter sido usadas. Disse-lhe ainda que se servisse sem acanhamento das cebolas pois não tinha pão, mas com sorte talvez os seus irmãos e filhos trouxessem alguns peixes.&lt;br /&gt;Ele agradeceu a boa vontade da mulher. Entrou no barracão e pousou o saco e a manta sobre uma trave baixa. O cheiro violento da maresia e mofo misturado com o das cebolas quase o sufocou. Lá estavam elas penduradas em réstias douradas! Era aquela a fortuna daquela gente!&lt;br /&gt;Saiu o mais depressa que pode e respirou fundo, em seguida bebeu um gole de água. Era amarga!&lt;br /&gt;A mulher já devia estar ocupada, o silêncio abafava tudo. Sentou-se no chão com as pernas estendidas e, fechou os olhos. Não pensava em&lt;br /&gt;nada, não sentia sono, mas o cansaço dos últimos tempos provocava-lhe um certo torpor.&lt;br /&gt;Algum tempo depois, cinco homens, três mulheres e seis crianças faziam a sua aparição. Vinham carregados de latas. A mulher saiu-lhes ao encontro e esteve a falar um pouco com eles apontando furtivamente para o lugar onde ele se encontrava. Podia perceber o abanar de cabeça de um dos homens em gesto de assentimento.&lt;br /&gt;Depois as mulheres e as crianças entraram dentro das respectivas casas e os homens espalharam sobre uma espécie de peneira o marisco apanhado. Aquele com quem a mulher tinha falado veio até ele vagarosamente.&lt;br /&gt;Ao vê-lo levantou-se e encarou-o, era difícil determinar-lhe uma idade. As rugas profundas partilhavam o rosto com um olhar negro, brilhante e jovem. Cumprimentaram-se formalmente, o chefe de família reiterou a oferta da irmã e convidou-o a colaborar na preparação do marisco. Ele aceitou, e depois de algumas explicações úteis desempenhou a tarefa com desembaraço. As mulheres acenderam o fogo cá fora e trataram do resto .&lt;br /&gt;Comeram em silêncio, naturalmente, todos pareciam poupar as palavras, até as crianças se mantinham numa gravidade pouco usual.&lt;br /&gt;A seguir os homens entraram no barracão e começaram a organizar as coisas para o dia seguinte. Com algumas redes acamadas fizeram-lhe a cama e despediram-se dele com simpatia.&lt;br /&gt;Ao contrário do que havia pensado, adormeceu quase instantaneamente e acordou no dia seguinte com o ranger da areia debaixo dos botins dos homens. Levantou-se rapidamente, colocou as redes sobre as traves como as vira penduradas na véspera e saiu para o terreiro.&lt;br /&gt;Pediu aos outros que lhe indicassem o caminho do mar. Eles acederam convidando-o a acompanhá-los até lá. Despediu-se das mulheres que nesse dia ficaram em casa e juntou-se ao grupo masculino. Os passos firmes e regulares levaram-no então aos primeiros rochedos. Foi ali que se separaram. Cada um dos homens procurou o seu lugar habitual, ele seguiu em direcção ao poente.&lt;br /&gt;Era difícil a caminhada, tinha que escalar com frequência algumas rochas e em equilíbrio precário deixar-se escorregar por outras para atingir plataformas deslizantes. As mãos já lhe sangravam e os pés cortados por conchas e arestas ardiam com o sal. Tinha tirado as botas para melhor sentir o terreno, mas não estava certo se tinha feito a melhor opção! A meio da manhã encontrou uma gruta suficientemente espaçosa para descansar. Estaria ele no caminho certo?&lt;br /&gt;Tirou então o livro que o alquimista lhe havia dado e abriu-o ao acaso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Depois das montanhas ao Reino chegarás.&lt;br /&gt;As fontes se tornarão em profundos lagos&lt;br /&gt;E neles, debruçado e atento, encontrarás&lt;br /&gt;As imagens sábias dos Grandes Magos.&lt;br /&gt;Elas te indicarão o rumo a seguir.&lt;br /&gt;Mas deves reconhecer também os enganos!&lt;br /&gt;Pois os Magos gostam por vezes de se rir&lt;br /&gt;Daqueles que por vaidade se tornam ufanos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu. À primeira vista pareceu-lhe uma charada. Uma espécie de jogo de crianças. No entanto soube que estava cedendo ao orgulho e retrocedeu na sua avaliação.&lt;br /&gt;Ele tinha já atravessado as montanhas mas, o reino que encontrara não tinha fontes nem lagos! Teve dúvidas. Seria por ali a sua caminhada? E se fosse um engano? Talvez algum dos Magos se estivesse agora a sorrir...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-918395217493318810?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/918395217493318810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=918395217493318810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/918395217493318810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/918395217493318810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/o-caminheiro_27.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S4jkRFw6jWI/AAAAAAAAAnU/uwg327JE1uM/s72-c/superhombre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6811938889162954999</id><published>2010-02-18T08:43:00.002Z</published><updated>2010-02-18T08:46:06.560Z</updated><title type='text'>Longa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z-SIX6eLI/AAAAAAAAAnM/txzna2JtuXs/s1600-h/ATT000025.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 158px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439502037395601586" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z-SIX6eLI/AAAAAAAAAnM/txzna2JtuXs/s320/ATT000025.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Longa é a noite no meu sono inquieto&lt;br /&gt;De fantasmas ruidosos perpassando&lt;br /&gt;De palavras soltas, livres, penetrando&lt;br /&gt;Na vigília do desassossego secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longa é a noite no meu sono cansado&lt;br /&gt;Feito de mil voltas em busca de nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6811938889162954999?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6811938889162954999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6811938889162954999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6811938889162954999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6811938889162954999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/longa.html' title='Longa'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z-SIX6eLI/AAAAAAAAAnM/txzna2JtuXs/s72-c/ATT000025.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1680822273741936762</id><published>2010-02-18T08:40:00.001Z</published><updated>2010-02-18T08:41:36.124Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z9Ovmy70I/AAAAAAAAAnE/Uo25lsLhBuQ/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439500879695900482" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z9Ovmy70I/AAAAAAAAAnE/Uo25lsLhBuQ/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Andreia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A coragem não se lança do alto até ao abismo, antes, é a voz do abismo que chega ao alto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À porta da cidade está um circo. Um circo pobre de lonas remendadas e cores desbotadas de onde transpira uma música roufenha de altifalantes cansados.&lt;br /&gt;O circo é o lugar privilegiado da Palavra. A Palavra que torna todas as cores e todas as formas em estrelas que encantam e seduzem na sua simplicidade. É também onde a coragem transforma em alegria o dia a dia cinzento de cada um. O circo é o lugar de Andreia.&lt;br /&gt;Andreia como todos os outros da grande família, veste e despe os personagens numa corrida. É necessário parecer mais do que são. Camuflar a carência com a exuberância e lutar contra a monotonia que os invade tantas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O burro que Andreia monta, ungulado, torna-se um puro sangue. Ama-o apaixonadamente, deixa escorrer lágrimas emotivas sobre o focinho penugento, só não fala porque a natureza lhe não deu órgãos de fonação. O olhar compensa-o.&lt;br /&gt;O burro de Andreia troteia ao som da música. Balança as crinas prateadas no bailado de homens. Deixa que Andreia o monte e o comande com uma ternura quase paternal.&lt;br /&gt;Andreia serve esse amor com a mesma força. Os muitos irmãos e os muitos primos não lhe deixam espaço. Só o burro cinzento e amigo lhe reserva um lugar no seu carinho. O burro é toda a sua família, todos os seus bens. É o veículo da sua afectividade e impõe-se para além de toda a comunidade.&lt;br /&gt;O burro de Andreia é a sua força materializada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andreia trapezista amarra o medo nas cordas no trapézio, sorri como fada e lança-se no vazio das suas emoções esquecendo as asas... Naquele desafio diário, Andreia disciplina a coragem. O balanço das cordas não permite hesitações. O espaço que as suas mãos agarram é o espaço que determina a vida.&lt;br /&gt;O medo de Andreia nas suas pernas trepadoras, fica colado às cordas do alto. É preciso saltar, saltar, saltar e voar dando a ilusão que é possível tornar o sonho material.&lt;br /&gt;O trapézio de Andreia fica no alto e a fantasia e a emoção dos outros fica em baixo, na arena da realidade...&lt;br /&gt;Andreia palhaço limpa as rugas dos rostos contraídos. Limpa não, substitui-as por duas imensas pregas que dão forma às gargalhadas.&lt;br /&gt;Andreia palhaço ri dos outros e de si própria e guarda no seu bolso mais fundo do casaco quadriculado, os sofrimentos e a fome.&lt;br /&gt;Andreia palhaço faz nascer rosas nos lenços de várias cores e oferece-as a todos os presentes.&lt;br /&gt;Andreia no rosto de palhaço tem as cores da vida, os traços da ilusão e o amargo da sua língua na garganta encolarinhada.&lt;br /&gt;O palhaço é um anjo. Um anjo semi-deus que faz a ligação entre os homens e o Gerador.&lt;br /&gt;A divindade fala pelo palhaço de Andreia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íris e as suas companheiras que entram pela fenda lateral e compreendem a sua linguagem, sorriem de felicidade e dizem:&lt;br /&gt;- Como pode o circo alegrar-nos assim ? Como pode ele trazer esta vontade de ser feliz ?&lt;br /&gt;Andreia que veio cumprimentá-las responde-lhes:&lt;br /&gt;- Porque o circo é a voz que sai do abismo das nossas almas e nos faz ouvir a sua linguagem !&lt;br /&gt;Íris, então, pousando a sua mão no ombro de Andreia, com suavidade convida-a:&lt;br /&gt;- Vem Andreia, traz o circo que tens dentro de ti ao nosso grupo de párias. A Palavra só tem sentido se for gritada além de nós mesmas. És tu que tens o som dela no teu peito.&lt;br /&gt;Andreia que tem preso pela arreata o seu burro, pergunta:&lt;br /&gt;- Posso eu levar aquele que me dá força para gritar ?&lt;br /&gt;Íris olha a abóbada de cores e durante alguns momentos espera a resposta. Por fim exclama:&lt;br /&gt;- Será justo tirar a alma ao corpo quando este se confunde com ela ? Vem, traz o teu burro que faz parte de ti. A cidade está perto e a jornada está por acabar.&lt;br /&gt;Fora da tenda que se desmorona, as cinco deixam-se rodear pelo espírito do conforto e entram na cidade...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1680822273741936762?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1680822273741936762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1680822273741936762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1680822273741936762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1680822273741936762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/o-evangelho-de-iris_18.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z9Ovmy70I/AAAAAAAAAnE/Uo25lsLhBuQ/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1916037023323746905</id><published>2010-02-18T08:30:00.001Z</published><updated>2010-02-18T08:31:37.578Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z64toHokI/AAAAAAAAAm0/MxgDzQy9510/s1600-h/superhombre.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439498302184202818" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z64toHokI/AAAAAAAAAm0/MxgDzQy9510/s320/superhombre.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O segredo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um segredo é sempre algo que nos agita.&lt;br /&gt;Ele não era diferente dos outros, depois de se emocionar com a história do velho e de se surpreender com a sua certeza em se encontrar consigo, pensou se seria digno de receber a sua mensagem. Por isso ficou calado!&lt;br /&gt;O alquimista levantou-se e remexeu numa velha arca tirando dela várias lembranças até que chegou finalmente ao objectivo. Um pequeno e antiquíssimo livro. Cabia na palma da mão, tinha uma capa de pele endurecida e mosqueada, as folhas de pergaminho autênticas pareciam asas de borboletas sempre em perigo de se rasgarem!&lt;br /&gt;O seu dono pegou-lhe com imenso carinho e, numa voz baixa e misteriosa, explicou:&lt;br /&gt;- Este livro descreve em palavras o mundo que irá percorrer. Não é para o ler como se lê outros livros, deve apenas abri-lo ao acaso e ele aconselhá-lo-á. Mas...cuidado! A palavra tem sempre duas lâminas como numa espada, deverá sabê-la usar sem se ferir. Cada palavra tem um som. Um som que deve ser pronunciado correctamente, com ritmo, com harmonia, enfim com musicalidade! Se não o fizer a palavra deixa de ser a Palavra e pode enganá-lo. A palavra tem também um desenho próprio formado pelo grafismo das suas letras. Se se alongar ou encurtar demasiado os seus traços, o caminho passará a ser outro.&lt;br /&gt;Pegue. Pegue nele e guarde-o consigo perto do coração. Leia bem sempre que precisar cada uma das suas palavras em voz alta, separando-as o mais possível para as reconhecer.&lt;br /&gt;O homem pegou no livro com respeitosa reverência. As mãos tremeram-lhe um pouco, mas abriu a camisa e apertou-o ao peito. Olhou o ancião com um agradecimento sincero e profundo.&lt;br /&gt;O dia lá fora estava bonito. Solarengo e morno. Suspirou. Estava na altura de se despedir. Voltou a expressar o seu agradecimento e, para seu espanto, o velho aproximou-se e beijou-o no rosto. As lágrimas correram-lhe então pela cara e, sorriu, sorriu por não sentir vergonha de amar aquele que servira de mestre.&lt;br /&gt;Já na rua não se voltou para trás, firmou as pernas nos seus passos como se soubesse exactamente a direcção a tomar.&lt;br /&gt;As dunas acenavam-lhe do horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1916037023323746905?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1916037023323746905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1916037023323746905&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1916037023323746905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1916037023323746905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/02/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S3z64toHokI/AAAAAAAAAm0/MxgDzQy9510/s72-c/superhombre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5765555062001373034</id><published>2010-01-07T08:55:00.002Z</published><updated>2010-01-07T08:57:18.075Z</updated><title type='text'>Cego</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wh5NB6HiI/AAAAAAAAAms/0A6YvN-cths/s1600-h/sur+4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 127px; FLOAT: left; HEIGHT: 97px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423919330359909922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wh5NB6HiI/AAAAAAAAAms/0A6YvN-cths/s320/sur+4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Tu não reparas, não vês e não sentes&lt;br /&gt;Que toda eu te anseio em ternura&lt;br /&gt;Que neste sentimento a mistura&lt;br /&gt;De mágoa e alegria, me tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não reparas, não vês e não sentes&lt;br /&gt;Que me sobressalto a toda a hora&lt;br /&gt;Que o meu espírito por ti chora&lt;br /&gt;Calado no tempo da demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não reparas, não vês e não sentes&lt;br /&gt;Que despertaste em mim o alento&lt;br /&gt;Que semeaste um sentimento&lt;br /&gt;Que às vezes sozinha, chorando, lamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora por ti não fora por ninguém&lt;br /&gt;Porque antes de ti não há mais alguém&lt;br /&gt;E porque és para mim último também.&lt;br /&gt;Tu não reparas, não vês e não sentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5765555062001373034?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5765555062001373034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5765555062001373034&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5765555062001373034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5765555062001373034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/01/cego.html' title='Cego'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wh5NB6HiI/AAAAAAAAAms/0A6YvN-cths/s72-c/sur+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1314621356165641882</id><published>2010-01-07T08:50:00.001Z</published><updated>2010-01-07T08:53:11.069Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wg7oelu9I/AAAAAAAAAmk/_RdDTOhZOBI/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423918272576076754" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wg7oelu9I/AAAAAAAAAmk/_RdDTOhZOBI/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Vera&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A verdade não é uma. Antes é una, porque é feita de muitas verdades que a completam.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O subúrbio da cidade é feito de lata e de madeira apodrecida que acoberta os homens.&lt;br /&gt;Os seus trilhos são de lama mal-cheirosa mas servem de apoio aos passos cansados.&lt;br /&gt;Os cães e os gatos disputam o lugar e ao mesmo tempo comungam do desalento.&lt;br /&gt;No bairro das barracas há uma nudez que descobre as nódoas e os vincos das almas.&lt;br /&gt;O horizonte do subúrbio é feito de estacas e silvas e fere...e fere...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vende o seu corpo num bar da cidade. Uma troca que considera justa. Não finge o prazer nem disso é capaz !&lt;br /&gt;Durante o dia serve outros senhores. Uma troca que considera injusta. Não finge o agrado porque isso não é capaz !&lt;br /&gt;Vera é feita dessa verdade. Tem o corpo moído dessa escrava função. Mas mesmo nascida no lodo, Vera traz agarrado a si o cheiro das madressilvas do passado.&lt;br /&gt;Vera recusa sempre a falsidade. Não entra na ilusão daqueles que mascaram a vida com químicos e éteres. Não se deixa embrulhar pela apatia dos que se defendem fugindo.&lt;br /&gt;Vera é uma ponte que une o desejo à realidade. Sólida, ligação entre a vida e o sonho. A falta de esperança não a inibe, porque a sua esperança a empurra para a realidade quotidiana e a faz falar e agir com vigor.&lt;br /&gt;Quem a rodeia não a teme. Vera não esconde nada. E ali é quase respeitada, quase amada, porque é nua, tão nua que se lhe vê a alma !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Íris, Ofélia e Leonor entram no subúrbio, recebem dele o fedor da miséria. Pela primeira vez têm contacto com o pecado, mas não sabem o que é pecar. Recebem a esmola de quem nada tem para o seu sustento e, a indiferença que se molda nos rostos não as magoa. Na sua inocência não compreendem como pode a divindade estar presente ali ! No entanto, o vermelho espírito pairou sobre elas assinalando que aquele é também um lugar de recolha.&lt;br /&gt;Sentadas no muro arruinado as três obedecem. Leonor tem nos seus olhos as lágrimas, Ofélia tem nas suas mãos o pão, e Íris no seu espírito, a vigia.&lt;br /&gt;Esperam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No crepúsculo da tarde, quando a luz do dia torna mais nítidas as formas, vêem Vera a regressar. Traz gravadas as expressões do dia. Os seus passos não se apressam nem se arrastam porque sabe que a esperam...&lt;br /&gt;Quando se encontram, Vera é intuída pela voz da divindade:&lt;br /&gt;- Viva quem de tão longe traz a Palavra e os Sentimentos. Não sei quem me guiou até vós, mas sei que em vós me completarei!&lt;br /&gt;Íris levanta-se e sorri. Deita sobre ela a bênção do seu olhar e responde:&lt;br /&gt;- Bem vinda sejas Vera. Esperávamos por ti. De nada vale a verdade senão ajudar o outro. De nada vale a verdade se não for vestida de compaixão e o inverso também é certo, a ajuda e a compaixão devem conter cada qual, parte da verdade.&lt;br /&gt;- No entanto...- hesita pela primeira vez Vera- É visível a minha nudez. Nem sempre salvo com ela quem se ornamenta de ilusão e quase nunca a verdade se reconhece na Palavra.&lt;br /&gt;- É para isso que aqui estamos. Para te levar connosco no caminho que nos indica a divindade.&lt;br /&gt;Vera recebe de Leonor o sorriso e de Ofélia o seu abraço. Despede-se sem mágoa do bairro e descem o trilho que as conduzirá mais além.&lt;br /&gt;A faixa vermelha do pôr-do-sol já escondeu o dia. Serão as estrelas e a Lua que a partir de agora as iluminarão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1314621356165641882?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1314621356165641882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1314621356165641882&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1314621356165641882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1314621356165641882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/01/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0Wg7oelu9I/AAAAAAAAAmk/_RdDTOhZOBI/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8542614372830166330</id><published>2010-01-07T08:47:00.001Z</published><updated>2010-01-07T08:50:05.213Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0WgNTMYU8I/AAAAAAAAAmc/9mxHhVSDjn4/s1600-h/superhombre.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423917476588573634" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0WgNTMYU8I/AAAAAAAAAmc/9mxHhVSDjn4/s320/superhombre.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Uma vida&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, nasci nesta casa há setenta e oito anos. Foi herdada pelo meu pai de um tio solteirão que tinha fama de ser rico e avarento.&lt;br /&gt;Os meus pais poderiam ter tido uma boa vida não fosse a doença da minha mãe. Nunca soube exactamente que tipo de doença era, só sei que me lembro dela passar os dias e as noites fechada no quarto aos gritos. Ás vezes escapava à vigilância do meu pai e fugia para a rua onde deambulava seminua.&lt;br /&gt;Meu pai tratava-a pacientemente e com uma resignação única! Ouvi muitas vezes comentários maldosos à cerca da nossa situação mas nunca o ouvi queixar-se.&lt;br /&gt;Talvez para me afastar desse ambiente, o meu pai enviou-me para o seminário. Tinha eu aproximadamente dez anos.&lt;br /&gt;Naquele tempo era um estabelecimento de ensino acessível e com qualidade. Como eu era um garoto inteligente, obediente e sossegado, adaptei-me facilmente.&lt;br /&gt;Quando acabei o correspondente ao ensino liceal, perguntaram-me se eu queria seguir a via sacerdotal e, até para surpresa minha, respondi claramente que não. Fui convidado a sair, está claro!&lt;br /&gt;Entretanto a minha mãe falecera e o meu pai arrastava-se como podia aqui. Vim visitá-lo e falar-lhe da minha decisão. Não concordou nem deixou de concordar, limitou-se a falar de uma certa quantia depositada no Banco e no valor desta casa. Perguntou-me ainda qual era a minha ideia em termos de curso. Respondi-lhe que me inscrevera em Ciências. O meu pai acenou levemente a cabeça e sentenciou:&lt;br /&gt;“- És tu que deves viver a tua vida. Por isso em nada te influenciarei.”&lt;br /&gt;Fui pois para a Universidade. Os dois primeiros anos foram bem empregues, depois... depois entreguei-me aos desvarios, ás farras, deslumbrado com os novos amigos e o brilho da fama académica.&lt;br /&gt;Levei quase sete anos a terminar a licenciatura e quando isso aconteceu não tinha um tostão no Banco.&lt;br /&gt;Tive que me virar! Fui dar aulas para um liceu. Era mal pago, mas pela primeira vez comia o fruto do meu trabalho.&lt;br /&gt;Foi por esse tempo que tive pela primeira vez contacto com uma organização de filosofia esotérica. Até aí nunca tinha pensado muito nesses assuntos, mas naquele momento senti uma necessidade enorme de compreender a minha própria existência.&lt;br /&gt;Toda a doutrina aprendida no Seminário ficava-se pelo aspecto religioso, não me respondia, sentia-a como forma de repressão em vez de um meio de libertação das consciências. O meu espírito científico não se coadunava com dogmas.&lt;br /&gt;Na altura em que frequentara a Universidade tinha-me assumido como agnóstico, era mais prático e ao mesmo tempo era uma espécie de reacção à educação que tinha tido.&lt;br /&gt;No entanto, chegara o momento de perspectivar outro caminho. Só não sabia que esse caminho de busca era eterno, individual, evolutivo e extremamente doloroso no caso de o querer cumprir inteiramente.&lt;br /&gt;Comecei como é evidente com conversas quase banais, depois pouco a pouco, um amigo aproveitou para me indicar alguns livros. Foi com um misto de curiosidade e desconfiança que os aceitei.&lt;br /&gt;Ao começar a ler o primeiro não fui capaz de interromper, tudo era uma surpresa, uma revelação! A minha cabeça ficou um caos, mas o meu coração abriu uma porta que eu ignorava existir dentro de mim.&lt;br /&gt;Falei com o meu amigo sobre os sentimentos que me assaltavam, a inquietação e o súbito reconhecimento da necessidade urgente de respostas a todas aquelas dúvidas que me haviam surgido.&lt;br /&gt;Era como se uma comporta tivesse permitido uma avalanche de mistérios. E eu queria resolvê-los a todos! Com uma serenidade imensa, o meu amigo seleccionou as questões e as prioridades e ajudou-me a sistematizar a minha aprendizagem.&lt;br /&gt;Ensinou-me sobretudo que livros daqueles não se liam assim de fôlego. Que capítulo a capítulo, parágrafo a parágrafo, frase a frase, palavra a palavra, eu deveria parar para, reflectir e meditar.&lt;br /&gt;Confesso que me foi muito difícil essa aprendizagem. Naquele estado de ansiedade em que me encontrava era como parar a meio de uma corrida para recordar e reflectir sobre cada uma das minhas pegadas. Aprendi a anotar cada dúvida e cada pensamento que surgisse, aprendi a caminhar na corda bamba do pensamento sem me deixar cair.&lt;br /&gt;Demorei quase dois anos recuando e recuperando, equilibrando-me!&lt;br /&gt;Mas finalmente, estava preparado para ser um iniciado. Encontrei-me então numa casa situada num barro antigo da cidade. Uma casa por onde provavelmente teria passado milhares de vezes sem nunca suspeitar que estava destinada a pertencer ao meu destino.&lt;br /&gt;Era uma bela noite de Verão. Jantamos ainda à luz do pôr-do-sol, tranquilamente, como se fôssemos tratar de assuntos vulgares. Depois, enquanto fumávamos, fizeram-me saber que uma das principais regras era o sigilo. Nesse tempo além de ser proibido pelo governo as “ seitas secretas”, também era arriscado passar por louco ou por feiticeiro. Assenti. Afinal quem era eu, acabado de entrar, que os contradissesse! Acima de tudo tinha que provar ser merecedor da confiança que depositavam em mim.&lt;br /&gt;Quando se entra nestes ciclos dificilmente compreendemos a dimensão diferente que o conhecimento tem em relação aos conhecimentos adquiridos academicamente. A alquimia foi o ramo escolhido por mim para alcançar as respostas que procurava. E, a alquimia, é uma prática intensa que requer o treino da paciência e da persistência, aliadas a uma disciplina rígida da nossa conduta moral. É fácil sermos tentados a utilizar as nossas aprendizagens para resolver problemas comuns. É fácil sermos tentados pelo o nosso orgulho a destacarmo-nos dos outros. A primeira coisa que aprendemos é que tudo tem um tempo e uma medida certa que não depende inteiramente de nós. Mas o mais importante é que deveremos ser prudentes para não sermos enganados pela aparência. Sobretudo é preciso não uma, mas várias vidas de estudo intenso para se subir um degrau que seja. Descobrir o ouro alquímico é descobrir a perfeição espiritual e, essa não tem limites!&lt;br /&gt;Uma guerra perdida, pensará você?! Talvez, mas repleta de pequenas batalhas que se vencem e nos dão o conhecimento. A “magia” aliada à manipulação dos elementos é uma forma de consubstanciar as ideias. Através dela chega-se à ciência perfeita porque agrega a física, a matemática, a química, a biologia, a ética. É a antiga filosofia, mãe do saber universal.&lt;br /&gt;Enfim, apesar de tudo sou humano e, ao chegar aos trinta e cinco anos, senti-me de repente sozinho. Nunca me havia preocupado com esse aspecto até que conheci aquela que viria a ser a minha mulher. Foi uma revelação! Ela era a outra parte de mim. Conhecia-a por acaso. ( Como se o acaso existisse...), em casa de um médico meu conhecido que também fazia parte da organização.&lt;br /&gt;Logo no primeiro olhar a reconheci. A ela aconteceu-lhe o mesmo. O curioso desta situação é que nunca falámos de amor, como se esse sentimento fosse tão evidente e conhecido de nós que nunca houve dúvidas. Era uma espécie de reencontro, sabíamos os dois o que esperar. Deste modo tivemos um namoro pouco convencional e no final do terceiro encontro propus-lhe casamento. Ela aceitou sem subterfúgios, era tão natural! Casámos precisamente três meses depois e foi nessa altura que lhe confessei que estava ligado a um grupo de estudos e que ela teria que me partilhar. Outra mulher talvez tivesse ficado assustada com a ideia, ou aborrecida... no entanto ela sorriu e disse-me que era melhor assim, porque aprenderia através de mim. Fiquei admirado com tanta compreensão mas com o decorrer do tempo entendi que afinal era ela que me ensinava a mim. No final do segundo ano apercebemo-nos que não poderíamos ter filhos. Não houve culpas e a minha mulher reagiu sentenciando:&lt;br /&gt;-“ Se não nos é permitido ter filhos é porque teremos que amar de uma outra forma.”&lt;br /&gt;Pedi transferência para o colégio da vila e viemos morar para esta casa. Eu ainda quis modificar alguns pormenores para a tornar mais cómoda, mas ela opôs-se dizendo que era nesta simplicidade que queria viver.&lt;br /&gt;Começamos então a amar o nosso quintal. Plantámos árvores, fizemos a horta e o jardim. Construímos um pombal e umas colmeias. Aos poucos o nosso quintal foi-se tornando a nossa razão de viver, o nosso pequeno paraíso.&lt;br /&gt;Eu continuava, como continuo, a trabalhar em alquimia. Ela entretinha-se neste lugar. Tudo o que fazia lhe dava prazer, nunca a ouvi dizer que trabalhava, mas sim, que se ocupava de...&lt;br /&gt;Adoeceu há quatro anos, quis levá-la ao médico mas recusou-se. Disse-me que me preparasse porque estava na hora de nos despedirmos mais uma vez. Fiquei magoado e andei uns dias rabugento, sentia que me iam roubar um pedaço de mim. Mais uma vez, foi ela que me ensinou dizendo:&lt;br /&gt;-“ Nada do que demos um ao outro pode ser tirado porque foi de alma para alma e não apenas de corpo para corpo.&lt;br /&gt;Depois de partir ficarei contigo em cada canto desta casa, em cada flor do nosso jardim. Ter-me-ás quando comeres os frutos das nossas árvores ou os legumes da nossa horta. Afagar-me-ás quando afagares os nossos gatos, os nossos pombos. Cada átomo do ar que respiramos está aqui, no ar que ambos fecundámos. Um dia, quando tu partires também, e nos voltarmos a ver, perceberás como realmente somos um só!”&lt;br /&gt;Partiu. Eu fiquei. Não lhe vou dizer que não sinto a sua falta, mas a recordação das suas últimas palavras acompanham-me.&lt;br /&gt;As pessoas daqui nunca nos viram com bons olhos. Não estão habituadas à felicidade dos outros, nunca entenderam porque vivíamos no nosso mundo sem o partilhar com elas. Sabem que tenho um laboratório e então, na sua ignorância, chamam-me bruxo...&lt;br /&gt;Não me preocupo. Afinal tenho a consciência que nunca os prejudiquei! Que falem, isso dá-lhes prazer!&lt;br /&gt;Acho que estava à sua espera. Sabia que viria alguém ter comigo antes de terminado o meu tempo e que lhe teria que revelar algo. Obrigado por ter vindo. Obrigado por me ter escutado!&lt;br /&gt;O que tenho que lhe dar é segredo. Um segredo que você usará da forma como entender. A responsabilidade é inteiramente sua e as consequências também. Percebeu? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8542614372830166330?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8542614372830166330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8542614372830166330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8542614372830166330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8542614372830166330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2010/01/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/S0WgNTMYU8I/AAAAAAAAAmc/9mxHhVSDjn4/s72-c/superhombre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7596934740277905692</id><published>2009-12-20T06:40:00.001Z</published><updated>2009-12-20T06:55:06.200Z</updated><title type='text'>Misterioso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3KQ9vWaUI/AAAAAAAAAmU/vk6Solbdy6A/s1600-h/442.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 256px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417208319596456258" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3KQ9vWaUI/AAAAAAAAAmU/vk6Solbdy6A/s320/442.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além dos mistérios e dos universos&lt;br /&gt;Ondula esquivo o teu olhar de navegante&lt;br /&gt;Em intensa, fantástica procura, constante&lt;br /&gt;Vagueando no mundo das palavras em meus versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerrado no culto, qual solene oficiante&lt;br /&gt;De ritos que esconjuram presságios adversos&lt;br /&gt;Dominas meridianos e seus inversos&lt;br /&gt;E fazes-te ao mar, como mareante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transportas, ainda mesmo que o não saibas dizer,&lt;br /&gt;Arrastada, a indomável e estranha fera&lt;br /&gt;Que se manifesta, tocando e me faz doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto que eu queda no porto da tua espera&lt;br /&gt;Abrigo no colo aberto para te receber&lt;br /&gt;A encarnação felina da enorme quimera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7596934740277905692?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7596934740277905692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7596934740277905692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7596934740277905692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7596934740277905692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/misterioso.html' title='Misterioso'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3KQ9vWaUI/AAAAAAAAAmU/vk6Solbdy6A/s72-c/442.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2854806099845786649</id><published>2009-12-20T06:36:00.001Z</published><updated>2009-12-20T06:38:38.852Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Iris</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3GZYbkFUI/AAAAAAAAAmM/aABPfdb_Zhg/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417204066153665858" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3GZYbkFUI/AAAAAAAAAmM/aABPfdb_Zhg/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Leonor&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Ainda que não se veja, a compaixão adormece as dores e suaviza os sofrimentos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor tem nos olhos o espelho do mar. É sua filha porque nasceu no barco que a viu crescer e que continua a ser o seu lar.&lt;br /&gt;Dizem os homens da vila que Leonor tem pacto com a Lua, que aprendeu com ela o seu sorriso suave e que a luz do seu olhar aquece as almas tiritantes, que alumia a escuridão dos medos e domina as marés da revolta.&lt;br /&gt;É mansa Leonor ! Tão mansa que o mar se encanta com ela !&lt;br /&gt;Íris e Ofélia caminharam para a vila que se planta junto do mar. Recebem o seu cheiro como uma nova experiência, apetece-lhes mergulhar naquela imensidão bordada de ondas constantes. Têm os pés feridos da caminhada. Leonor vem até elas, chama-as para a beira-mar e lava-lhes as feridas com água salgada e beija-lhes os pés com meiguice.&lt;br /&gt;Íris pergunta-lhe então:&lt;br /&gt;- Queres tu espalhar a compaixão nos caminhos que percorrem o mundo e seguir-me para além de todos os carreiros?&lt;br /&gt;- Quero. - Responde Leonor - Quero que o luar que habita em mim se espalhe na negrura dos caminhos.&lt;br /&gt;- Queres tu com a tua compaixão ouvir todos aqueles que carregam fardos maiores do que eles ?&lt;br /&gt;- Quero. Quero que o sal que se desprende de mim sare as feridas abertas dos que se queixam.&lt;br /&gt;- Queres tu, juntamente connosco, levar a esperança e a caridade a quem desespera e sofre ?&lt;br /&gt;- Quero. Quero que a liquidez do mar que me constitui envolva também os outros e que lhes naufrague o medo.&lt;br /&gt;Então Íris junta nas suas as mãos de Leonor e Ofélia, pedem silêncio ao mar que é espelho do céu, as palavras. Fica parada no tempo da emoção e por fim murmura:&lt;br /&gt;- Que a ajuda seja feita de compaixão e que a compaixão seja sempre de ajuda que ambas me sigam até à cidade onde a loucura dos tempos incendeia os vícios. Tu, Ofélia, sê a mão caridosa que segura e tu, Leonor, sê o sorriso que sustém o olhar de quem se sente perdido. Tornai-vos hoje filhas da divindade que nos indicará a jornada.&lt;br /&gt;Ambas as discípulas se sentam agora no areal esperando com Íris, a Palavra.&lt;br /&gt;Íris eleva a voz para as ondas e pede:&lt;br /&gt;- Mar. Tu que és feito das águas do mundo; das fontes que correm para os ribeiros, dos ribeiros que enchem os rios, e que Te alimentam. Mar. Tu que és feito das lágrimas e do suor daqueles que se alimentam de Ti, diz-me o que tens a dizer !&lt;br /&gt;Um búzio rola nas ondas e vem até junto delas, Leonor apanha-o e entrega-o a Íris que o coloca no ouvido e repete o seu recado, frase a frase com o vagar de quem medita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Felizes os que acreditam que um grão de areia os pode suster.&lt;br /&gt;Eles sentir-se-ão seguros no seu caminhar.&lt;br /&gt;- Felizes os que aceitam as tormentas sem revolta.&lt;br /&gt;Eles também saberão sorrir à bonança.&lt;br /&gt;- Felizes os que forem capazes de mergulhar na escuridão à procura de luz.&lt;br /&gt;Eles encontrá-la-ão e serão por ela alumiados.&lt;br /&gt;- Felizes os que sabem calar os seus segredos na caverna dos seus peitos.&lt;br /&gt;Eles passarão a receber nessa caverna a voz do oceano que os tranquilizará.&lt;br /&gt;- Felizes os que comparam o azul do céu ao azul do mar.&lt;br /&gt;Eles estão no caminho certo.&lt;br /&gt;- Felizes os que sabem que uma maré se segue a outra assim, sucessivamente, até ao fim dos tempos.&lt;br /&gt;Eles serão eternos.&lt;br /&gt;- Alegrai-vos pois porque vos escolhi como mensageiras da Palavra, do Socorro e da Compaixão.&lt;br /&gt;Vós fareis parte de mim em pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As raparigas levantam-se e seguem pela marginal em silêncio. Ali os homens não tiveram medo. Ali a divindade não se vestiu de cor mas falou na língua do mar.&lt;br /&gt;A cidade espera-as..&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2854806099845786649?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2854806099845786649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2854806099845786649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2854806099845786649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2854806099845786649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-evangelho-de-iris_20.html' title='O Evangelho de Iris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3GZYbkFUI/AAAAAAAAAmM/aABPfdb_Zhg/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2556125412980754825</id><published>2009-12-20T06:28:00.001Z</published><updated>2009-12-20T06:34:29.615Z</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3FbF29XPI/AAAAAAAAAmE/xEH8cvhGFgk/s1600-h/superhombre.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417202996016405746" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3FbF29XPI/AAAAAAAAAmE/xEH8cvhGFgk/s320/superhombre.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Estranho contacto&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite apanhou-o ainda no percurso.&lt;br /&gt;A neblina envolveu-o criando um cenário de feitiço.&lt;br /&gt;Não sabia onde estava, caminhava apenas tendo como orientação a cúpula de uma igreja longínqua levemente iluminada.&lt;br /&gt;Daí a algum tempo os seus pés pisaram uma estrada. Era de terra batida, estreita e esburacada, mas tornava-se uma esperança de vida.&lt;br /&gt;Uma casita aqui, outra além, e na escuridão acabou por encontrar uma pequena vila adormecida. Àquela hora não era provável que lhe dessem abrigo.&lt;br /&gt;Por instinto encontrou a igreja que fora seu farol, recolheu-se num canto abrigado e adormeceu.&lt;br /&gt;Sentiu que o abanavam com firmeza mas o seu corpo não respondia, estava entorpecido tanto pelo o sono como pelo esforço da véspera. Os olhos resistiam, cerrando-se ainda mais.&lt;br /&gt;- Ó homem, homem! O que faz aqui a esta hora? Levante-se que ainda fica doente. Vá venha comigo, dentro da minha casa há um bom fogo onde se pode aquecer e um caldo acabado de fazer. Está a ouvir?&lt;br /&gt;O calor prometido começou a despertá-lo, aos poucos foi reagindo, abriu as pernas e os braços, tornou a fechá-los e enfrentou o homem de idade avançada e magro que tinha na sua frente. A luz apesar de fraca deu para o observar. Tinha um rosto estranho, quase mítico, dele sobressaíam-lhe uns olhos escuros, muito vivos, um nariz e um queixo salientes e uma boca que se divertia discretamente.&lt;br /&gt;- Então homem? O que faz por aqui? É forasteiro?&lt;br /&gt;- Atravessei ontem toda a serra a pé e quando cheguei já não havia ninguém a quem pedir abrigo...&lt;br /&gt;- Venha comigo, esta neblina dá cabo dos ossos de qualquer um. Eu moro já ali.&lt;br /&gt;Ele levantou-se, as pernas doíam-lhe, tinha uma pressão incómoda na cervical. A posição em que adormecera fora castigadora. Atrás das passadas rápidas do homem, caminhou trôpego.&lt;br /&gt;A casa ficava no outro lado do largo. Era relativamente pequena, na fachada havia apenas uma porta e um postigo. Quando entrou viu-se numa espécie de átrio empedrado e abobadado. O corredor em frente estendia-se até à cozinha. Pareceu-lhe ter entrado de repente num laboratório alquímico da Idade Média. A mesa comprida de madeira e mármore ocupava quase todo o compartimento, em cima dela estavam bicos de bisel, retortas, tubos de ensaio, toda a panóplia utilizada para experiências do género! Numa parede do fundo havia um forno encastrado, ao lado uma chaminé e uma lareira onde uma trempe suportava um caldeiro de ferro.&lt;br /&gt;- Garanto-lhe que é caldo de hortaliça! Hoje não há sapos... ( riu o velho ao ver a sua cara de espanto)&lt;br /&gt;- Parece que entrei noutro tempo!&lt;br /&gt;- Sente-se, sente-se aí nesse canto.&lt;br /&gt;- Se... se não se importasse gostava de lavar as mãos e... a cara.&lt;br /&gt;- Além, olhe está a ver? Há ali uma pia, um jarro com água e sabão. Não tenho casa de banho. Para urinar saia essa porta que dá para o quintal. É o que lhe posso oferecer...&lt;br /&gt;- Agradeço muito.&lt;br /&gt;Saiu até ao quintal, para seu espanto viu um vasto espaço primorosamente cultivado. Havia desde árvores de fruto a ervas medicinais, passando é claro, pela horta. O sol começava a dar sinais de vida e todas as plantas estavam cobertas de orvalho.&lt;br /&gt;- Que rico quintal o senhor tem aqui!&lt;br /&gt;- Sou eu que trato dele. A sopa que vai comer é feita com legumes e hortaliças dele. Vai ver como lhe vai saber!&lt;br /&gt;Lavou-se rapidamente e sentou-se à mesa. Um cheiro delicioso lembrou-lhe que já não comia há muitas horas.&lt;br /&gt;O velho acompanhou-o, repetindo várias vezes e insistindo que ele ficasse à vontade.&lt;br /&gt;Estava cansado, transpirava imenso, recostou-se na cadeira com a sensação de que ia desmaiar.&lt;br /&gt;- Isso já passa, é da fraqueza. Deixe-se estar tranquilo.&lt;br /&gt;O velho pegou nas tigelas e lavou-as. Veio sentar-se junto dele com as pernas esticadas para o lume. Acendeu o cachimbo e ofereceu-lhe. Ele recusou educadamente.&lt;br /&gt;- Então já se sente melhor?&lt;br /&gt;- Já sim, muito obrigado.&lt;br /&gt;- Disse que tinha atravessado ontem a serra...&lt;br /&gt;- Sim, precisava de fazer esse caminho!&lt;br /&gt;- Os caminhos são para se cumprirem, e neles há paragens obrigatórias...&lt;br /&gt;- O senhor é sempre assim tão hospitaleiro?&lt;br /&gt;O outro riu. Uma gargalhada rouca de completa surpresa.&lt;br /&gt;- Nunca me deram esse nome! A maior parte das vezes chama-me bruxo. É o preço de quem não se obriga a ser como os outros....&lt;br /&gt;- É alquimista?&lt;br /&gt;- Não, ainda não... vou dominando e transformando a matéria, mas dificilmente serei um dia alquimista!&lt;br /&gt;- Vive sozinho?&lt;br /&gt;- Que remédio! Enviuvei há quatro anos e não há por estas redondezas mulher que me ature!&lt;br /&gt;- Afastou-se do mundo com o desgosto da perda?&lt;br /&gt;- Não. Longe disso! Sabe, há muito tempo que não falo com ninguém. Pelo menos com alguém que valha a pena! Hoje estou bem disposto e penso que a minha história o ajudará.&lt;br /&gt;- Porque diz isso? Não me conhece...&lt;br /&gt;- Posso vê-lo como realmente é. A minha casa é uma paragem obrigatória no seu caminho.&lt;br /&gt;- Talvez! Não tenho nada a perder!&lt;br /&gt;O velho retirou do lume o caldeiro e pôs-se a fazer o café, com gestos regulares foi colocando as canecas e o açucareiro em cima da mesa.&lt;br /&gt;Despejou o resto da sopa numa malga velha e assobiou. Três enormes gatos malhados apareceram de algures e atiraram-se à comida. O dono fez um afago a cada um deles.&lt;br /&gt;O cheiro do café invadiu a cozinha e ambos se prepararam para o beber.&lt;br /&gt;Depois de um demorado olhar, o velho começou: &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2556125412980754825?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2556125412980754825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2556125412980754825&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2556125412980754825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2556125412980754825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-caminheiro_20.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sy3FbF29XPI/AAAAAAAAAmE/xEH8cvhGFgk/s72-c/superhombre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2594645455168965421</id><published>2009-12-09T20:36:00.001Z</published><updated>2009-12-09T20:39:05.467Z</updated><title type='text'>Quero-te livre</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAKuvcpNfI/AAAAAAAAAl8/WT-q7FjyNJ4/s1600-h/1150-13167_b~Violoniste-Bleu-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 160px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413338550226204146" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAKuvcpNfI/AAAAAAAAAl8/WT-q7FjyNJ4/s320/1150-13167_b~Violoniste-Bleu-Posters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chagal&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com as asas abertas no limite do infinito&lt;br /&gt;Querera eu ver-te planando sobre o destino.&lt;br /&gt;No cimo de escarpas ao vento libertador&lt;br /&gt;Querera eu ver-te dançando em seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver-te livre, livre, como águia ou falcão&lt;br /&gt;Longe da rotina árdua da tua função.&lt;br /&gt;Ou ainda, como onda em mar revolto,&lt;br /&gt;Salpico de suspiro, salgado e solto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querera eu ver teu verde olhar desperto,&lt;br /&gt;Teu sorriso endiabrado um pouco mais perto.&lt;br /&gt;E sentir que os teus braços abraçavam viris&lt;br /&gt;O universo inteiro, deixando-o feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2594645455168965421?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2594645455168965421/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2594645455168965421&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2594645455168965421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2594645455168965421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/quero-te-livre.html' title='Quero-te livre'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAKuvcpNfI/AAAAAAAAAl8/WT-q7FjyNJ4/s72-c/1150-13167_b~Violoniste-Bleu-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5211660290326143639</id><published>2009-12-09T20:33:00.001Z</published><updated>2009-12-09T20:34:37.868Z</updated><title type='text'>O Evangelho de íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAJ2CNgr1I/AAAAAAAAAl0/l9GvYhKnWQs/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413337576010461010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAJ2CNgr1I/AAAAAAAAAl0/l9GvYhKnWQs/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Ofélia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Há sempre um momento em que mesmo os mais fortes precisam de socorro e da ajuda do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ofélia não tem sonhos. Mesmo que os tenha estão guardados no fundo do coração. Ofélia já não anda na escola, não conseguiu aprender mas dá em cada dia de vida uma lição de ajuda a quem a procura.&lt;br /&gt;O corpo de Íris foi encontrado à porta da aldeia.&lt;br /&gt;Trouxeram-na ao anoitecer ardendo de febre. Ofélia passa a noite a velar, refrescando-a, falando-lhe, tocando-a com o seu amor de menina.&lt;br /&gt;Íris ouve-a, sente-se grata mas a voz parece ter-se perdido algures e não a encontra. Deixa que uma lágrima se solte e escorra na palidez do seu rosto. Com um dedo só Ofélia limpa a lágrima e limpa o medo.&lt;br /&gt;A puberdade chega para Íris e estranha o seu corpo assim como estranha também aquele tagarelar à sua volta. O silêncio de Ofélia é agora cúmplice e doce. Não lhe faz perguntas somente deixa que as mãos lhe manifestem o carinho.&lt;br /&gt;Aos poucos Íris começa a acreditar que a procuram. Dói-lhe, mas as palavras saem da boca sem pensar. Ofélia não entende as palavras mas compreende que a divindade de Íris não se reverencia, apenas se ama como se ama cada ser que existe.&lt;br /&gt;O medo supersticioso dos aldeões começa a invadi-los.&lt;br /&gt;Íris reconhece esse medo nos seus olhos, sabe que também terá de fugir daquele lugar.&lt;br /&gt;Só tem em Ofélia a ajuda. Sabe que ela não a abandonará.&lt;br /&gt;Procura ao amanhecer do Sol e ele no distante horizonte não lhe diz nada.&lt;br /&gt;Procura no ribeiro as gargalhadas das fontes, mas só observa a água correndo apressada no seu destino.&lt;br /&gt;Procura nas flores o seu perfume mas este mistura-se no ar com os outros cheiros e confunde-a.&lt;br /&gt;Procura nos animais a sua alegria mas, eles enterraram-na nas luras mais profundas.&lt;br /&gt;E as rochas estão sólidas, sem sorrisos, no mesmo lugar. Imutáveis. Só o medo dos homens é igual ao medo dos homens de Geração.&lt;br /&gt;O espírito verde surge-lhe naquela manhã. Indica-lhe o caminho da estrada que a levará à vila. A estrada é mais larga que o carreiro mas não deixa de ser um caminho. Íris pede a Ofélia que a acompanhe, que deixe a aldeia para trás porque ali o medo torna os homens pequenos. Ofélia dá-lhe a mão, não se despede de ninguém porque os leva consigo na alma. Juntas iniciam a jornada. Em todas as estradas há um fim que se abre para uma nova aldeia. Em cada aldeia há homens que procurarão a palavra de Íris, a ajuda de Ofélia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5211660290326143639?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5211660290326143639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5211660290326143639&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5211660290326143639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5211660290326143639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-evangelho-de-iris_09.html' title='O Evangelho de íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAJ2CNgr1I/AAAAAAAAAl0/l9GvYhKnWQs/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1910719686627111490</id><published>2009-12-09T20:27:00.001Z</published><updated>2009-12-09T20:29:50.074Z</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAIt7JvSRI/AAAAAAAAAlk/tXAE9J7O0KY/s1600-h/image0056.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413336337165011218" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAIt7JvSRI/AAAAAAAAAlk/tXAE9J7O0KY/s320/image0056.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Era manhã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era manhã.&lt;br /&gt;Nem ele nem ela dormiram a noite.&lt;br /&gt;Fizeram amor sabendo que era a última vez.&lt;br /&gt;Ela levantou-se e desculpou-se que tinha que ir à cidade.&lt;br /&gt;Ele ainda perguntou se queria que a acompanhasse, mas ela calou-o com um beijo.&lt;br /&gt;- Vai. Vai porque ficas. - Murmurou ela ao ouvido. - Para que a árvore possa dar bons frutos é necessário podá-la.&lt;br /&gt;E saiu!&lt;br /&gt;Saiu, deixando-o naquele quarto quente que o acolhera durante o Inverno.&lt;br /&gt;Enrolou a esteira e a manta, meteu a roupa na mochila e desceu.&lt;br /&gt;Fez alguns telefonemas e meteu o pouco dinheiro que trazia no bolso dentro da lata dos trocos.&lt;br /&gt;Abriu a porta sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Em vez de tomar a estrada que o levaria até à cidade, preferiu seguir pelo carreiro que o levava à serra. O nevoeiro estava bastante cerrado, a humidade em breve trespassou-lhe a roupa e penetrou-lhe na pele. Era como se quisesse fazer parte dele mesmo! Escolheu as veredas traçadas pelos pés dos pastores da região. Elas o levariam a algum lugar. Já não fazia caminhadas há muito tempo e as folhas e os fetos molhados faziam-no escorregar com frequência. Agarrava-se aos ramos e arbustos naquela subida cada vez mais íngreme da montanha. A lama pesava-lhe nas botas, pegajosa... embora não conseguisse entrever animais, ele pressentia-os nas suas tocas, nos seus ninhos, nos seus charcos, e agradecia-lhes mentalmente a companhia.&lt;br /&gt;Aos poucos a vegetação foi rareando dando lugar a grandes blocos de rocha desfeita, agrestes e traiçoeiros. Uma espécie de embriaguez tomou-o, ia marcando metas e investia todo o seu esforço em as alcançar. Quando o conseguia, parava, respirava profundamente e lançava o olhar para o pretérito despedindo-se dele com um grito selvagem.&lt;br /&gt;O Sol acabou por vencer a resistência das nuvens, perfurou-as e surgiu amarelo e morno.&lt;br /&gt;O vento no seu reino, fazia-se ouvir e sentir empurrando-o para o apressar.&lt;br /&gt;Ele caminhava, sem sede, sem fome, sem cansaço...&lt;br /&gt;Por volta do meio-dia atingiu o cume da primeira montanha. Então, olhando em redor, deu conta que dera o seu primeiro passo.&lt;br /&gt;Ali estava ele no alto da serra, entre o céu que quase o tocava e o abismo que deixara. Entre a imobilidade do absoluto e a agitação de um vento teimoso e dançarino.&lt;br /&gt;Ele estava ali. Ele!&lt;br /&gt;O mundo revelava-se-lhe. Um mundo maternal, fecundantemente generoso! E chamava-se Terra!&lt;br /&gt;Um repuxo? Não. Uma onda de sentimentos soltou-se do seu coração inundando-o, multiplicando-se em outras ondas que o tomavam por inteiro.&lt;br /&gt;E ele... Ele fez a sua primeira oração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoada. Abençoada sejas tu, Terra Mãe&lt;br /&gt;Porque te estendes assim em caridade,&lt;br /&gt;Tudo de ti, por um imenso amor, vem.&lt;br /&gt;Abençoada sejas por toda a eternidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoado. Abençoado sejas tu, ó Sol&lt;br /&gt;Porque aqueces a minha longa jornada,&lt;br /&gt;Porque estendes sobre mim, o lençol&lt;br /&gt;Que envolve, a minha alma cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia ainda não tinha acabado. A sua visão estendeu-se para lá da imensidão dos montes e vales, de planícies... não havia caminhos traçados, seria ele a desbravá-los com a mesma força e tenacidade que o levara até ali. O seu passado ficava para Leste. Mesmo que a Norte uma cidade rica e poderosa o chamasse. Mesmo que a Sul uma praia dourada o convidasse. O seu caminho era em frente porque as montanhas ocultavam o fim.&lt;br /&gt;Depois de alimentar o corpo e a alma, descansou, embalado pelo segredar dos ventos que o acarinhavam.&lt;br /&gt;A tarde veio rápida e desceu sobre ele sem sombras.&lt;br /&gt;Estava na hora de descer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1910719686627111490?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1910719686627111490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1910719686627111490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1910719686627111490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1910719686627111490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-caminheiro_09.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SyAIt7JvSRI/AAAAAAAAAlk/tXAE9J7O0KY/s72-c/image0056.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3199507348682855115</id><published>2009-12-03T10:25:00.001Z</published><updated>2009-12-03T10:36:07.365Z</updated><title type='text'>Lago</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeUe0y1IuI/AAAAAAAAAlY/-U_yI5yIQAU/s1600-h/5064_4706120_b~La-Bible-Esther-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 117px; FLOAT: left; HEIGHT: 160px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410956734597767906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeUe0y1IuI/AAAAAAAAAlY/-U_yI5yIQAU/s320/5064_4706120_b~La-Bible-Esther-Posters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Chagal&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Arpoo o teu corpo em assalto comedido&lt;br /&gt;Quando te dispões assim estendido.&lt;br /&gt;Navego nele como em lago misterioso&lt;br /&gt;Sempre à espera de algo mais alteroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não é o mar que me ofereces,&lt;br /&gt;É um lago parado onde me aqueces,&lt;br /&gt;Onde as águas cinzentas de neblina estranha&lt;br /&gt;Bordam as margens de terra castanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai como eu queria mergulhar mais fundo,&lt;br /&gt;Penetrar até aos confins desse teu mundo,&lt;br /&gt;Engolir contigo o sal que se mistura&lt;br /&gt;Com o doce sabor de uma fonte pura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai como eu queria ficar molhada de ti!&lt;br /&gt;Aprender gestos e expressões que nunca vi.&lt;br /&gt;Emerge depressa desse líquido protector&lt;br /&gt;E vem mostrar-me o teu escondido calor!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3199507348682855115?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3199507348682855115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3199507348682855115&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3199507348682855115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3199507348682855115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/lago.html' title='Lago'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeUe0y1IuI/AAAAAAAAAlY/-U_yI5yIQAU/s72-c/5064_4706120_b~La-Bible-Esther-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-439327883603718634</id><published>2009-12-03T10:22:00.001Z</published><updated>2009-12-03T10:24:57.995Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeR8x7XzYI/AAAAAAAAAlQ/HRYiVhfOPyM/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410953950689480066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeR8x7XzYI/AAAAAAAAAlQ/HRYiVhfOPyM/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O CARREIRO&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Por muito estreito que seja um carreiro é sempre um caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corre e tropeça e cai e sangra e chora.&lt;br /&gt;Pelo caminho acaba Íris os seus dias de Geração.&lt;br /&gt;Não sabe para onde vai, o que vai fazer. Só sabe que foi banida do lugar onde nasceu. Do lugar onde as perguntas não têm respostas, do lugar em que a serra e o mar entalam os espíritos dos homens.&lt;br /&gt;O carreiro é longo mas pode ser o princípio ou o fim de uma nova vida. Íris na sua inocência sabe disso e sabe que não tem outra alternativa. Sente já saudades do seu monte, da sua figueira, do Sol que saúda todos os dias e das fontes que lhe não negam as respostas. Mas sabe que não pode ficar agarrada ao seu passado.&lt;br /&gt;Haviam-lhe dito que o carreiro era do tamanho de uma manhã. Mas a manhã das suas pernas é mais comprida...&lt;br /&gt;Os pés ferem-se nos tojos e pedras do caminho. Já os tem em sangue mas isso não é nada comparado com as dores horríveis que sente na barriga das pernas. Senta-se um pouco na berma junto das giestas amarelas e roxas. Uma sonolência invade-a deixa vir a si o som das palavras tentadoras.&lt;br /&gt;"Íris em Geração chamam-te as flores. Elas perguntam por ti ao Sol e as flores temem de novo que o sofrimento lhes toque, perdem o perfume a cada momento e choram as pétalas ao entardecer. Volta para trás Íris, volta para trás. Terás quem te sare as feridas se obedeceres à Avó Grande, se souberes calar o teu pensamento. As mães que te criaram recolher-te-ão no seu seio. As tuas companheiras acompanhar-te-ão, se souberes calar o teu pensamento.&lt;br /&gt;- "Não! - grita Íris - Não. O meu pensamento tem a voz da divindade. Mesmo que morram as flores de Geração há outras flores no fim do carreiro. O lugar de onde vim não precisa dos aromas nem das cores, basta-lhe o silêncio. Eu vim dar voz, eu vim dar voz...&lt;br /&gt;Íris volta a andar revigorada pela revolta. A fome enfraquece-a mas não a derruba. Mais além há uma figueira brava, os espinhos que protegem os frutos gritam-lhe:&lt;br /&gt;- "Vem Íris, fere as tuas mãos, vale a pena o sofrimento delas para o alimento do teu corpo. Em Geração as figueiras são mansas e doces os seus frutos, se levares de mim as sementes e as plantares no monte do Sol, também eu me transformarei e me tornarei na árvore dos frutos de mel. Tu podes. Tu és a divindade feita voz que fala por todos os seres. Volta a Geração. A tua voz falará pelo silêncio dos homens."&lt;br /&gt;- Não - grita Íris - Não. As tuas sementes bravias jamais se tornarão doces. A minha voz fica calada na solidão das palavras dos outros. Eu não pertenço a um lugar. Pertenço a todos os carreiros do mundo. Por isso vim trazer a palavra...Vim trazer a Palavra...&lt;br /&gt;Agora que a divindade susteve o cansaço e a fome, Íris sofre horrivelmente a sede. Gretam-se-lhe os lábios e a língua parece ter dobrado o seu tamanho. O carreiro parece mais longo e curvo. O seu corpo cai desamparado junto da lama quase seca de um buraco do chão. Íris saboreia o pedaço de lama tentando reter dele o resto de humidade. As pedras e areias comentam:&lt;br /&gt;-" É esta a forma material do espírito da Palavra. A divindade é sua aliada. Se ela quiser pode transformar Geração, basta-lhe que volte para trás e diga bem alto o que o seu pensamento lhe fala. Vê como sofre a sede e lá, há fontes amigas que a confortam com alegria."&lt;br /&gt;- Não!-Grita Íris - Não. Não voltarei atrás porque o meu destino é percorrer os carreiros do mundo. Não voltarei atrás porque nem os homens, nem os animais, nem as plantas, nem as rochas me merecem. A divindade que trago em mim é universal e fala em todos os recantos da existência. E vós, vós todos não me tenteis porque eu faço o que me é ordenado. Eu só obedeço Àquele que tem vida e não tem nome.&lt;br /&gt;O grito de Íris morre-lhe nos lábios e o seu corpo caído perde o resto das forças.&lt;br /&gt;Os espíritos das sete cores acorrem, alimentam-na, saram-na, e dão-lhe de beber o orvalho mais puro. Ressuscitada, Íris vê o Sol desaparecer lá no fundo e a Lua a sorrir-lhe junto dela.&lt;br /&gt;Perto ouve-se o ladrar de um cão, o balido de ovelhas e a flauta de um pastor.&lt;br /&gt;Chegou ao fim do carreiro.&lt;br /&gt;Chegou ao princípio da aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-439327883603718634?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/439327883603718634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=439327883603718634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/439327883603718634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/439327883603718634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeR8x7XzYI/AAAAAAAAAlQ/HRYiVhfOPyM/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1330204730540366899</id><published>2009-12-03T10:17:00.001Z</published><updated>2009-12-03T10:21:17.690Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeRFGgtujI/AAAAAAAAAlI/ucbg4hfOofQ/s1600-h/image0056.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410952994142140978" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeRFGgtujI/AAAAAAAAAlI/ucbg4hfOofQ/s320/image0056.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Era Dezembro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era Dezembro.&lt;br /&gt;O frio da neve derretida penetrava os ossos e os músculos endurecidos e magoavam-no..&lt;br /&gt;A viagem ficara adiada. Agora dormia todas as noites com a mesma mulher. Aprendera a reconhecer cada sinal do seu corpo, o seu cheiro, a sua voz, o seu olhar...&lt;br /&gt;Para se manter, voltara à sua actividade profissional, o jornalismo. Para isso bastava-lhe o uso dos correios, o telefone e jornais locais. Engordara um pouco e voltara a usar os óculos de aros escuros. Também colaborava na contabilidade da pensão, desse modo ela ficava mais disponível para si. O movimento sem ser intenso era no entanto regular, todos os dias havia clientes de passagem, na maioria camionistas e comerciantes que almoçavam ou jantavam. Alguns, raros, dormiam uma noite. Depois esses homens anónimos partiam pela estrada comprida que não deixava adivinhar o princípio e o fim.&lt;br /&gt;Naquele dia tudo podia ser igual aos anteriores, mas à hora do almoço chegou com grande aparato um camião de longo curso. Um homem alto e forte, de pele avermelhada e quase careca, desceu da cabina e dirigiu-se à sala com passadas largas. A sua voz cantante e bem disposta perguntou:&lt;br /&gt;- Boa tarde! Vocemecês que é que têm para um homem esfomeado como eu?&lt;br /&gt;A mulher, serena como sempre, respondeu-lhe que havia o prato do dia, um prato de “sustância”!&lt;br /&gt;Ele deu uma gargalhada, esfregou as mãos e sentou-se disposto a começar. Enquanto esperava mirou com ar aprovador a modéstia quase familiar daquele espaço. Percebeu de imediato que ele pertencia ao lugar e sem cerimónia sentenciou:&lt;br /&gt;- Sim senhor, vomecês têm aqui uma bela casa! Limpinha e sossegada! Faz lembrar uma casa de família! É a primeira vez que cá entro e estou a gostar!&lt;br /&gt;O homem sentiu-se na obrigação de agradecer o elogio, dobrou o jornal, tirou os óculos e sorriu.&lt;br /&gt;A mulher apareceu entretanto com a travessa do cozido e o jarro de vinho tinto, perguntou se estava tudo a seu gosto. O camionista provou e acenou diversas vezes com a cabeça garantindo a sua aprovação. Ela voltou à cozinha deixando a responsabilidade de acompanhar o hóspede ao homem da casa.&lt;br /&gt;Era um prazer observar a disposição para comer daquele homenzarrão! Passados alguns minutos o camionista voltou a falar:&lt;br /&gt;- Vomecês não são daqui pois não? Pelo menos o ano passado não reparei nisto! Olhe que deve ser um bom negócio, por aqui passa muita gente...&lt;br /&gt;Ele ia confirmando e esclarecendo o outro apenas com monossílabos, não era pessoa de grandes conversas mas ao mesmo tempo sentia curiosidade por aquele tipo.&lt;br /&gt;Contra o seu costume dirigiu-se à mesa.&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;- Ó homem a casa é sua!&lt;br /&gt;- O senhor parece ser muito bem disposto. – Disse enquanto se sentava.&lt;br /&gt;- Graças a Deus, senhor, graças a Deus! Mas também não tenho do que me queixar!&lt;br /&gt;- No entanto... o seu trabalho deve ser duro e solitário, não combina consigo...&lt;br /&gt;- Estou habituado! Há mais de quinze anos que ando nesta vida! É verdade que é duro, mas há outros trabalhos que são duros e a gente quando faz uma coisa que gosta nem dá por isso! Eu sou forte, aguento bem! E depois, não é tão solitário como isso, há sempre estradas novas, gente diferente que se conhece todos os dias. O que custa mais é a saudade da família, mas compensa-se quando chego. Enchem-me de mimos!&lt;br /&gt;- Tem uma família grande?&lt;br /&gt;- Não. É pequena mas boa. Mulher e três filhos.&lt;br /&gt;- E eles não se aborrecem com a sua ausência?&lt;br /&gt;- Eles sabem que os tenho sempre no meu pensamento e no meu coração. Ah! A minha mulher é uma mulher e pêras! Já fizemos vinte e um anos de casados e nunca brigámos a sério.&lt;br /&gt;O que um diz o outro acata, tanto faz que seja ela ou seja eu!&lt;br /&gt;- E os filhos? Como se sentem?&lt;br /&gt;- Bem. Olhe, não é para me gabar, mas são uns miúdos formidáveis. O mais velho é muito esperto, está na universidade. A do meio também está a estudar e é tal e qual a mãe! A mais novinha, veja vocemecê, tem só três anos! Veio sem a gente contar... mas graças a Deus que veio! É a nossa alegria! Quando chego a casa, corre logo para o meu colo e abraça-me de tal maneira que, oh homem! Não sou de ferro! As lágrimas chegam-me a assomar aos olhos!&lt;br /&gt;- Pode-se então dizer que é um homem feliz!&lt;br /&gt;- Claro! Diga lá se tenho alguma coisa porque reclamar?&lt;br /&gt;Ali estava alguém que conseguia percorrer um caminho sem percalços! - Pensou ele. - É verdade que não procurava nada de transcendente...&lt;br /&gt;Toda a sua felicidade residia nas pequenas e boas coisas da vida!&lt;br /&gt;O camionista acabou a refeição, puxou a cadeira para trás, alargou um furo no cinto, estendeu as pernas e suspirou.&lt;br /&gt;- Vomecê não é feliz?&lt;br /&gt;Fora apanhado de surpresa. Não sabia como responder. Tinha receio de dizer que se acomodara, que não sabia exactamente se queria a felicidade. Mas o problema maior era explicar isso aquele homem. Ele não iria entender que ele também fora um dia um caminheiro. Mas um caminheiro diferente, um caminheiro que percorrera espaços que não vinham no mapa das estradas!&lt;br /&gt;Salvou-o da complicada resposta a entrada de um outro cliente.&lt;br /&gt;Era um homem velho e magro vestido de negro. O seu colarinho branco identificava-o bem.&lt;br /&gt;Quando cumprimentou, o camionista levantou-se de um salto e deu-lhe um forte abraço.&lt;br /&gt;- Veja vocemecê como as coisas são! Este aqui é o senhor padre Galvão, foi ele que me baptizou e casou! É da minha freguesia!&lt;br /&gt;- Coincidências... – Disse timidamente o padre.&lt;br /&gt;- Muito prazer. – Respondeu ele educadamente apertando-lhe a mão. Enquanto o velho padre se sentava na mesa do camionista. – Aceitou o seu pedido: apenas sopa e pão. Como convinha a um homem de espírito! Foi à cozinha dar o recado e hesitou em voltar a sentar-se no mesmo lugar. Mas a sincera insistência do camionista forçaram-no.&lt;br /&gt;- Sente-se homem e responda lá a pergunta que lhe fiz há pouco.&lt;br /&gt;- Vim interromper a conversa? – Perguntou o padre.&lt;br /&gt;- Não é nada de especial senhor padre! É que aqui o nosso amigo fez-me uma daquelas perguntas simples cuja resposta é mais complicada.&lt;br /&gt;- E que pergunta lhe fez este maganão?&lt;br /&gt;- Se eu era feliz?&lt;br /&gt;- E então? - Insistiu o padre já interessado.&lt;br /&gt;- Então ... então não sei, sinceramente, não sei e, nem sequer sei se procuro a felicidade!&lt;br /&gt;- É a primeira obrigação do Homem. Cada um deve procurar a felicidade! Já há coisas bastante tristes que acontecem no nosso caminho para que nós ainda compliquemos mais... - Disse o padre.&lt;br /&gt;- Pois é, acho que sou um homem complicado... Não tenho a pureza e simplicidade aqui do nosso amigo. Toda a minha vida andei à procura de encontrar algo que respondesse às minhas dúvidas, numa espécie de jogo das escondidas. Agora acho que me acomodei a este lugar e gozo de uma paz tranquila... mas dormente...&lt;br /&gt;- Dúvidas. Todos nós temos dúvidas! São elas que nos fazem caminhar! Que tipo de dúvidas tem? Se é que posso perguntar...&lt;br /&gt;- As dúvidas que muitos têm, penso eu. Quem sou? Que faço aqui? Para onde irei? Sabe, e perdoe-me a franqueza, as respostas que as igrejas dão não me parecem satisfatórias. Recuso-me a acreditar que sou apenas um objecto de entretém nas mãos de um deus que um dia se lembrou de nos fabricar...&lt;br /&gt;O padre acenou com a cabeça. Parecia ter entendido o que ele estava a querer dizer. O camionista sacudia os ombros e bocejava, não era conversa que lhe interessasse.&lt;br /&gt;Após breve pausa, o padre continuou:&lt;br /&gt;- Essas respostas que o senhor pretende encontrar só o tempo lhas trará. Quando tiver mais experiência. O senhor ainda é jovem, tem muito tempo para descobrir. Mas desde já lhe digo que não as vai encontrar nos livros nem nos lugares de culto. Há um sítio mágico que as revela: O centro da nossa alma!&lt;br /&gt;Ouvir um padre falar daquela maneira surpreendeu-o. Depois, como um menino perante o mestre, murmurou:&lt;br /&gt;- Ás vezes... ás vezes gostava de ser mais simples, de ver as coisas como este amigo que encontrou a felicidade na família e no trabalho...&lt;br /&gt;- Cada um alimenta-se de forma diferente. Porque cada um é diferente. É essa a grandeza da Obra Divina. A individualidade. Veja bem, os animais reflectem comportamentos idênticos dentro de um mesmo grupo. Reagem segundo padrões pré estabelecidos. À medida que o animal sobe a escala da evolução nota-se uma certa individualidade. No Homem então, essa característica é acentuadíssima. Não concorda?&lt;br /&gt;- Sim, concordo. Mas senhor padre Galvão porque não estamos todos ao mesmo nível? Porquê que alguns se satisfazem com as necessidades mais básicas e outros ficam insatisfeitos a vida inteira?&lt;br /&gt;- Porque escolheram meios diferentes de caminhar. Olhe, eu viajo&lt;br /&gt;naquela velha “carripana” e aqui este amigo no camião.&lt;br /&gt;Mesmo percorrendo a mesma estrada temos uma visão diferente dela. Para além disso ele tem uma família e a sua lembrança acompanha-o, eu não tenho família, mas tenho uma comunidade que me faz pensar nela. As nossas disposições e motivações são diversas, logo não podemos de modo nenhum ter as mesmas dúvidas e as mesmas certezas.&lt;br /&gt;O camionista estava impaciente. Queria concluir a estrada que o levava a casa.&lt;br /&gt;- Vocemecês não me levem a mal mas tenho que voltar ao camião. Senhor padre Galvão não se esqueça de aparecer, eu e a minha senhora temos muito gosto em o receber.&lt;br /&gt;- Vai lá rapaz, vai com Deus. Dá cumprimentos lá em casa. Qualquer dia apareço. Prometo.&lt;br /&gt;- Serão entregues senhor padre. E vocemecê amigo mais uma vez parabéns pelo negócio. Quando cá voltar hei-de parar, nem que seja para o cumprimentar.&lt;br /&gt;- Muito obrigado, apareça sempre. Tenho muito prazer em recebê-lo aqui de novo.&lt;br /&gt;Depois desta interrupção, o camionista partiu.&lt;br /&gt;Ele e o padre puderam então conversar mais um bocado.&lt;br /&gt;- Está a ver senhor padre, há poucos assim tão puros como ele!&lt;br /&gt;- É verdade, mas ele estacionou no seu percurso e ainda não deu por isso. Não tem dúvidas nem ambições. Fechou-se no seu espaço e não procura. Deste modo pouco mais pode crescer. É que crescer magoa....&lt;br /&gt;- Se magoa! - Pensou ele – Cada vez que avanço parece maior o meu sofrimento.&lt;br /&gt;- E... resolveu parar?&lt;br /&gt;- Só para respirar fundo. Recuperar energias...&lt;br /&gt;- Cuidado homem, não deixe o seu espírito adormecer...&lt;br /&gt;- É disso que tenho medo...&lt;br /&gt;- Nesse caso porque não corta as amarras e se não faz ao caminho?&lt;br /&gt;A mulher chegou perto deles para levantar a mesa, traíram-se nos seus olhares, o padre compreendeu. Quando ela se afastou de novo perguntou:&lt;br /&gt;- É por ela?&lt;br /&gt;- Talvez. Nela encontrei muitas respostas e o colo macio aonde me encosto!&lt;br /&gt;- ... Mas não é a companheira da mesma jornada!&lt;br /&gt;- Não. Apenas a fonte que me matou a sede, o pão que me alimentou. A sombra que me cobriu ao entardecer!&lt;br /&gt;- Foi bom então?&lt;br /&gt;- Sim, mas não é tudo!&lt;br /&gt;- O tudo não existe! Só tem que optar.&lt;br /&gt;- É na escolha que rasgo a alma!&lt;br /&gt;- Deixe sangrar... em breve cicatrizará. Se o não fizer terá sempre uma ferida aberta que corre o risco de infectar e alastrar, tornando-se perpétua.&lt;br /&gt;- Ele concordou.&lt;br /&gt;O padre apertou-lhe a mão para sair. Ao chegar à porta voltou-se para trás, hesitou ainda um bocado mas acabou por dizer:&lt;br /&gt;- Ao contrário do nosso amigo, espero não o encontrar da próxima vez que aqui passar.&lt;br /&gt;Ele sorriu e acenou levemente com a mão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1330204730540366899?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1330204730540366899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1330204730540366899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1330204730540366899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1330204730540366899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/12/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SxeRFGgtujI/AAAAAAAAAlI/ucbg4hfOofQ/s72-c/image0056.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5549824540281143926</id><published>2009-11-11T06:36:00.004Z</published><updated>2009-11-11T06:46:12.803Z</updated><title type='text'>Ao acordar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpdiAImmTI/AAAAAAAAAlA/FS354Kh6Kis/s1600-h/mm1060_b~La-baie-des-Anges-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402733541717350706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpdiAImmTI/AAAAAAAAAlA/FS354Kh6Kis/s320/mm1060_b~La-baie-des-Anges-Posters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpceUky65I/AAAAAAAAAk4/bGr6-H01ABo/s1600-h/ae+8.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Chagal&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpcTPC4-KI/AAAAAAAAAkw/JMinlwAOTDE/s1600-h/ae+8.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;REVIVER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Voltar a ser mulher e ter dentro de mim&lt;br /&gt;O frémito do desejo em turbilhão.&lt;br /&gt;Sentir que a alma não cabe nem tem fim&lt;br /&gt;No corpo que entretanto se dilata.&lt;br /&gt;Sorrir e poder ver reflectido&lt;br /&gt;O meu sorriso num outro olhar,&lt;br /&gt;Acordar manhã cedo e erguer&lt;br /&gt;O peito que se inflama de prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quão longínqua é já a memória&lt;br /&gt;De outras paixões passadas...&lt;br /&gt;Encontrar na velha mala&lt;br /&gt;Os restos bafientos das alegrias.&lt;br /&gt;Saltar o tempo que é História&lt;br /&gt;E só encontrar o que se quer.&lt;br /&gt;Tão remotas são as recordações&lt;br /&gt;Que se patinaram de decência.&lt;br /&gt;Esquecer o buraco fundo aonde fui&lt;br /&gt;O limite que foi das minhas forças.&lt;br /&gt;Apagar o giz dos traços no negro&lt;br /&gt;Que as regras me impuseram.&lt;br /&gt;Rasgar os remendos puídos&lt;br /&gt;Que fui obrigada a coser.&lt;br /&gt;E ser, ser de novo borboleta&lt;br /&gt;Com a capacidade de voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa agora o tempo&lt;br /&gt;Que posso usar para bailar,&lt;br /&gt;Cantar e gritar se necessário&lt;br /&gt;Para que outros me possam ouvir.&lt;br /&gt;Falar e contar a muitos mil&lt;br /&gt;Para que eu própria possa sentir.&lt;br /&gt;Vão, vão por mim aí dizer&lt;br /&gt;Que sou outra vez mulher!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5549824540281143926?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5549824540281143926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5549824540281143926&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5549824540281143926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5549824540281143926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/ao-acordar_11.html' title='Ao acordar'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpdiAImmTI/AAAAAAAAAlA/FS354Kh6Kis/s72-c/mm1060_b~La-baie-des-Anges-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-198841162512166034</id><published>2009-11-11T06:30:00.002Z</published><updated>2009-11-11T06:32:28.167Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpabyNMilI/AAAAAAAAAko/iXTIDch41S8/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402730136364419666" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpabyNMilI/AAAAAAAAAko/iXTIDch41S8/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;ÍRIS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Mensageira dos deuses Hera e Zeus. Metamorfoseada por Juno em arco-íris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A gente de Geração anda preocupada. Íris, a Sétima filha que Tamara deixou, é estranha. Muito estranha mesmo. Passa a vida a perguntar coisas. Nunca pára ao pé de casa. Está sempre longe. Até já a apanharam uma vez a caminhar pelo carreiro que leva à aldeia.&lt;br /&gt;Mas, o mais grave é que fala com as coisas, com os animais, as plantas, as fontes. sabe-se lá com quê mais.&lt;br /&gt;Íris quase não dorme. Acorda ainda de noite. Vai até ao cabeço dos montes e espera que o Sol regresse ao dia. Gosta de ficar ali sentada em silêncio. Quando os primeiros raios furam o anilado do céu, levanta-se e dá-lhes os bons-dias - É Sol que me dizes hoje?- grita na sua vozita infantil. Ao entardecer faz o mesmo com a Lua e as estrelas. No outro dia, as estrelas desceram tanto que puseram as pontas na Terra e dançaram com ela. Íris não ri com medo de as assustar, só sorri e dança, dança! Apesar de gostar da Lua e das estrelas, prefere conversar com o Sol. Ele aquece-lhe o sangue e não se importa com as suas gargalhadas. Quando está com os astros, Íris toma todas as suas cores. Fica brilhante! A menina não compreende porquê que os outros não entendem as suas conversas e, quando fala nisso às suas companheiras, elas ficam amedrontadas e fogem dela.&lt;br /&gt;Íris fala com as fontes. Elas são muito alegres. Passam muitas tardes juntas, principalmente no Verão. Elas explicam-lhe pacientemente como é o interior da terra, como é o rio onde vão desaguar, o mar, as nuvens, enfim, todo o mundo líquido de que fazem parte.&lt;br /&gt;Íris viaja com elas em pensamento, mergulha nas suas águas e deixa-se levar até à foz do rio azul. Prova o sal do mar e extasia-se com todas as algas, todos os peixes que nele vivem.&lt;br /&gt;Ás vezes Íris conta essas histórias às mães e elas ficam caladas, sussurram para o lado, coram ou empalidecem. Até o seu pai que parece um homem inteligente, meneia a cabeça e diz: - tch...tch... Que imaginação esta menina tem! Íris não sabe bem o que é imaginação, mas não fica muito contente com isso. Dá-lhe a impressão que não acreditam nela.&lt;br /&gt;Por isso aprende a calar. Por isso se separa cada vez mais dos outros e se torna mais estranha aos seus olhos.&lt;br /&gt;Uma manhã, depois da conversa com o Sol, Íris resolve ir até ao campo das flores situado no vale de Este. Elas chamam-na baixinho, estão muito magoadas. Na véspera um bando de crianças espezinhara-as, arrancara-as e, muitas delas sucumbiram.&lt;br /&gt;Íris afaga-as devagarinho, canta-lhes uma cantiga sem palavras. Das mãos deixa que um clarão verde as ilumine. E elas sossegam. Íris promete falar com as crianças e explica-lhes que na Primavera seguinte as suas sementes brotarão multiplicadas tornando mais colorido o tapete onde crescem. A voz das flores é feita de perfumes, por isso o ar toma um intenso odor que chega ao terreiro. As pessoas, ao sentirem o cheiro, saem das suas casas, das suas oficinas, dos seus campos e olham para o local onde Íris está, toda rodeada de verde luminoso, dançando por entre as flores agradecidas, que se agitam também.&lt;br /&gt;Mãe Vanda chama-a. Mãe Marta chama-a. O pai chama-a. Mas... o perfume solto pelo ar embarga-lhes as vozes e Íris não os ouve.&lt;br /&gt;Quando regressa, Íris vê o medo espalhado nos seus rostos. Um medo que se transforma em cólera. Embora fique chocada não tenta justificar-se. Eles nunca perceberão o que se passa com ela.&lt;br /&gt;Íris aprende a calar. Por isso se separa cada vez mais dos outros e se torna mais estranha aos seus olhos.&lt;br /&gt;No cabeço de um dos montes está uma rocha desgostosa. Está farta de ter há tanto tempo a mesma forma, de estar sempre no mesmo lugar.&lt;br /&gt;Atenta, Íris ouve-a. Depois diz-lhe que ela lhe poderá dar outra forma. Se ela quiser, embora isso possa magoá-la.&lt;br /&gt;A esperança dá um sorriso à rocha. O sorriso da rocha é deixar escorregar devagarinho os seus grãos de areia. Mas, mesmo assim pede que Íris lhe dê outra forma. Mesmo doendo. Não há maior dor que ficar a vida inteira igual. Íris que traz consigo um pequeno fuso, passa a desbastá-la. Enquanto o faz, a rocha sorri e deixa cair uma gargalhada um pouco maior.&lt;br /&gt;A rocha torna-se a pouco e pouco num enorme pássaro de asas abertas. Íris conclui que está pronto o seu trabalho e inocentemente arrasta-a para o terreiro. Está tão bonita!&lt;br /&gt;Apavoradas as crianças vão chamar as mães, vão chamar os pais. Quando estes chegam ficam todos muito calados com os olhos muito abertos. Depois, num murmúrio que se torna brado, empurram uma escultura até uma ravina e despenham-na no vazio.&lt;br /&gt;Íris acompanha escandalizada toda a acção. Quer reclamar mas não consegue. As lágrimas correm pelo seu rosto amargas, grossas. Quando todos se afastam, olha lá para baixo e grita à rocha.&lt;br /&gt;- Perdoa-lhes rocha, que eles não sabem o que fazem!&lt;br /&gt;A rocha que não pára de se rir, responde:&lt;br /&gt;- Não faz mal, Íris. Eu mudei, eu mudei!&lt;br /&gt;Íris aprende a calar. Por isso se separa cada vez mais dos outros e se torna mais estranha aos seus olhos.&lt;br /&gt;A Avó Grande chama Íris. Ela só costuma falar com os pais e as mães e, mesmo assim, só quando é necessário. Íris está intrigada. Não sente medo mas também não se sente muito à vontade.&lt;br /&gt;A Avó Grande é pequena, tem o cabelo e os olhos quase brancos. Está sentada num banco de pedra à porta da sua casa Como é que alguém tão pequeno pode dominar tantos? A voz sai-lhe lenta esganiçada e começa por perguntar:&lt;br /&gt;- És tu Íris. A Sétima de Tamara?&lt;br /&gt;- Sim, sou eu. E tu? Tu és a Avó Grande que comanda o destino do nosso clã e mantém o seu silêncio?&lt;br /&gt;A velha franze o nariz, não está habituada a que a interpelem. Principalmente por uma garotinha que ainda nem chegou à puberdade. Por isso quando fala novamente é como se um vento gelado soprasse.&lt;br /&gt;- Uma criança não faz perguntas. Limita-se a obedecer e a ouvir o que os mais velhos lhe dizem. Sabes porque te chamei?&lt;br /&gt;- Não...quer dizer, talvez porque mudei a rocha num pássaro... Mas o pássaro não voava!&lt;br /&gt;- Um pássaro de pedra ! Um ídolo! Uma blasfémia menina!- grita agastada a Avó Grande- E há mais, fazes as flores perfumarem o ar como se enlouquecessem, dizem até, que falas com as fontes e os astros. É verdade, Íris?&lt;br /&gt;- É...é verdade! Não vejo que mal tenha isso. A divindade que habita em mim, é a mesma que habita todos os seres. É natural que me entenda com eles.&lt;br /&gt;- Blasfémia, blasfémia menina!&lt;br /&gt;É segunda vez que a Avó Grande usa aquela palavra! Não a conhece bem. Não é o mesmo que verdade nem o mesmo que mentira. É uma palavra que fere e não sabe porquê.&lt;br /&gt;- Avó Grande o que é blasfémia?&lt;br /&gt;- Blasfémia é o pecado maior. A divindade que habita os seres é silenciosa e tu pões nela a palavra.&lt;br /&gt;- Mas...Avó Grande, as palavras não são minhas, são palavras de troca que o pensamento transporta.&lt;br /&gt;- Cala-te. Cala-te. Serás votada ao silêncio. Ao silêncio absoluto. Durante sete luas ninguém te dirigirá palavra e tu não te dirigirás a ninguém. É o castigo.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Vai-te! -Que eu não te torne a ouvir nem a ouvir o teu nome nesse espaço de tempo. De contrário serás banida.&lt;br /&gt;Íris regressa com o silêncio. Tem vontade de chamar hipócritas a todos aqueles que falam com o pensamento mas não têm a coragem de o fazer de viva voz. A tortura dos homens é grande. Só lhe resta a fuga para os recantos mais escondidos e falar, falar com os animais, as plantas, a terra e as águas que não sabem o que é blasfémia e lhe respondem.&lt;br /&gt;Íris já sabe calar. Mas continua separada dos outros porque é estranha aos seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tortura do silêncio mantém-se. Íris passa ainda mais tempo nos montes junto da natureza. Ninguém se importa com ela. Os estranhos não são bem aceites. Íris é uma estranha.&lt;br /&gt;Ouve-se um grito lá em baixo. Íris acorre preocupada. Junto dos tanques de tingimento das lãs estão três mulheres petrificadas de medo. Um lobo enorme e preto, de baba escorrendo pelas queixadas e olhos vermelhos ameaça atacar.&lt;br /&gt;Quando Íris chega o lobo sobressalta-se. Ela baixa-se até ele. Afaga o seu lombo, a sua cabeça, levanta-lhe uma das orelhas e segreda-lhe qualquer coisa. O lobo parece compreender. Lambe-lhe as mãos e parte.&lt;br /&gt;O espanto das mulheres é tão grande que uma delas desmaia. As outras tremem. Íris afasta-se também e vai para debaixo da sua árvore preferida. Uma figueira mansa. Sente uma dor enorme no seu peito. Uma dor que se mistura com a náusea e a faz fechar os olhos e deitar-se no chão.&lt;br /&gt;De repente sente-se levada, olha para baixo mas o seu corpo continua estendido de bruços no chão. À sua frente um vulto luminoso e amarelo dá-lhe a mão e leva-a a planar sobre toda a área do clã. entra nas casas e ninguém a vê. Leva-a até ao carreiro, pede-lhe que o siga. Íris pela primeira vez na sua vida sente medo e regressa ao seu corpo debaixo da figueira. É quase manhã e nesse dia ela não cumprimentou o Sol.&lt;br /&gt;A população do clã vem em grupo até ela. Ouve gritar:&lt;br /&gt;- Banida! Banida! Vai-te embora. Vai-te embora!&lt;br /&gt;O corpo de Íris treme. Faltam-lhe as forças. Mas o medo é maior e empurra-a para o carreiro que vai dar à aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-198841162512166034?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/198841162512166034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=198841162512166034&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/198841162512166034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/198841162512166034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-evangelho-de-iris_11.html' title='O Evangelho de Íris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpabyNMilI/AAAAAAAAAko/iXTIDch41S8/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6606336794753000484</id><published>2009-11-11T06:27:00.001Z</published><updated>2009-11-11T06:29:09.355Z</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpZq9tJudI/AAAAAAAAAkg/cyPnTLBBgsI/s1600-h/image0056.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402729297637652946" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpZq9tJudI/AAAAAAAAAkg/cyPnTLBBgsI/s320/image0056.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Recordações&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de um primeiro sono profundo e sossegado, o homem entrou num outro sono, pesado, preenchido de sonhos.&lt;br /&gt;Viu-se multiplicado como numa sala de espelhos. Cada expressão, cada gesto era copiado simetricamente por todos os outros.&lt;br /&gt;O espaço onde se encontrava era indefinido, vago! Envolvia-o uma bruma angustiante que o impedia de reconhecer os limites. Aqui e além vislumbrava silhuetas de árvores nuas e rostos muito brancos que o mimavam. Quando pronunciava um som, uma palavra, via apenas reflectido o movimento dos lábios, já que a ausência de ruído era absoluta.&lt;br /&gt;Em jeito de desafio, avançou para o que estava mais próximo. Estendeu os braços para o tocar, tocou-o, mas não sentiu nada... as mãos interpenetravam-se, fundindo-se. Recuou. Onde estava?&lt;br /&gt;Já não tinha medo, mas a curiosidade levou-o a desejar outro lugar.&lt;br /&gt;Uma a uma, as cópias tomaram as formas do seu passado! Ali, um menino de escola brincando com o seu avião simulando voos acrobáticos. Mais à frente, um rapazinho debruçado num muro imaginário e estendendo o olhar sobre o abismo. Um pouco mais distante, um jovem nadando furiosamente num mar vigoroso que vinha morrer na praia dourada. Depois, um homem rodeado de gente, erguendo no punho um diploma enrolado.&lt;br /&gt;Reconheceu-se.&lt;br /&gt;Reconheceu os momentos de herói provisório que havia vivido.&lt;br /&gt;Estava orgulhoso de si mesmo!&lt;br /&gt;Ele era o guerreiro feito à medida da sua luta.&lt;br /&gt;Esticando-se, o corpo cresceu-lhe e rodeou como uma circunferência o mundo inteiro, de uma forma maternal com o peito e o ventre colados a ele numa atitude interna de posse.&lt;br /&gt;Essa imagem pairou durante largo tempo no universo escuro que a continha e só a sua florescência impedia de se tornar real. Ele sentiu-se nessa hora, o Senhor!&lt;br /&gt;Acordou com o vento a bater nos vidros da janela, o céu estava nublado e prenunciava um dia desagradável. Há tanto tempo que não sentia a macieza de uma cama! Merecia-o. Deixou-se ficar nessa modorra vendo a manhã passar. Relembrou as imagens do seu sonho mas não se deu ao trabalho de as analisar. Fora só um sonho!&lt;br /&gt;Involuntariamente, fechou de novo os olhos...&lt;br /&gt;A mulher bateu à porta.&lt;br /&gt;Sobressaltado, levantou-se e pigarreou uma desculpa. Vestiu-se à pressa e desceu. Passava do meio-dia.&lt;br /&gt;A mulher serviu-lhe o almoço. Ele olhou-a com olhos de homem. Ela deixou-se olhar. Sem saber porquê decidiu ficar mais um dia. Propôs isso à mulher e ela, naturalmente, aceitou.&lt;br /&gt;Enquanto ela lidava, o homem observava-a. Ás vezes levantava-se nervoso e ia até à porta, sacudia as pernas como para as sentir presas ao corpo. Depois voltava a sentar-se na sala só para a ver.&lt;br /&gt;A mulher não possuía nenhum atributo demasiado relevante, mas tinha nela algo que o segurava. A dada altura ela passou junto a si, ele tocou-a, e ela enfrentou-o. Ficaram parados, inquirindo-se. Não havia nada para dizer com palavras porque o calor da proximidade dos corpos falava em todo o seu tremor. Um desejo imenso tomou conta de ambos...&lt;br /&gt;Durante toda a tarde se roçaram e amaram em pensamento, fantasiando antecipadamente todos os gestos.&lt;br /&gt;Ao anoitecer, em cumplicidade, subiram ambos para o quarto e permitiram que a torrente estrangulada do dia brotasse e queimasse os seus corpos.&lt;br /&gt;No final da madrugada e pela primeira vez, a mulher fez uma pergunta:&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;Ele ficou acordado e numa voz surpreendentemente clara, respondeu:&lt;br /&gt;- Eu olhava e não te olhava. Dirigia o meu olhar para ti. Mas era de ti que vinha o meu olhar!&lt;br /&gt;Ela sorriu e aconchegou-se na concha do homem. Ele sorriu e sentiu-se de novo a circunferência do mundo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6606336794753000484?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6606336794753000484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6606336794753000484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6606336794753000484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6606336794753000484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-caminheiro_11.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvpZq9tJudI/AAAAAAAAAkg/cyPnTLBBgsI/s72-c/image0056.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5824732608363091235</id><published>2009-11-08T16:22:00.001Z</published><updated>2009-11-08T16:30:38.080Z</updated><title type='text'>Ao Acordar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbyDXTWOzI/AAAAAAAAAkY/_TPK3KGVVWs/s1600-h/sur+140.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401770942686182194" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbyDXTWOzI/AAAAAAAAAkY/_TPK3KGVVWs/s320/sur+140.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;MEU AMIGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Tu que passas individualmente&lt;br /&gt;Por esta cidade anónima,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que procuras no infinito&lt;br /&gt;O ponto fulcral da glória,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda, vem, agarra a minha mão&lt;br /&gt;E chora, chora a tua intensa solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que olhas o teu umbigo&lt;br /&gt;E esqueces o resto do corpo sem razão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que aqueces o teu peito&lt;br /&gt;Apenas com a voz da tua garganta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-te que fora de ti, existes tu&lt;br /&gt;Reflectido nos olhos de quem te vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que há as mãos que te tocam e seguram&lt;br /&gt;O fio delgado que te prende à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorda, meu amigo, que é tempo&lt;br /&gt;De fazer coisas e deixar rasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com elas que serás eterno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5824732608363091235?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5824732608363091235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5824732608363091235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5824732608363091235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5824732608363091235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/ao-acordar_08.html' title='Ao Acordar'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbyDXTWOzI/AAAAAAAAAkY/_TPK3KGVVWs/s72-c/sur+140.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3181314255470519592</id><published>2009-11-08T16:19:00.001Z</published><updated>2009-11-08T16:21:59.657Z</updated><title type='text'>O evangelho de Iris</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbwIE2OutI/AAAAAAAAAkQ/E_op0eevwns/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401768824608307922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbwIE2OutI/AAAAAAAAAkQ/E_op0eevwns/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;TAMARA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já ontem ameaçava... O calor abafado e o céu de chumbo bem o previam... O temporal desencadeou-se a meio da noite, para além dos trovejos e chuva grossa, o vento enlouquecido parece descabelar todas as casas, arrancar todas as árvores. O caudal passa pela rua em atropelo. Tudo treme e geme...&lt;br /&gt;No interior do casebre, na sua cama, geme também Tamara, a mãe velha. Já pariu seis vezes. Não é novidade. Sabe como se desenrola o fio. Primeiro a sensação de ardor junto dos rins que lhe apanha o ventre, depois a ardência torna-se pouco a pouco numa insistente e regular dor impossível de desprezar. Pode demorar horas, ás vezes dias. No entanto esse processo tem um fim. Um fim que é um começo, com o rebentar das outras, mais fortes, mais profundas, que parecem arrancar todos os órgãos internos. Dores molhadas.&lt;br /&gt;Com ela, não costuma ser demorado, acaba abruptamente com a expulsão de um ser que ela não compreende muito bem como foi que lá cresceu. Depois, depois gosta de sentir aquela pequena coisa a mexer, a chorar, a cheirar a sua pele. Seis vezes! Seis mulheres que darão ao seu clã outras oportunidades de crescer.&lt;br /&gt;Costuma pedir ajuda a Vanda ou a Marta, suas irmãs e vizinhas. Mas hoje, a madrugada está louca e mesmo que mandasse uma das suas filhas buscar as tias, ia ser difícil elas virem. Talvez de manhã o tempo ajude e ela possa ter a sétima com conforto. É a sétima, disso tem a certeza. Mais uma mulher em casa! É uma honra, segundo a tradição, ter sete filhas. O mais natural é não ter mais filhos depois desta. A idade já não favorece. Antes dela teve dois abortos e daí para a frente é muito provável ter mais. Por isso a Sétima vem na hora certa.&lt;br /&gt;As filhas, alheias ao que se passa, dormem no espaço do lado dividido pela parede frágil. Duas já passaram a puberdade mas vivem ainda com a mãe. Se ela as chamasse?...&lt;br /&gt;Mas não, deixá-las dormir. Por enquanto aguenta. O pior é que o peito parece rebentar, o coração pula apressado e o calor sufoca-a, tem sede, mas sente que as pernas não vão aguentar o peso.&lt;br /&gt;Ainda falta algum tempo para que o dia aclare. Talvez se dormisse um pouco... Se as dores abrandarem é o que vai tentar fazer. Dormir. Sente o sono vir. Suave como um bálsamo. Às vezes não sabe se está a sonhar, ou se está acordada. Deve ser da febre... Há-de passar!&lt;br /&gt;O quarto ilumina-se suavemente. Uma luz azulada percorre-o, preenche-o e, dá uma sensação diferente a tudo o que conhece. Dessa luz, sai de repente, um vulto de azul mais carregado que se dirige a ela. Não percebe muito bem se é homem ou mulher. Só vê o seu sorriso doce e sente as suas mãos macias. Comunicam-se mas não utilizam palavras, apenas ideias através do pensamento de ambos:&lt;br /&gt;- Está próximo, mulher, muito próximo...&lt;br /&gt;- O que é que está próximo? Quem és ? Que fazes comigo?&lt;br /&gt;- Schiu...Calma! A Sétima! Aquela que virá de ti! Trocarás o teu espaço pelo dela. Porque ela será diferente. Será ela que tornará os homens e as mulheres diferentes.&lt;br /&gt;- Como? Porquê?&lt;br /&gt;- Porque o desejaste. Porque o mereceste. A Sétima será a Primeira.&lt;br /&gt;- Não percebo.&lt;br /&gt;- Agora não. Depois. Depois de feita a troca. O teu corpo deu-lhe a matéria, mas o seu espírito encerra já o conhecimento. Foste tu que o desejaste.&lt;br /&gt;- Eu? Quando?&lt;br /&gt;- Tu. Quando te dirigiste à montanha do Sol e disseste:" Que o espírito me escolha e se torne carne."&lt;br /&gt;- Eu disse isso? Quando?&lt;br /&gt;- Ainda antes de nasceres nesta vida. Foi noutra, numa vida em que o sofrimento te era incompreensível e tinhas o coração tão magoado que pensavas carregar a dor colectiva.&lt;br /&gt;- Não me lembro.&lt;br /&gt;- Suave foi o teu esquecimento...&lt;br /&gt;- Foi isso que pedi A quem não tem nome mas tem vida?&lt;br /&gt;- Foi.&lt;br /&gt;- Então percebo. Faça-se em mim a Tua vontade e Graças a ti por tua lembrança.&lt;br /&gt;- Estás pronta?&lt;br /&gt;- Estou pronta.&lt;br /&gt;O espírito decresceu. Decresceu tanto que o corpo da criança que saía o acolheu. A aurora surgiu radiante e o corpo de Tamara sossegou cumprindo o seu destino.&lt;br /&gt;Nasceu a Sétima! Nasceu a Sétima! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3181314255470519592?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3181314255470519592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3181314255470519592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3181314255470519592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3181314255470519592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-evangelho-de-iris_08.html' title='O evangelho de Iris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbwIE2OutI/AAAAAAAAAkQ/E_op0eevwns/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2355796716947169722</id><published>2009-11-08T16:01:00.002Z</published><updated>2009-11-08T16:18:59.547Z</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbvVzDlSUI/AAAAAAAAAkI/dSdsMGg9QiM/s1600-h/image0056.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401767960839014722" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbvVzDlSUI/AAAAAAAAAkI/dSdsMGg9QiM/s320/image0056.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A pensão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando abriu os olhos compreendeu que ainda estava sentado na esteira e protegido pelos muros da ermida. Tacteou os braços, o peito e o ventre verificando se havia vestígios da “luta”.&lt;br /&gt;Nada. À parte a cor afogueada, resultante da exposição ao calor, a pele apresentava-se intacta, nem um arranhão! Tudo se passara no domínio de outros espaços! Ele vencera. E isso tornava-o diferente do homem que naquela manhã se encolhera. A sua glória varrera de dentro de si o medo.&lt;br /&gt;Preparou as coisas e, com um passo firme, marchou de encontro ao mundo. Estava cheio de admiração por si próprio, tudo agora lhe parecia vulgarmente pequeno! Deixou de ouvir o gorjeio dos pássaros, o restolhar dos coelhos a fugir, a serrazina dos grilos. A noite aproximou-se e tornou tudo de uma mesma cor!&lt;br /&gt;A povoação era já ali.&lt;br /&gt;À sua entrada, como convidando, havia uma pensão. Pequenina, mas com um aspecto agradável! De dentro vinha um cheiro bom de sopa acabada de fazer. Entrou.&lt;br /&gt;A sala era toda branca e castanha.&lt;br /&gt;Branca da cor das paredes caiadas de fresco, castanha dos madeiros patinados e sólidos.&lt;br /&gt;Havia seis mesas quadradas prontas a servir, um balcão e umas escadas que ligavam ao andar de cima.&lt;br /&gt;Uma mulher apareceu. Era bonita, desenxovalhada, com ar de quem estava habituada a decidir. Quando falou, a voz saiu-lhe forte, ligeiramente rouca, mas segura do que oferecia.&lt;br /&gt;O homem pediu uma refeição quente, um banho e uma cama. Ajustaram o preço. Não era caro! A mulher subiu as escadas e ele seguiu-a.&lt;br /&gt;Mostrou-lhe o quarto mobilado modestamente cheirando a limpo. Gostou dele.&lt;br /&gt;Ela deixou-o, e ele dirigiu-se ao duche. Ah como era bom sentir a água correndo, morna, lavando-o do cansaço e das emoções! Demorou algum tempo a fruir a frescura desse banho. Depois vestiu a outra muda de roupa que trazia consigo e penteou-se cuidadosamente.&lt;br /&gt;Desceu à sala e encontrou uma mesa posta com um fumegante prato de sopa, pão e vinho. Comeu devagar, se o tivesse feito mais rápido sofreria um enjoo. Soube-lhe bem! A mulher trouxe-lhe ainda um prato de guisado e ele saboreou cada pedaço como se fosse a primeira vez. Já não pensava em nada. Agora o que era importante, era manter o corpo forte.&lt;br /&gt;Quase no fim da refeição olhou a mulher que estava ali à sua frente, calada e serena. Agradeceu-lhe, mas ela encolheu os ombros, estava a ser paga pelo serviço! Não fizera mais do que uma troca...&lt;br /&gt;Arrastou a cadeira para trás e esticou as pernas. Estava satisfeito, completo! Ficou assim durante algum tempo, depois levantou-se e foi até à entrada. O ar do campo entrou-lhe pelo nariz e perfumou-lhe a alma. Atentou aos ruídos nocturnos, eram sons de vida! O luar diluía-se pelo céu tornando mágico o momento!&lt;br /&gt;Quando regressou ao quarto estendeu-se abandonado no conforto da cama e, adormeceu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2355796716947169722?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2355796716947169722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2355796716947169722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2355796716947169722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2355796716947169722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-caminheiro_08.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SvbvVzDlSUI/AAAAAAAAAkI/dSdsMGg9QiM/s72-c/image0056.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-601024845438917757</id><published>2009-11-03T07:17:00.001Z</published><updated>2009-11-03T07:19:52.580Z</updated><title type='text'>Ao acordar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_Zd8lGf-I/AAAAAAAAAkA/7-UiJJFR0rw/s1600-h/202px-Cardoso08.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 202px; FLOAT: left; HEIGHT: 249px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399773586741690338" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_Zd8lGf-I/AAAAAAAAAkA/7-UiJJFR0rw/s320/202px-Cardoso08.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;DESEJO ACORDADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordaste-me o desejo e subtraíste-me a chave&lt;br /&gt;Que a minha alma inquieta guardava fechada.&lt;br /&gt;Num esgar de deleite, de repente, soltaste&lt;br /&gt;A esperança que me fora proibida e, alcançaste&lt;br /&gt;O meu peito, que num ímpeto de ansiedade&lt;br /&gt;Se abriu, feminino, a uma espécie de felicidade.&lt;br /&gt;Agora manténs secreta uma esquiva distância&lt;br /&gt;Como se fora apenas brincadeira de infância.&lt;br /&gt;Torturas o meu corpo sem o tocares e, por o não roçares&lt;br /&gt;Magoas-me a alma, que vive a intolerância.&lt;br /&gt;Onde pensas que podes ainda abrir e ferir?&lt;br /&gt;Eu, aquela que ainda vive e é capaz de rir!&lt;br /&gt;Destapa-te desse lençol de confusão e procura&lt;br /&gt;Dentro da minha ilusão a gargalhada pura.&lt;br /&gt;Porque escondes os sentimentos dentro de ti?&lt;br /&gt;Fala, fala com o teu corpo dentro de mim!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-601024845438917757?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/601024845438917757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=601024845438917757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/601024845438917757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/601024845438917757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/ao-acordar.html' title='Ao acordar'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_Zd8lGf-I/AAAAAAAAAkA/7-UiJJFR0rw/s72-c/202px-Cardoso08.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2751704035648259558</id><published>2009-11-03T07:10:00.002Z</published><updated>2009-11-03T07:14:56.884Z</updated><title type='text'>O Evangelho de Iris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_YaBVgKGI/AAAAAAAAAj4/ZHoXY75KpFE/s1600-h/ad_20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399772419787335778" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_YaBVgKGI/AAAAAAAAAj4/ZHoXY75KpFE/s320/ad_20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GERAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre o oceano bravio e a serra áspera já calva de erosão, à distância de uma manhã da aldeia mais próxima, fica Geração. Um lugar em que as casas de barro e areia dão guarida a uma família, a um clã, que não tem para comunicação mais que um carreiro torto e pedregoso, e que devido ao seu isolamento, vinca as suas particularidades. Não chegam as trezentas almas incluindo crianças, não têm lugar de culto, escola ou órgão representativo de poder que lhes lembre que fazem parte deste planeta. Todo o seu património é colectivo e todos os seus bens são retirados da terra. Os pouquíssimos objectos que não podem ser produzidos por si, trazem-nos de longe em longe, e porque que necessidade a isso obriga, por um voluntário que se dirige à aldeia vizinha. Como não comercializam, não têm moeda de pagamento, recorrem à troca directa onde a boa vontade dos aldeões acaba por aceitar, mais como por superstição do que por solidariedade. Geralmente trocam cabras, ovelhas ou animais de pêlo, apanhados em armadilhas, por lâminas, pregos ou outros utensílios.&lt;br /&gt;A comunidade vive sob a autoridade do mais velho elemento. Tradicionalmente é uma mulher, uma avó, por quem nutrem imenso respeito e reverência. Ela, pela sua experiência lega aos outros a sabedoria e a justiça. Também é ela que decide quando devem ser feitas as sementeiras ou as colheitas, ou ainda, quando é necessário que um emissário enfrente o mundo exterior e vá até à aldeia.&lt;br /&gt;O casamento, digo antes, o acasalamento, não é monogâmico, nem esse conceito é perceptível por eles. Apesar de tudo evitam as ligações entre pais e filhos e entre irmãos, quase como por instinto, em defesa do seu património genético. A mãe é quem fica encarregue da educação e da subsistência dos filhos. Os homens respeitam as crianças mas não nutrem por elas nenhum sentimento paternal. Defendem-nas, vigiam-nas mas separam-se totalmente dos aspectos afectivos. A partir da puberdade os rapazes desligam-se das mães e passam a acompanhar os homens adultos, enquanto as raparigas começam também a assumir as suas funções femininas. Não há rivalidade entre os dois sexos, mas sim uma espécie de cumplicidade.&lt;br /&gt;A moral existente é um conjunto de regras aceites comummente. Fechados em si próprios, receiam o que vem do exterior e hostilizam os forasteiros que por qualquer razão atravessam os seus domínios. Embora não utilizem armas nem se possam considerar guerreiros, mantêm para com os outros uma total frieza que desmotiva qualquer um. Não dão, nem recebem com facilidade, como se esse facto implicasse o abaixamento das suas defesas.&lt;br /&gt;Vivem um presente contínuo.&lt;br /&gt;Fisicamente são todos parecidos. Nem de outra maneira poderia ser; não muito altos, secos e rijos. A pele é muito branca, quase leitosa, enquanto os olhos e os cabelos variam de azul a cinzento, de vermelho a castanho. Proporcionalmente têm os membros muito compridos em relação ao tronco curto e estreito. São ágeis, resistentes, quase incansáveis.&lt;br /&gt;Apesar do grupo ser muito silencioso, têm um vocabulário extenso e o seu pensamento não é linear. Chegam a ter um gosto pelo poético das palavras e pela sua musicalidade. Mas, como em tudo o que fazem, a sua arte é íntima e só se manifesta em ocasiões muito especiais. Nas longas noites de invernia ou nas tardes ardentes de verão, quando o trabalho físico é quase impossível de realizar, juntam-se numa espécie de assembleia e dão largas aos seus dotes numa disputa saudável de reconto de poemas e histórias.&lt;br /&gt;Professam uma ideia de sobrenatural. Consideram as forças da natureza ou os próprios elementos portadores da divindade única existente. Essa divindade não tem nome, é simplesmente divindade. Respeitam os ciclos naturais e agradecem à divindade única que se manifesta na terra, na chuva, no vento, todas as suas benesses e sobretudo, têm de si mesmo a ideia de que fazem parte desse corpo divino. Para eles qualquer que seja o ser, animal, planta ou rocha é composto de duas partes; a eterna, que transmigra de forma em forma e vive para todo o sempre e, a outra, que só é utilizada em cada vivência e que alimenta com os seus despojos a primeira. Assim o nascimento e a morte têm uma importância relativa. Pois que cada morte dá vida e cada vida tem morte. Sem religião instituída não têm festividades exaltadas. Para eles o nascimento e morte de um ser humano é tão importante como o despontar de uma seara ou a queda de um rochedo.&lt;br /&gt;As suas vidas são círculos concêntricos.&lt;br /&gt;Não parecem aspirar à evolução. Não utilizam a escrita e tudo o que sabem é transmitido oralmente e guardado na memória ao longo das suas existências.&lt;br /&gt;Não se esforçam por mudar. Aliás, a mudança de hábitos é para eles uma violação, tão grande que quase não sobrevivem.&lt;br /&gt;No entanto, apenas à distância de uma manhã, o mundo «civilizado» evolui.&lt;br /&gt;Geração é um hiato da História da Humanidade e não se sabe até quando conseguirá essa (in)diferença... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2751704035648259558?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2751704035648259558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2751704035648259558&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2751704035648259558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2751704035648259558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-evangelho-de-iris.html' title='O Evangelho de Iris'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_YaBVgKGI/AAAAAAAAAj4/ZHoXY75KpFE/s72-c/ad_20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4077297830416836799</id><published>2009-11-03T07:07:00.002Z</published><updated>2009-11-03T07:10:03.546Z</updated><title type='text'>o CAMINHEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_XRBmm1RI/AAAAAAAAAjw/Tcyy_U6n7hI/s1600-h/2005.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 101px; FLOAT: left; HEIGHT: 80px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399771165728625938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_XRBmm1RI/AAAAAAAAAjw/Tcyy_U6n7hI/s320/2005.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A luta&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma nuvem de vapor abafava o azul carregado do céu envolvendo-o em ameaças.&lt;br /&gt;O silêncio absoluto permitia distinguir o crepitar das folhas secas, o ligeiro zumbido dos insectos e o coaxar longínquo de rãs em um qualquer charco.&lt;br /&gt;Sem se encostar à parede para não adormecer, fechou os olhos e regulou a respiração. A princípio tudo eram manchas vermelhas, alaranjadas e negras, depois pouco a pouco, enquanto calava o pensamento, formaram-se as imagens. Partiu com elas.&lt;br /&gt;Encontrou-se no meio de um vale desértico ao lusco-fusco. As montanhas erguiam-se como agulhas e rompiam o alto, profundamente! O quartzo-róseo das rochas provocava reflexos que quase o cegavam. Todo o seu corpo parecia esmagado com a energia emanada delas.&lt;br /&gt;Ficou quieto. A habituar-se...&lt;br /&gt;O vento veio enrodilhá-lo de poeira. Era frio, quase gelado...&lt;br /&gt;Gritos acutilantes penetraram então o vale. Asas negras de aves de grande porte surgiram sobre si. A primeira reacção foi encolher-se, depois pensou ainda em fugir, recolher-se entre as arestas das rochas. Mas ele estava ali para vencer e não para ser derrotado. Por isso fincou os pés na terra, como num desafio e, esperou.&lt;br /&gt;Uma a uma, como obedecendo a uma ordem maior, foram pousando em círculo à sua volta, olhando-o de lado com um único olho amarelo e ameaçador.&lt;br /&gt;O terror voltou a encharcar-lhe o corpo, desta vez de um suor pegajoso e frio. Sabia que empalidecera, que as pernas esticadas tremiam. Não possuía qualquer arma com que se defendesse. Descobriu então que isso excitava as aves, que estas estendiam as asas, prolongavam os pescoços e abriam o bico prontas a despedaçá-lo. Então pensou que elas eram apenas animais movidos por instintos e por um espírito de grupo rudimentar e que ele era um homem pleno na sua individualidade, capaz de usar para além das emoções a sua inteligência lógica.&lt;br /&gt;Deu um salto para a frente e lançou um grito de guerra. As aves sobressaltaram-se e desmancharam o círculo desorientadas. Colocaram-se então a uma distância prudente esperando novas ordens. Uma delas que parecia dominar o bando, levantou voo e desceu perpendicular à sua cabeça.&lt;br /&gt;Era o sinal!&lt;br /&gt;Reunindo todas as forças, ele lutou com a ave. Ela arrancava-lhe pedaços de carne nas suas investidas, ele arrancava-lhe porções de penas na sua defesa.&lt;br /&gt;O duelo tomava agora proporções angustiantes.&lt;br /&gt;A um novo grito, outras aves vieram. Não todas, mas algumas delas... usando todos os seus recursos, com brados e pedras, o homem excedia-se.&lt;br /&gt;O tempo parecia parado e os movimentos repetidos constantemente. Toda a fúria que havia dentro dele soltou-se e já sem limites, redobrou-se de forças e conseguiu agarrar o pescoço serpentilíneo da ave maior e atirá-la ao solo. Pisou cada uma das suas asas, ignorou o ataque das outras e foi estrangulando-a, torcendo sem piedade até ouvir o som dos ossos partidos e sentir o estrebuchar do corpo em agonia. O bando afastou-se...&lt;br /&gt;A morte foi breve. O bando órfão levantou voo entrechocando-se no ar, procurando as escarpas mais altas para chorar o seu chefe.&lt;br /&gt;O rosto do homem estava desfigurado, o sangue e a terra, o suor e o brilho da vitória escorriam até ao seu peito.&lt;br /&gt;- Vitória! - Gritou. – Vitória... vitória... – sussurrou.&lt;br /&gt;E deixou-se cair em gargalhadas no pó do chão avermelhado e penugento.&lt;br /&gt;Olhou o cadáver torcido no meio da arena.&lt;br /&gt;Ele era o Homem! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4077297830416836799?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4077297830416836799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4077297830416836799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4077297830416836799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4077297830416836799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/11/o-caminheiro.html' title='o CAMINHEIRO'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Su_XRBmm1RI/AAAAAAAAAjw/Tcyy_U6n7hI/s72-c/2005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6492978761131834039</id><published>2009-08-18T09:48:00.002+01:00</published><updated>2009-08-18T09:52:29.292+01:00</updated><title type='text'>Tudo correu bem</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Soprv4Bhm7I/AAAAAAAAAjo/0zj3YR-MkF4/s1600-h/carinha_gargalhando.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 89px; DISPLAY: block; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371223975829543858" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Soprv4Bhm7I/AAAAAAAAAjo/0zj3YR-MkF4/s320/carinha_gargalhando.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em breve voltarei. Prometo! A operação correu bem e estou a recuperar. depois dou mais notícias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6492978761131834039?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6492978761131834039/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6492978761131834039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6492978761131834039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6492978761131834039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/08/tudo-correu-bem.html' title='Tudo correu bem'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Soprv4Bhm7I/AAAAAAAAAjo/0zj3YR-MkF4/s72-c/carinha_gargalhando.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8412632486999213455</id><published>2009-07-27T08:06:00.001+01:00</published><updated>2009-07-27T08:07:48.692+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>devido a&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1SKJet8xI/AAAAAAAAAjg/QUpNm8P2fgU/s1600-h/A2a.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 90px; DISPLAY: block; HEIGHT: 80px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363033065565057810" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1SKJet8xI/AAAAAAAAAjg/QUpNm8P2fgU/s320/A2a.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1SEkST-_I/AAAAAAAAAjY/DrcowWRIdR4/s1600-h/A31.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 90px; DISPLAY: block; HEIGHT: 80px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363032969681566706" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1SEkST-_I/AAAAAAAAAjY/DrcowWRIdR4/s320/A31.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8412632486999213455?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8412632486999213455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8412632486999213455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8412632486999213455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8412632486999213455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/devido.html' title=''/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1SKJet8xI/AAAAAAAAAjg/QUpNm8P2fgU/s72-c/A2a.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1147303856191554551</id><published>2009-07-27T08:05:00.000+01:00</published><updated>2009-07-27T08:06:24.642+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>sou obrigada a fazer &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1R1joztNI/AAAAAAAAAjQ/5r52fyNm-N4/s1600-h/A23.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 90px; DISPLAY: block; HEIGHT: 80px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363032711809447122" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1R1joztNI/AAAAAAAAAjQ/5r52fyNm-N4/s320/A23.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1147303856191554551?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1147303856191554551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1147303856191554551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1147303856191554551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1147303856191554551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/sou-obrigada-fazer.html' title=''/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1R1joztNI/AAAAAAAAAjQ/5r52fyNm-N4/s72-c/A23.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3859339392363512680</id><published>2009-07-27T08:01:00.002+01:00</published><updated>2009-07-27T08:05:18.874+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1RpANh73I/AAAAAAAAAjI/8ek7SGGIlOs/s1600-h/foto6.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; DISPLAY: block; HEIGHT: 176px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363032496141365106" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1RpANh73I/AAAAAAAAAjI/8ek7SGGIlOs/s320/foto6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;tenho que passar uma féria no&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3859339392363512680?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3859339392363512680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3859339392363512680&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3859339392363512680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3859339392363512680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/tenho-que-passar-uma-feria-no.html' title=''/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sm1RpANh73I/AAAAAAAAAjI/8ek7SGGIlOs/s72-c/foto6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6454252813380469473</id><published>2009-07-05T20:26:00.001+01:00</published><updated>2009-07-05T20:29:12.443+01:00</updated><title type='text'>Desculpem lá...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD_ACq1m8I/AAAAAAAAAiI/ylhrKvhB1uQ/s1600-h/abraco039.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 171px; DISPLAY: block; HEIGHT: 188px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355060333125147586" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD_ACq1m8I/AAAAAAAAAiI/ylhrKvhB1uQ/s320/abraco039.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desculpem lá…&lt;br /&gt;Continua, sem grandes melhoras, o meu estado de saúde. Não vos solicito compaixão mas compreensão. Um dos meus impeditivos é estar sentada à mesa do pc. Outro é que com as grandes quantidades de medicação que tenho e estou, a tomar, sinto alguma dificuldade em me concentrar e desenvolver ideias. Há uma ponta de esperança pela primeira consulta de neuro cirugia, pode ser que me diagnostiquem de facto a causa de tantas dores e incómodos e, haja enfim um tratamento que me ponha, de novo capaz. Até lá, tenham paciência (que a minha já vai faltando!) e não desistem de mim.&lt;br /&gt;Um abraço&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6454252813380469473?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6454252813380469473/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6454252813380469473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6454252813380469473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6454252813380469473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/desculpem-la.html' title='Desculpem lá...'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD_ACq1m8I/AAAAAAAAAiI/ylhrKvhB1uQ/s72-c/abraco039.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5885501950774996584</id><published>2009-07-05T20:24:00.000+01:00</published><updated>2009-07-05T20:26:18.591+01:00</updated><title type='text'>Valeu a pena!</title><content type='html'>Ontem quando fui ao centro de saúde receber mais uma das injecções, reencontrei uma antiga aluna e sua mãe. Depois da conversa breve que tive com elas, regressei com o sentimento de que a minha vida profissional valeu a pena.&lt;br /&gt;Não foram os excelentes alunos que me marcaram mas aqueles que haviam sido rotulados de difíceis, foram esses a quem dei o meu melhor, por quem me esforcei mais, com quem utilizei todos os meus recursos pedagógicos e todas as minhas qualidades humanas que mais me agrada rever e, perceber que fui importante para eles.&lt;br /&gt;Fico ainda mais feliz quando os seus pais reconheceram o meu papel junto deles, que mesmo sem grandes palavras demonstram agradecimento.&lt;br /&gt;Apesar de tudo eu é que agradeço a Deus ter nascido e podido desenvolver as capacidades que me levaram a poder ajudar na formação de tantos meninos e tantas meninas. Não tenho saudades da Escola, há muitas coisas que sinto necessidade de fazer, mas fico feliz porque a minha vida não foi em vão.&lt;br /&gt;Para todos os professores que me estão a ler digo-vos: vale a pena não desistir, vale a pena acreditar e usar a linguagem do coração aliada às mais variadas técnicas! E, se por acaso, algum dos meus alunos hoje me lê, também lhe quero dizer: quanto mais te ensinei, mais aprendi contigo!&lt;br /&gt;Bem haja a vida que me deu tal graça!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5885501950774996584?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5885501950774996584/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5885501950774996584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5885501950774996584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5885501950774996584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/valeu-pena.html' title='Valeu a pena!'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6730368715944335321</id><published>2009-07-05T20:21:00.001+01:00</published><updated>2009-07-05T20:24:29.229+01:00</updated><title type='text'>Folhas soltas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD93ibumTI/AAAAAAAAAiA/P2ifr25Hq7o/s1600-h/G2TCAVEC06DCACAL571CA6S5WGMCANPZP04CAAFM5BCCA8YPQW6CA43JAN0C.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 136px; FLOAT: left; HEIGHT: 106px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355059087521257778" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD93ibumTI/AAAAAAAAAiA/P2ifr25Hq7o/s320/G2TCAVEC06DCACAL571CA6S5WGMCANPZP04CAAFM5BCCA8YPQW6CA43JAN0C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quero um arco-íris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero um arco-íris na minha túnica tumular&lt;br /&gt;Onde as cores não gritem, mas soem como um saxofone emotivo,&lt;br /&gt;Invadindo o pequeno universo feito de gente que sabe sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que a minha última vontade se cumpra&lt;br /&gt;Sem condolências, sem lamentos, sem suspiros.&lt;br /&gt;Que cantem, que contem anedotas (se possível sem brejeirice),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não quero nada, porque já tive tudo nas minhas mãos&lt;br /&gt;E agarrei a vida como o vendedor de balões,&lt;br /&gt;Oferecendo-os a quem passava por mim,&lt;br /&gt;É provável que alguns tivessem rebentado logo em seguida,&lt;br /&gt;E, outros, que se escapassem dos dedos,&lt;br /&gt;Mas alguns, muitos, penetraram no azul dos dias&lt;br /&gt;E coloriram o céu para que todos os olhassem encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arco-íris, vesti-o eu sempre.&lt;br /&gt;Talvez seja melhor… deixarem-me ir nua&lt;br /&gt;Para que assim não me engane a mim mesma!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6730368715944335321?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6730368715944335321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6730368715944335321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6730368715944335321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6730368715944335321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/folhas-soltas.html' title='Folhas soltas'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD93ibumTI/AAAAAAAAAiA/P2ifr25Hq7o/s72-c/G2TCAVEC06DCACAL571CA6S5WGMCANPZP04CAAFM5BCCA8YPQW6CA43JAN0C.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7909011485586215492</id><published>2009-07-05T20:09:00.001+01:00</published><updated>2009-07-05T20:17:48.362+01:00</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD8R5NMUaI/AAAAAAAAAh4/1EFZp_cl9eI/s1600-h/2005.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 101px; FLOAT: left; HEIGHT: 80px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355057341287649698" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD8R5NMUaI/AAAAAAAAAh4/1EFZp_cl9eI/s320/2005.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O medo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grito foi tão próximo que o gesto instintivo foi o de se baixar e tapar ambos os ouvidos.&lt;br /&gt;Mais do que agudo o grito veio de asas abertas perfurar a intimidade.&lt;br /&gt;Veio vestido de negro. Repetidas vezes. Sacudindo uns restos de raiva que se encontravam no fundo.&lt;br /&gt;Veio dilacerante remexendo na ferida que a alma encrostara.&lt;br /&gt;O coração batia agora num ritmo maior e os passos arrastavam-se vacilantes.&lt;br /&gt;Tivera medo. Um medo gelado que o prendera ao solo.&lt;br /&gt;Depois, quando o grito alcançou o outro lado da lonjura, respirou fundo e reviu mentalmente as qualidades predadoras de todas as aves que conhecia e identificou a espécie e a rota.&lt;br /&gt;Era absolutamente normal que num descampado houvesse aves daquele tipo. Fora apanhado desprevenido, fora o que fora!&lt;br /&gt;Calcou o susto... não o expulsou...&lt;br /&gt;Recordou as histórias terríveis que ouvira em criança em que pássaros gigantescos arrancavam viajantes para os levar a palácios encantados habitados por monstros.&lt;br /&gt;Recordou que era assim que se iniciava mais uma noite de terror que, invariavelmente, terminava em lençóis molhados e o chamamento aflito pela mãe.&lt;br /&gt;Os fantasmas da infância teimavam em aparecer mesmo agora que o seu corpo adulto já se controlava e que o seu raciocínio lógico se explicava.&lt;br /&gt;Lá estava o medo vencendo-o! O medo que o fez aprender a construir muros de defesa, a tornar-se senhor do universo!&lt;br /&gt;Ah não! O caminho seria longo e para isso tinha que se purificar e olhar de frente o inesperado. Como queria ele transpor a linha do infinito se se acobardava ao primeiro grito da primeira ave negra que encontrava?&lt;br /&gt;Ali estava longe das montanhas onde as aves nidificavam, era preciso procurá-las e enfrentá-las, sem isso, continuaria a agachar-se sempre que um par de asas negras se aproximasse.&lt;br /&gt;Procurou uma sombra. Podia ser aquela, encostada às ruínas da ermida sem idade. Tocou-lhe como se lhe pedisse permissão. Estendeu a esteira no chão, bebeu um gole de água, despiu-se da cintura para cima e descalçou-se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7909011485586215492?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7909011485586215492/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7909011485586215492&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7909011485586215492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7909011485586215492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/07/o-caminheiro.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SlD8R5NMUaI/AAAAAAAAAh4/1EFZp_cl9eI/s72-c/2005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2886877472873723928</id><published>2009-05-22T08:34:00.001+01:00</published><updated>2009-05-22T08:38:31.822+01:00</updated><title type='text'>Folhas soltas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZWbAdRxNI/AAAAAAAAAhw/2NQkwSmNwbg/s1600-h/BXK15424_olhar_sob_as_ondas-200.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338549430273557714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZWbAdRxNI/AAAAAAAAAhw/2NQkwSmNwbg/s320/BXK15424_olhar_sob_as_ondas-200.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O meu sono&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos bocejos do meu tédio caem gotas de saliva salgadas&lt;br /&gt;Tão salgadas como as lágrimas que guardei&lt;br /&gt;Como as palavras que não gritei e os beijos, os beijos que ficaram revoltos no ar…&lt;br /&gt;Os pêlos eriçados do meu corpo branco e vermelho&lt;br /&gt;Escondem medos e perguntas que ainda não formulei,&lt;br /&gt;Reclamam-se eléctricos, na superfície da minha pele…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já deixei de sonhar com Quixote, Rocinante e Pança.&lt;br /&gt;O Santo Graal deve estar neste momento a ser vendido a preço de saldo,&lt;br /&gt;Julieta, encontrou conforto nos braços de Midas,&lt;br /&gt;Talvez, Francisco, ainda clame sob a bandeira de um grupo de ecologistas!&lt;br /&gt;Os meus heróis de infância perderam-se no caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che, é hoje um produto de marting,&lt;br /&gt;Gandi, provavelmente adormeceu com um charro na mão,&lt;br /&gt;Lutter King, agita pateticamente a bandeira dos States.&lt;br /&gt;E os meus heróis da adolescência perderam-se no caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tão breve o meu sono!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador acaba de tocar o irritante pipipi.&lt;br /&gt;Encaminho-me para a casa de banho onde despejo toda a raiva que acumulei,&lt;br /&gt;Tomo um duche que me suja de cobardia,&lt;br /&gt;Saio para a luz crua da manhã que me torna igual,&lt;br /&gt;… feita à medida dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Executo todas as tarefas que me pedem,&lt;br /&gt;Mesmo aquelas que não conheço a utilidade,&lt;br /&gt;Sou produtiva.&lt;br /&gt;Sou cordial,&lt;br /&gt;Sou solícita,&lt;br /&gt;Sou obediente,&lt;br /&gt;Sou, sou, sou,&lt;br /&gt;E não vivo o que sou&lt;br /&gt;Porque me deixo cansar&lt;br /&gt;e voltar a adormecer&lt;br /&gt;Num sono sem sonhos.&lt;br /&gt;Pesado&lt;br /&gt;Calado&lt;br /&gt;Apagado! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2886877472873723928?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2886877472873723928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2886877472873723928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2886877472873723928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2886877472873723928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/folhas-soltas_22.html' title='Folhas soltas'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZWbAdRxNI/AAAAAAAAAhw/2NQkwSmNwbg/s72-c/BXK15424_olhar_sob_as_ondas-200.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5428968427966808678</id><published>2009-05-22T08:26:00.002+01:00</published><updated>2009-05-22T08:32:26.055+01:00</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZVAFUe_RI/AAAAAAAAAho/USNQz-imY0s/s1600-h/bul0106.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338547868210756882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 170px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZVAFUe_RI/AAAAAAAAAho/USNQz-imY0s/s320/bul0106.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZUxuDq32I/AAAAAAAAAhg/0SqhYmEo7jI/s1600-h/bul0171.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A aldeia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pára à entrada da aldeia.&lt;br /&gt;Ela é toda branca por fora mas a penumbra convive com os homens que ali vivem.&lt;br /&gt;Eles olham desconfiados o forasteiro solitário e põem-se em guarda.&lt;br /&gt;O homem encolhe os ombros. Está habituado ao medo da diferença.&lt;br /&gt;Junto de um velho poço de manivela retira da bolsa um bocado de pão endurecido e rói-o distraídamente.&lt;br /&gt;Uma bola atrevida toca-lhe os pés. O rapazito que a jogou mantém-se à distância.&lt;br /&gt;Olha para ele com o desejo de ir e de ficar.&lt;br /&gt;O homem não se mexe. Que a venha buscar! Um passo, dois, uma pequena corrida e já está!&lt;br /&gt;A bola regressou às mãos do seu Senhor.&lt;br /&gt;Do bolso dos calções tira uma laranja, olha para ela. Olha para o homem. Estica o braço.&lt;br /&gt;- Queres?&lt;br /&gt;- Muito obrigado - diz o homem sorrindo por dentro.&lt;br /&gt;A porta do conhecimento abriu-se.&lt;br /&gt;- Eu gosto de laranjas. - Afirma o rapaz.&lt;br /&gt;- Eu gosto do mundo. - Replica o homem.&lt;br /&gt;Riem-se os dois. Não se sabe muito bem porquê. Mas os risos juntos têm outro som!&lt;br /&gt;- Para onde vais? - Pergunta o garoto entre um sorriso maroto.&lt;br /&gt;- Não sei. - Responde o homem com sinceridade.&lt;br /&gt;- Estás perdido? - Volta a sorrir!&lt;br /&gt;- Não. Estou a ver se encontro. - Esclarece.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Assim não podes achar o que queres!&lt;br /&gt;- Pois não. Também não sei se quero encontrar o que desconheço...&lt;br /&gt;- É maluco! - Pensa o rapazinho.&lt;br /&gt;Acena-lhe com a mão e parte saltitante.&lt;br /&gt;O homem reabastece o cantil e parte agora. Agora que a poeira tem consigo um riso infantil! &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5428968427966808678?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5428968427966808678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5428968427966808678&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5428968427966808678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5428968427966808678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/o-caminheiro_22.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/ShZVAFUe_RI/AAAAAAAAAho/USNQz-imY0s/s72-c/bul0106.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8562742284332931898</id><published>2009-05-22T08:23:00.000+01:00</published><updated>2009-05-22T08:24:46.684+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Uma cidade quase desconhecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o navio atracou era quase manhã. Uma neblina violeta banhava-nos, fazendo-nos estremecer. Jerónimo e eu descemos a rampa e pisámos o cais.&lt;br /&gt;A primeira reacção que tive foi uma espécie de vótimo devido ao cheiro forte e desagradável que recebi. Depois, como por instinto dirigi-me a casa de meus pais.&lt;br /&gt;Lá estava ela, degradada, suja e meio abandonada. O toldo vermelho tinha agora uma cor indefinida, a loja estava entaipada, olhei o meu amigo e ele parecia indiferente às minhas emoções.&lt;br /&gt;- Jerónimo, o meu corpo gela e a minha alma treme…&lt;br /&gt;- O teu corpo é forte e, a tua alma, está preparada para o que tens a fazer. Usa a tua luz interior para te acalmar e agir.&lt;br /&gt;- Como é que me irão receber? Provavelmente pensarão que sou um fantasma! Além disso a minha roupa não se parece nada com que esta gente usa!&lt;br /&gt;Jerónimo ergueu os braços e, ao baixá-los, envolveu-me numa nuvem de poeira esbranquiçada. Instantaneamente vi-me vestido com fato de fazenda escura e de pouca qualidade. Surpreendido, percebi que só eu me transformara. Jerónimo continuava igual. Ele sorriu e disse-me:&lt;br /&gt;- Não te admires, poucos perceberão a minha presença. Aliás tens que ter cuidado porque se começares a falar comigo ao pé dos outros pensarão que estás louco!&lt;br /&gt;Respirei fundo, tinha que provar que a minha estada no Arquipélago do Ocaso não havia sido em vão. Bati duas vezes na madeira corroída da porta.&lt;br /&gt;Algum tempo depois ouvi de dentro uns passos arrastados e o tossicar de uma mulher.&lt;br /&gt;Quando abriu a porta olhou para mim como um estranho. Estava tão velha que me impressionou. Com a garganta apertada, murmurei:&lt;br /&gt;- Aceite, minha mãe, o regresso de seu filho que tanto tempo esteve afastado.&lt;br /&gt;A minha mãe recuou uns passos e empalideceu.&lt;br /&gt;- Como pode ser? O meu único filho que desapareceu aí pelo mundo foi Telmo. E, esse morreu num naufrágio há mais de quinze anos!&lt;br /&gt;- Salvei-me, minha mãe, salvei-me! Olhe bem para mim… claro que me tornei um homem… mas algum sinal deve haver em mim que confirme a minha identidade!&lt;br /&gt; Ela observou-me com mais atenção, sobretudo o rosto, os olhos…e foi aí que deu grito:&lt;br /&gt;- Os teus olhos… os teus olhos são iguais! Entra e vem ver a miséria em que me encontro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8562742284332931898?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8562742284332931898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8562742284332931898&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8562742284332931898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8562742284332931898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/telmo-o-marujo_22.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-27925556084967656</id><published>2009-05-17T11:25:00.007+01:00</published><updated>2009-05-17T11:28:41.528+01:00</updated><title type='text'>Simão César Dórdio Gomes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mxXxfeZI/AAAAAAAAAhY/d-kraP9niYE/s1600-h/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+5.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336737819326904722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 232px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mxXxfeZI/AAAAAAAAAhY/d-kraP9niYE/s320/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+5.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_msNpYCQI/AAAAAAAAAhQ/NfVVS2muy2M/s1600-h/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+4.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336737730709162242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_msNpYCQI/AAAAAAAAAhQ/NfVVS2muy2M/s320/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+4.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mmfQKVyI/AAAAAAAAAhI/AHheOYSz-xg/s1600-h/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336737632356030242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 273px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mmfQKVyI/AAAAAAAAAhI/AHheOYSz-xg/s320/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mgDyTdgI/AAAAAAAAAhA/rUyuxsugWZA/s1600-h/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336737521903826434" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 187px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mgDyTdgI/AAAAAAAAAhA/rUyuxsugWZA/s320/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mYLsLbyI/AAAAAAAAAg4/w2l3nONxE00/s1600-h/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336737386586664738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mYLsLbyI/AAAAAAAAAg4/w2l3nONxE00/s320/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-27925556084967656?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/27925556084967656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=27925556084967656&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/27925556084967656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/27925556084967656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/simao-cesar-dordio-gomes.html' title='Simão César Dórdio Gomes'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_mxXxfeZI/AAAAAAAAAhY/d-kraP9niYE/s72-c/sim%C3%A3o+c%C3%A9sar+dordio+gomes+5.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8994027469583109479</id><published>2009-05-17T11:20:00.001+01:00</published><updated>2009-05-17T11:22:22.676+01:00</updated><title type='text'>Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_lTbxWL0I/AAAAAAAAAgw/HerbjkkCsFE/s1600-h/carinha_bravo.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336736205492334402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_lTbxWL0I/AAAAAAAAAgw/HerbjkkCsFE/s320/carinha_bravo.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_lTbxWL0I/AAAAAAAAAgw/HerbjkkCsFE/s1600-h/carinha_bravo.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O menino zangado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não quero!&lt;br /&gt;- Deixem-me, não me apetece falar!&lt;br /&gt;- Quero lá saber!&lt;br /&gt;Que pena! Aquele menino tão bonito, de olhos castanhos tão grandes, falava sempre assim! Zangado com tudo e com todos, gritava constantemente, nada lhe agradava, nunca se lhe ouvia uma palavra simpática!&lt;br /&gt;Os pais, coitados, que tanto o amavam, ficavam envergonhados e desconsolados com aquele feitio e já não sabiam o que fazer para o tornar mais agradável.&lt;br /&gt;Na escola sentava-se sozinho no fundo da sala com ar amuado. Nunca emprestava nada, nunca brincava com os outros, nunca dizia uma palavra gentil a quem quer que fosse. A professora também não sabia o que mais fazer e resolveu chamar os pais para ver se em conjunto com eles descobria a razão daquela zanga, até pôs a possibilidade de o levarem a um psicólogo ou a um médico especialista pois, quem sabe? O menino sofresse de alguma doença do corpo ou da alma e não soubesse como explicar! Além disso ele também estava a ter dificuldades em aprender!&lt;br /&gt;Cabisbaixos, os pais do menino, prometeram fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para solucionar o problema.&lt;br /&gt;No dia seguinte, apareceu na escola uma nova aluna que vinha de outra cidade. Por coincidência, foi parar à turma do menino. A professora recebeu-a com alegria e pediu-lhe que escolhesse o lugar para se sentar, ela como não sabia de nada, e bem-educada, pediu licença e com um grande sorriso, sentou-se mesmo ao lado do menino. Claro que ele nem sequer olhou para ela mas a menina não se deu por achada e ficou na mesma naquele lugar. Até parecia que o sol se sentara à beira de uma nuvem cinzenta!&lt;br /&gt;Passado um bocado, a menina disse baixinho para o menino:&lt;br /&gt;- Olá, eu sou a Rita. E tu, como te chamas?&lt;br /&gt;Ele encarou-a com um ar carrancudo e não respondeu.&lt;br /&gt;Rita admirou-se mas não disse mais nada. Tirou da mochila um passarinho feito de papel branco e colocou-o em cima da mesa.&lt;br /&gt;- É um amigo meu. – Justificou.&lt;br /&gt;Ele encolheu os ombros e franziu as sobrancelhas, a Rita, não voltou a falar com ele nesse dia mas não desistiu. Durante o resto da semana, continuou a pôr o passarinho entre ela e o companheiro.&lt;br /&gt;A curiosidade acabou por vencer a zanga do menino e, uma manhã, não aguentando mais, ele perguntou:&lt;br /&gt;- Porque trazes sempre o passarinho para a escola?&lt;br /&gt;- Ah, ainda não te tinha dito! É um passarinho mágico. É ele que me ajuda em tudo, até nos deveres de casa!&lt;br /&gt;- Estás a gozar! Isso é só um pedaço de papel dobrado!&lt;br /&gt;- não estou, não. Experimenta tocar-lhe. Se quiseres até to empresto hoje. Vais ver como o teu dia te corre bem!&lt;br /&gt;Apesar de desconfiado, ele lá estendeu a mão e tocou no passarinho, e…coisa estranha! Sentiu um calorzinho nos dedos, uma espécie de formigueiro que lhe fez cócegas e, riu. Como era engraçado o seu riso!&lt;br /&gt;Claro que a professora deu logo por isso mas nem se importou, quem sabia se a Rita não estava fazendo um milagre…&lt;br /&gt;Com o tempo a passar, a Rita e o menino tornaram-se amigos. Ele melhorou a olhos vistos, começou a ouvir com atenção tudo o que ela dizia, e ficou muito mais simpático e amável com toda a gente.&lt;br /&gt;Quase no final do ano lectivo, na hora do recreio, a auxiliar veio chamá-los para irem à sala.&lt;br /&gt;Lá entraram eles, de mãos dadas, cansados e suados da brincadeira, na sal estava a professora e os pais do menino que vinham de propósito para agradecer à Rita o que ela fizera pelo filho.&lt;br /&gt;A menina, muito vermelha, respondeu timidamente que não fizera nada de especial, que fora tudo obra do passarinho mágico!&lt;br /&gt;Tanto os pais como a professora não perceberam nada até que viram um pedaço de papel saltar da carteira deles e sobrevoar as suas cabeças, voltando depois a poisar na carteira.&lt;br /&gt;Rita e o menino, olharam-se de forma cúmplice e desataram a rir às gargalhadas. Os seus risos contagiaram logo os adultos e, naquele momento, as preocupações deles desapareceram para sempre. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8994027469583109479?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8994027469583109479/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8994027469583109479&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8994027469583109479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8994027469583109479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/historias-de-mim-para-ti-ou-historias_17.html' title='Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_lTbxWL0I/AAAAAAAAAgw/HerbjkkCsFE/s72-c/carinha_bravo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4897290305812768500</id><published>2009-05-17T11:15:00.002+01:00</published><updated>2009-05-17T11:18:07.263+01:00</updated><title type='text'>Folhas Soltas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_kVW4m3WI/AAAAAAAAAgo/p2TWxQj_Gp0/s1600-h/HowardPyle_TheMermaid_1909.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336735139028720994" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 202px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_kVW4m3WI/AAAAAAAAAgo/p2TWxQj_Gp0/s320/HowardPyle_TheMermaid_1909.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em fúria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nua de raivas,&lt;br /&gt;Galgando rochedos verdes&lt;br /&gt;Como o vómito dos deuses de aquém-mar.&lt;br /&gt;Eu me solto&lt;br /&gt;Me solto&lt;br /&gt;Sem choros&lt;br /&gt;Em voos planados de poentes a nascentes&lt;br /&gt;Tanto faz&lt;br /&gt;Tanto faz&lt;br /&gt;Porque deixarei de ser limite de mim própria&lt;br /&gt;Ad eterno…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vontade de me rasgar&lt;br /&gt;Em pedaços incontáveis&lt;br /&gt;Para que a tentação de me reunir seja absurda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero morrer em pé&lt;br /&gt;Na fila de espera&lt;br /&gt;No balcão da morte asséptica&lt;br /&gt;Quero desfazer-me&lt;br /&gt;E cheirar tão mal que nada possa nascer de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte não é um ponto final.&lt;br /&gt;É um bem único,&lt;br /&gt;Um ângulo&lt;br /&gt;Na linha recta&lt;br /&gt;Correcta&lt;br /&gt;Ascética.&lt;br /&gt;É mais, muito mais,&lt;br /&gt;Uma linha que se quebra&lt;br /&gt;Nos escolhos&lt;br /&gt;Do mar perpétuo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4897290305812768500?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4897290305812768500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4897290305812768500&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4897290305812768500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4897290305812768500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/folhas-soltas_17.html' title='Folhas Soltas'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_kVW4m3WI/AAAAAAAAAgo/p2TWxQj_Gp0/s72-c/HowardPyle_TheMermaid_1909.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1059388937194836782</id><published>2009-05-17T11:09:00.002+01:00</published><updated>2009-05-17T11:13:19.973+01:00</updated><title type='text'>O caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_jLQ-oVpI/AAAAAAAAAgg/bFiMg148Kwo/s1600-h/bul0106.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336733866133051026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 170px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_jLQ-oVpI/AAAAAAAAAgg/bFiMg148Kwo/s320/bul0106.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Não há estradas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algures, os padrões de cor vão tornando as imagens visíveis. Primeiro são apenas poliedros translúcidos, depois arredondam-se desequilibrando as simetrias e, eis que chega o momento do Ser.&lt;br /&gt;O cenário é agora um mar de areia e pedra. Não há colinas, apenas alguns picos aguçados que ferem o cobalto do céu. É difícil olhar directamente para ele, a luz solar é intensíssima e fere. Os únicos sons que se ouvem são; o estalido dos ossos que se esticam e o bocejo prolongado do homem que acorda.&lt;br /&gt;É de manhã.&lt;br /&gt;Chegou a hora de recomeçar.&lt;br /&gt;O homem não tem idade, o corpo diz que é jovem mas a expressão serena desmente-o.&lt;br /&gt;Com as mãos seguras pega no cantil e bebe a água. Por ora é o único alimento a que se permite. Enrola a esteira juntamente com a manta de lã, ata o rolo com uma corda fina rematando com duas laçadas sobrepostas.&lt;br /&gt;Coloca o rolo nas costas, enfia a tiracolo o cantil e prende a pequena bolsa no cinto. Na cabeça, põe um lenço puído com nós nas pontas. Os pés estão calçados com uns ténis esfarrapados e tem na mão uma vara para ser um homem livre!&lt;br /&gt;Dirige-se para Oeste. O sol já queima as suas costas. É um fardo mais... Da garganta, sai-lhe um rouquejar lânguido como um cântico de louvor. É a sua forma de saudar o dia.&lt;br /&gt;As etapas do caminho são definidas pela resistência do corpo. Hoje a solidão vai ser sua companheira até ao lugar do repouso.&lt;br /&gt;Não há estradas.&lt;br /&gt;Apenas o traço imaginário do futuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1059388937194836782?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1059388937194836782/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1059388937194836782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1059388937194836782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1059388937194836782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/o-caminheiro.html' title='O caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sg_jLQ-oVpI/AAAAAAAAAgg/bFiMg148Kwo/s72-c/bul0106.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-4255475453222149012</id><published>2009-05-17T11:07:00.000+01:00</published><updated>2009-05-17T11:08:37.846+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A despedida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de regressarmos de novo à Ilha dos Seguidores, Estela ofereceu-me um anel de ouro com um pequeno círculo de minúsculos diamantes brancos rodeando uma pedra negra. Explicou-me ela que o anel significava o círculo do Conhecimento, os diamantes os actos de Serviço e a pedra negra, a Fé no Infinito. Agradeci comovido. Nunca havia gostado de jóias mas aquele anel era acima de tudo um símbolo, um prémio e uma prova da minha estada no Arquipélago do Ocaso.&lt;br /&gt;Depois de passarmos as Portas Sagradas esperavam-nos todos os Seguidores. Eu, não sabia… mas pressentia que todo eu resplandecia. Parecia que uma luz maior me tingira a alma e transbordava para fora do meu corpo. O meu rosto trazia uma expressão grave e plena de maturidade. Eu tornara-me num Homem!&lt;br /&gt;Um a um, abraçaram-me felizes desejando-me sucesso na minha futura etapa de vida. Jerónimo foi o último e, em vez de se despedir, confidenciou-me que iria comigo para me acompanhar, proteger e guiar na nova aventura. Fiquei admirado porque este era o Seguidor com quem tinha tido menos contacto.&lt;br /&gt;Era uma personagem um tanto estranha, muitíssimo alto e magro, parecia um junco balançando ao vento, do seu rosto também afilado sobressaía um nariz em forma de bico de águia, as sobrancelhas espessas juntavam-se em ásperos pêlos de cor branca acinzentada. A barba e o cabelo desciam até meio do peito e eram quase resplandecentes na sua alvura. Vestia uma túnica cor de noite que contrastava cor a claridade da sua figura.&lt;br /&gt;Fiquei contente com a segurança oferecida por Jerónimo e, saí da Casa confiante.&lt;br /&gt;Descemos a rampa que nos encaminhou ao cais, entramos num bote que nos levou a um navio maior. Quando me debrucei na amurada deixei que as imagens daquela que fora também a minha pátria se desfizessem na neblina rosada e, em breve, entrei num mundo de céu azul, águas ruidosas. Voltava a sentir o ciclo do dia e da noite.&lt;br /&gt;Contei cinco até perceber o horizonte negro e verde que me esperava no entanto, estremeci com os gritos das gaivotas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-4255475453222149012?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/4255475453222149012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=4255475453222149012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4255475453222149012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/4255475453222149012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/telmo-o-marujo_17.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7008978903689978812</id><published>2009-05-10T11:56:00.016+01:00</published><updated>2009-05-10T12:03:46.437+01:00</updated><title type='text'>Boticelli</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0i4o5-BI/AAAAAAAAAgY/zGMAcmrgy1E/s1600-h/44341_b~Detail-of-the-Child-with-Pomegranate-from-the-Madonna-Della-Melagrana-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334149320079439890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0i4o5-BI/AAAAAAAAAgY/zGMAcmrgy1E/s320/44341_b~Detail-of-the-Child-with-Pomegranate-from-the-Madonna-Della-Melagrana-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0bG2B3jI/AAAAAAAAAgQ/B6IoH0lnIkc/s1600-h/44371_b~Detail-from-St-Augustine-in-His-Study-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334149186453626418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0bG2B3jI/AAAAAAAAAgQ/B6IoH0lnIkc/s320/44371_b~Detail-from-St-Augustine-in-His-Study-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0TAbICuI/AAAAAAAAAgI/2cz0pbcINVc/s1600-h/44340_b~Madonna-Della-Melagrana-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334149047291218658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 132px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0TAbICuI/AAAAAAAAAgI/2cz0pbcINVc/s320/44340_b~Madonna-Della-Melagrana-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0OBoHefI/AAAAAAAAAgA/Fv-QPGL6xhM/s1600-h/33776_b~The-Virgin-and-Child-Surrounded-by-Five-Angels-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148961714797042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0OBoHefI/AAAAAAAAAgA/Fv-QPGL6xhM/s320/33776_b~The-Virgin-and-Child-Surrounded-by-Five-Angels-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0HlVQ7SI/AAAAAAAAAf4/iP6ou2KyMP8/s1600-h/29148_b~The-Agony-in-the-Garden-circa-1500-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148851040316706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0HlVQ7SI/AAAAAAAAAf4/iP6ou2KyMP8/s320/29148_b~The-Agony-in-the-Garden-circa-1500-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0BH9SmlI/AAAAAAAAAfw/8Zs71CGCcyA/s1600-h/22825_b~Mystic-Nativity-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148740075919954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0BH9SmlI/AAAAAAAAAfw/8Zs71CGCcyA/s320/22825_b~Mystic-Nativity-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgaz7Lp13qI/AAAAAAAAAfo/k7HnqIxmS6I/s1600-h/7701_b~Annunciation-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148637988871842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgaz7Lp13qI/AAAAAAAAAfo/k7HnqIxmS6I/s320/7701_b~Annunciation-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgaz06qjgYI/AAAAAAAAAfg/YN0zngz_RCU/s1600-h/2232_b~Madonna-and-Baby-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148530349244802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgaz06qjgYI/AAAAAAAAAfg/YN0zngz_RCU/s320/2232_b~Madonna-and-Baby-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazvWY4_2I/AAAAAAAAAfY/uvOHUYobsRM/s1600-h/4362_b~Portrait-of-a-Young-Man-circa-1480-85-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148434712133474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazvWY4_2I/AAAAAAAAAfY/uvOHUYobsRM/s320/4362_b~Portrait-of-a-Young-Man-circa-1480-85-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgaznhhhNgI/AAAAAAAAAfQ/NPhUnU-onLo/s1600-h/1700-9965_b~Minerva-detail-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148300262159874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 129px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgaznhhhNgI/AAAAAAAAAfQ/NPhUnU-onLo/s320/1700-9965_b~Minerva-detail-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgaziASBamI/AAAAAAAAAfI/zk-r9_XAfWw/s1600-h/1516_b~Madonna-del-Magnificat-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148205439445602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgaziASBamI/AAAAAAAAAfI/zk-r9_XAfWw/s320/1516_b~Madonna-del-Magnificat-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazbF1m1CI/AAAAAAAAAfA/TVXmMhu6gGU/s1600-h/300px-Sandro_Botticelli_046.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334148086671791138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazbF1m1CI/AAAAAAAAAfA/TVXmMhu6gGU/s320/300px-Sandro_Botticelli_046.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazV2DeaRI/AAAAAAAAAe4/IiV1URQxxLc/s1600-h/300px-Sandro_Botticelli_009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334147996535646482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazV2DeaRI/AAAAAAAAAe4/IiV1URQxxLc/s320/300px-Sandro_Botticelli_009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazQ8uCG4I/AAAAAAAAAew/4Cq-6MXuvbU/s1600-h/300px-Botticelli_Primavera.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334147912425413506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 182px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazQ8uCG4I/AAAAAAAAAew/4Cq-6MXuvbU/s320/300px-Botticelli_Primavera.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazIZEEh3I/AAAAAAAAAeo/yX7aahJVDY0/s1600-h/65px-Botticelli.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334147765415217010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 89px; CURSOR: hand; HEIGHT: 141px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgazIZEEh3I/AAAAAAAAAeo/yX7aahJVDY0/s320/65px-Botticelli.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7008978903689978812?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7008978903689978812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7008978903689978812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7008978903689978812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7008978903689978812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/boticelli.html' title='Boticelli'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sga0i4o5-BI/AAAAAAAAAgY/zGMAcmrgy1E/s72-c/44341_b~Detail-of-the-Child-with-Pomegranate-from-the-Madonna-Della-Melagrana-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-859809157723667055</id><published>2009-05-10T11:45:00.002+01:00</published><updated>2009-05-10T11:53:56.590+01:00</updated><title type='text'>Folhas soltas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgayPWEjdgI/AAAAAAAAAeg/gkXhRcJoFBY/s1600-h/simpsonsunlight-469560-ga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334146785359394306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgayPWEjdgI/AAAAAAAAAeg/gkXhRcJoFBY/s320/simpsonsunlight-469560-ga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ad-Amin-Saul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;I&lt;br /&gt;É noite.&lt;br /&gt;A cor da lua desnuda os corpos.&lt;br /&gt;O silêncio corrompe os rostos.&lt;br /&gt;Enquanto a brisa refresca.&lt;br /&gt;O grupo evidencia a individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É noite.&lt;br /&gt;Os homens não estão sós e não se confundem.&lt;br /&gt;O grande espírito do deserto repousa sobre as rochas quartzianas.&lt;br /&gt;Das túnicas agora secas desprende-se o odor do dia, do cansaço e da sede.&lt;br /&gt;As mãos agora livres, esquecem-se no colo, aturdidas.&lt;br /&gt;Já não há fome. Já não doem as pernas nem as costas no encosto do esquecimento da jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É noite e vou ali!&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ad-Amin-Saul, poeta e contador das histórias dos seus avós, veste o branco sujo da poeira e calça nos pés as sandálias do caminheiro.&lt;br /&gt;As barbas cinzento amareladas descem-lhe ao peito confundindo-se com os cabelos por onde passeiam gerações de piolhos.&lt;br /&gt;Ad- Amin-Saul, já não tem idade.&lt;br /&gt;Deixou passar o tempo...&lt;br /&gt;Ali, iluminado pela lua, é mais um.&lt;br /&gt;Perto de si dorme um dos seus filhos. É já avô. Depois os netos e os bisnetos.&lt;br /&gt;Já não tem mulheres, enfastiou-se delas, e vestiu a pele da moralidade.&lt;br /&gt;Ele é a voz da caravana, a voz do deserto ondulando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ad-Amin-Saul!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestem de lã e cobre. As mulheres&lt;br /&gt;Remendam os trapos, cochilam, amamentam os filhos, catam os netos e falam suavemente num contínuo sussurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres.&lt;br /&gt;Que o vento insulta e embravece são a continuidade.&lt;br /&gt;Não têm honras, valem pouco mais que as cabras dos seus rebanhos.&lt;br /&gt;Esperam o desejo dos homens. As mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestem-se da cor da noite.&lt;br /&gt;Adornam-se de luar.&lt;br /&gt;Enfeitam-se...&lt;br /&gt;E enfeitiçam as areias que os pés dos homens pisam.&lt;br /&gt;As mulheres!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cor-de rosa a manhã recém-vinda.&lt;br /&gt;As dunas doiradas iluminam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se tosse, gritos, mescla de brados e risos, que o canto matinal acordou.&lt;br /&gt;Enrolam-se os tapetes. Desmontam-se as tendas, desprendem-se os animais.&lt;br /&gt;Voam abutres em redor dos restos.&lt;br /&gt;Espojam-se os camelos.&lt;br /&gt;Aliviam-se os úberes caprinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alá seja louvado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta Ad-Amin-Saul na direcção do berço solar.&lt;br /&gt;Curvam-se os homens na oração.&lt;br /&gt;De novo o dia.&lt;br /&gt;De novo o deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcha lesta a caravana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ad- Amin-Saul põe a mão direita sobre o ombro do primogénito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora.&lt;br /&gt;Não há tempo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Segura tu meu filho a honra dos teus avós e deixa-me procurar o meu refúgio.&lt;br /&gt;Alá prometeu-me a vida no oásis sagrado, onde as fontes brotam cristalinas e os frutos de doce sabor acalmam a vida de secura e fome.&lt;br /&gt;Não há medo porque cumpri.&lt;br /&gt;Orei e pratiquei o bem tal como o seu profeta, o Santo Maomé, nos ensinou.&lt;br /&gt;Pega nos nossos rebanhos, nas nossas mulheres e nos filhos delas e, continua o teu caminho.&lt;br /&gt;Já caminhei o necessário.&lt;br /&gt;Agora és tu que segura o bordão.&lt;br /&gt;Eu fico aqui.&lt;br /&gt;O vento caridoso se encarregará de tapar o meu corpo com a areia que me empapou ao nascer.&lt;br /&gt;O meu espírito não te seguirá pois encontrou já o seu repouso.&lt;br /&gt;Vai!&lt;br /&gt;Aí pela noite e pela manhã!&lt;br /&gt;Aí pela tua pátria feita de panos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caravana partiu.&lt;br /&gt;O vento soprou.&lt;br /&gt;O bando de abutres soube esperar.&lt;br /&gt;A areia cumpriu o seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alá seja louvado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-859809157723667055?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/859809157723667055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=859809157723667055&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/859809157723667055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/859809157723667055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/folhas-soltas.html' title='Folhas soltas'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgayPWEjdgI/AAAAAAAAAeg/gkXhRcJoFBY/s72-c/simpsonsunlight-469560-ga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1453717724430402500</id><published>2009-05-10T11:42:00.001+01:00</published><updated>2009-05-10T11:44:50.373+01:00</updated><title type='text'>Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgawFkrmtjI/AAAAAAAAAeY/f8G4VsdY72U/s1600-h/44cutecolorspixie3ahs8.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334144418459334194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 177px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgawFkrmtjI/AAAAAAAAAeY/f8G4VsdY72U/s320/44cutecolorspixie3ahs8.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Estrela da Luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como hei-de começar a minha história sem dizer “Era uma vez…”, “há muito, muito tempo”… Ou ainda, “No tempo em que os animais falavam…”? Na verdade quero-vos falar de uma menina. Uma menina dos tempos de hoje que existe mesmo, que anda na escola, que brinca, chora e respira tal e qual como tu. Melhor, é do seu nome que quero falar, da forma como ele lhe foi dado e das consequências dele na sua vida e na dos outros.&lt;br /&gt;Estrela da Luz tem um apelido da mãe e um apelido do pai como a maioria das pessoas, mas só quando vai à consulta é que a médica o diz completo, Estrela da Luz Ferreira Dias. De resto ninguém a chama assim, uns como a professora, dizem: Estrela, e acabou aí. Outros, como os avós e os tios, dizem: Estrelita. Só a mãe e o pai a chamam por Estrela da Luz. Seja como for, quem ouve o nome da menina pela primeira vez não pode deixar de estranhar, ainda mais porque ela tem um enorme sorriso luminoso a condizer. – Se calhar é filha de algum artista, ou poeta! - Dirão vocês - nada disso, a mãe trabalha num escritório de advogados e o pai numa sapataria. – Então, como é que eles se lembraram de lhe pôr esse nome? - Perguntarão com toda a razão. - Esperem lá um bocadinho que conto-vos já.&lt;br /&gt;Uma noite, estava a mãe da menina a dormir e, como é natural, começou a sonhar. Sonhou com uma linda estrela cheia de luz que rodopiava sobre um berço quase igual ao que estava a ser preparado para receber o bebé, tão bonito foi o sonho que a mãe acordou, pegou na mão do pai, pousou-a sobre a sua grande barriga e acordou o marido: -“ Apresento-te a menina Estrela da Luz.” – O pai muito ensonado resmungou e disse:&lt;br /&gt;- Como é que sabes que vai ser uma menina?&lt;br /&gt;- Sei. – Respondeu a mãe com os olhos a brilhar e o bebé aos pulos dentro de si.&lt;br /&gt;E pronto, quando a bebé nasceu, o pai não teve outro remédio senão pôr o nome escolhido pela mulher. E vendo bem, que outro nome lhe poderia ficar melhor? Ela era um sol nas suas vidas. A menina mais bonita que eles tinham visto na sua vida!&lt;br /&gt;Estrela da Luz era como todos os bebés, fazia birras de sono, fazia cocó, fazia xixi, vomitava o leite, chorava de noite, depois começou a rir e a fazer. Bábábá, como todos! Mas para os pais ela era a mais limpinha, a mais sossegadinha, a mais esperta e, claro a mais bonita e simpática do mundo. Tal e qual como os vossos pais pensam de vós, não é?&lt;br /&gt;Estrela da Luz crescia como todas as crianças mas numa coisa era realmente diferente. Sabia sonhar. – Grande coisa! Todos sabemos sonhar! – Responderão vocês. É verdade, mas sonhar como Estrela da Luz sonha, aposto que poucos saberão. Digo-vos isto porque sei. Porque tenho conhecido muitos meninos e meninas e porque também entendo um pouco de sonhos. Podem acreditar que ainda não vi ninguém sonhar como Estrela da Luz! Ela sonha quando quer, nem precisa de fechar os olhos, basta-lhe desejar… e são tão belos os seus sonhos!&lt;br /&gt;Qual é a diferença dos sonhos de Estrela da Luz e os nossos? Bem… e se eu vos disser que quando ela sonha tudo se modifica para melhor, na realidade?&lt;br /&gt;Dei por isso quando um dia fui jantar a sua casa convidada pelos seus pais, de quem sou amiga. A televisão estava ligada, a dada altura, no telejornal, falaram de uma família que vivia numa casa toda em ruínas, cheia de bichos, húmida e feia. Os meninos que lá viviam estavam sempre doentes, dois deles até se encontravam internados no hospital, os pais desempregados, não sabiam o que fazer e pediam ajuda.&lt;br /&gt;Estrela da Luz, pediu licença aos pais para se levantar da mesa e foi sentar-se no sofá declarando que ia sonhar. E sonhou!&lt;br /&gt;Nesse sonho, viu que um grupo bondoso de pessoas ouvira o pedido de ajuda e decidira limpar, consertar e pintar a casa. Que o dono de uma fábrica ali perto, oferecera um emprego aos pais e que estes, apesar de terem um ordenado baixo, podiam pelo menos fazer face às despesas do dia-a-dia. Também sonhou que os meninos melhoravam e haviam recebido roupa, livros e brinquedos novos.&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei que qualquer um de nós podia sonhar uma coisa parecida! Mas o que aconteceu é que ao fim de alguns dias, no telejornal, vieram dizer que a família agradecia a todos que haviam ajudado, e tudo se passara tal e qual como Estrela da Luz havia sonhado. Connosco isso não acontece, pois não? Pois com ela é sempre assim, quando sonha ajudar uma menina doente a curar-se, um velhinho solitário a receber a visita de um filho que vive longe, ou uma mãe a ter a casa limpa e arrumada quando chega cansada do trabalho, tudo se realiza.&lt;br /&gt;É, Estrela da Luz só costuma sonhar para o bem-estar dos outros, para ela, só tem um sonho, adivinham qual é? É de um dia deixar de sonhar. Porquê? Por que isso significaria que toda a gente seria feliz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1453717724430402500?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1453717724430402500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1453717724430402500&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1453717724430402500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1453717724430402500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/historias-de-mim-para-ti-ou-historias.html' title='Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SgawFkrmtjI/AAAAAAAAAeY/f8G4VsdY72U/s72-c/44cutecolorspixie3ahs8.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7215213826171763375</id><published>2009-05-10T11:31:00.001+01:00</published><updated>2009-05-10T11:34:06.360+01:00</updated><title type='text'>As dores</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgatl7L_uiI/AAAAAAAAAeI/RytTw8N9j2s/s1600-h/cave_dancing.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334141675721701922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgatl7L_uiI/AAAAAAAAAeI/RytTw8N9j2s/s320/cave_dancing.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isto de estar meio imobilizada é tremendo! Eu que gosto tanto de andar de um lado para o outro, de dançar com o meu neto ao colo, de brincar com ele no chão, sinto-me completamente frustrada.&lt;br /&gt;Da maneira que eu tenho estado nem sequer posso estar sentada a fazer os meus trabalhos de malha. Na rua, os meus passos são curtos e hesitantes, no computador só posso estar alguns minutos de cada vez.&lt;br /&gt;Só damos valor às nossas capacidades quando as perdemos, mesmo que seja por alguns dias. Falo por mim e falo por todos. O nosso tempo fica recheado de suspiros e pena de nós mesmos e, quando isso acontece, perdemos o contacto com o mundo exterior. Passamos o tempo a olhar para nós, egoisticamente, vitiminizando-nos.&lt;br /&gt;Ninguém gosta de estar doente, pois claro! Mas o que dizer daqueles que vivem sempre doentes? Daqueles que nascem já com limitações e convivem toda a sua vida com dores atrozes? Nem nos passa ela cabeça o seu sofrimento! A dor é mais dor quando está mais perto, principalmente quando é nossa!&lt;br /&gt;Quero reagir, sacudir de mim a pena, quero voltar a cirandar sem medo que a dor me faça parar. Tenho que pôr a minha mente a funcionar, a escolher o melhor que a vida me dá. Até lá recuso-me a lamuriar! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7215213826171763375?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7215213826171763375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7215213826171763375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7215213826171763375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7215213826171763375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/as-dores.html' title='As dores'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sgatl7L_uiI/AAAAAAAAAeI/RytTw8N9j2s/s72-c/cave_dancing.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1436859982291861960</id><published>2009-05-10T11:29:00.001+01:00</published><updated>2009-05-10T11:30:59.762+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Estela, a Esposa Sagrada&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fundo da alameda orlada de carvalhos divisava-se uma luz cintilante. Ainda não era noite, já não era dia.&lt;br /&gt;Hélio, mostrava-se tão agitado quanto eu. Estela era a sua esposa, uma das damas que dirigia o Reino da Felicidade Suprema. Pelo que percebi era sempre um momento de grande emoção quando os dois esposos se encontravam. Até ali nunca tinha percebido que os Seguidores se casassem, senti curiosidade sobre o modo como o faziam e como viviam essas uniões.&lt;br /&gt;- O casamento é um compromisso livre e espontâneo entre dois seres que se amam e se fundem no mesmo ideal. Estela e eu, num tempo remotíssimo, encontrámo-nos e percebemos que fazíamos parte da mesma unidade espiritual, que comungávamos dos mesmos objectivos e que fazíamos parte do mesmo traço de evolução. Comprometemo-nos então e tornámo-nos um ser uno e pleno que se manifesta em pólos complementares, o feminino e o masculino. Ambos seguimos o Caminho da Fé, um tem à sua responsabilidade as Portas Sagradas, o outro abre o Reino da Felicidade Suprema.&lt;br /&gt;Sorri enternecido. O meu velho amigo parecia um adolescente apaixonado pela maneira como falava do seu amor privado.&lt;br /&gt;Quando chegámos à clareira, ali estava ela! A mulher mais perfeita que vira até ao momento! Tinha contornos suavemente e femininamente arredondados. Estendeu os braços para Hélio e ambos se abraçaram num comovente enlaço. Desprendia-se de ambos uma espécie de raios de luz coloridos e sobre as suas cabeças, uma espécie de nuvem de um branco puríssimo, rebrilhava. As vozes confundiram-se numa só.&lt;br /&gt;-Telmo, vês como é possível o verdadeiro amor e a felicidade? Tu que cresceste com os Seguidores do Serviço e do Conhecimento, atingiste a altura de conheceres a Fé e mergulhares no Mundo Pleno!&lt;br /&gt;- O meu coração rejubila, o meu corpo impacienta-se, a minha alma está preparada, querida estela! – Respondi eu tão naturalmente como se estivesse avisado para o que me estava destinado!&lt;br /&gt;- Meu jovem (a sua voz soou como gorjeio de pássaro) - Em breve voltarás à tua cidade. Não será fácil pois as provações serão constantes, mas temos a certeza que te sairás bem de todas elas. Usa como armas a prudência e a coragem. A Fé será a tua maior força, a tua ferramenta para cumprires o teu Serviço e completares a tua obra.&lt;br /&gt;Não hesitei mas estremeci. Hélio e Estela confiavam em mim e eu desejava do fundo de mim mesmo jamais os desiludir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1436859982291861960?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1436859982291861960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1436859982291861960&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1436859982291861960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1436859982291861960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/05/telmo-o-marujo.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1795566439010226245</id><published>2009-04-25T18:25:00.010+01:00</published><updated>2009-04-25T18:33:50.054+01:00</updated><title type='text'>Mário Eloy Pereira</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJUwAXq2I/AAAAAAAAAeA/F0ITovV_N0s/s1600-h/mario+eloy+pereira.9.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328683404942093154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJUwAXq2I/AAAAAAAAAeA/F0ITovV_N0s/s320/mario+eloy+pereira.9.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJPNfEnJI/AAAAAAAAAd4/_9wdXgVaI50/s1600-h/mario+eloy+pereira.8.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328683309776280722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 202px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJPNfEnJI/AAAAAAAAAd4/_9wdXgVaI50/s320/mario+eloy+pereira.8.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJJbrKpLI/AAAAAAAAAdw/itiay0FFaM8/s1600-h/mario+eloy+pereira.6.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328683210505888946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJJbrKpLI/AAAAAAAAAdw/itiay0FFaM8/s320/mario+eloy+pereira.6.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJDvTcFCI/AAAAAAAAAdo/_HW7jMuW25g/s1600-h/mario+eloy+pereira.5.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328683112695862306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJDvTcFCI/AAAAAAAAAdo/_HW7jMuW25g/s320/mario+eloy+pereira.5.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNI-E-aVLI/AAAAAAAAAdg/YXS3GCAar7g/s1600-h/mario+eloy+pereira.3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328683015434032306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNI-E-aVLI/AAAAAAAAAdg/YXS3GCAar7g/s320/mario+eloy+pereira.3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNI4FG0EPI/AAAAAAAAAdY/MD1VkGUIe9g/s1600-h/mario+eloy+pereira.10.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328682912390058226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 252px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNI4FG0EPI/AAAAAAAAAdY/MD1VkGUIe9g/s320/mario+eloy+pereira.10.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIwjgcbOI/AAAAAAAAAdQ/rezdg4lTx5E/s1600-h/mario+eloy+pereira.7.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328682783111671010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIwjgcbOI/AAAAAAAAAdQ/rezdg4lTx5E/s320/mario+eloy+pereira.7.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIpXRrBNI/AAAAAAAAAdI/SRyUBt8FizA/s1600-h/mario+eloy+pereira.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328682659569403090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIpXRrBNI/AAAAAAAAAdI/SRyUBt8FizA/s320/mario+eloy+pereira.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIiHZ0XVI/AAAAAAAAAdA/0XY4u1ml0yc/s1600-h/mario+eloy+pereira.2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328682535049518418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 136px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIiHZ0XVI/AAAAAAAAAdA/0XY4u1ml0yc/s320/mario+eloy+pereira.2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIcGLPNmI/AAAAAAAAAc4/pZNTYm5Nsfk/s1600-h/mario+eloy+pereira.4.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328682431640712802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNIcGLPNmI/AAAAAAAAAc4/pZNTYm5Nsfk/s320/mario+eloy+pereira.4.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1795566439010226245?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1795566439010226245/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1795566439010226245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1795566439010226245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1795566439010226245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/mario-eloy-pereira.html' title='Mário Eloy Pereira'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNJUwAXq2I/AAAAAAAAAeA/F0ITovV_N0s/s72-c/mario+eloy+pereira.9.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2504197675511185722</id><published>2009-04-25T18:21:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T18:25:30.308+01:00</updated><title type='text'>O Caminheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNHgWDE9pI/AAAAAAAAAcw/nWSggGdU5xo/s1600-h/corvos.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328681405109302930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNHgWDE9pI/AAAAAAAAAcw/nWSggGdU5xo/s320/corvos.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A vitória sobre os pássaros&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;1.O Mundo parou agora&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mundo parou agora.&lt;br /&gt;Acabou de se preparar para a reflexão.&lt;br /&gt;Os sonhos adormeceram por enquanto e ficaram guardados atrás do alçapão da memória.&lt;br /&gt;Neste momento inspira e expira para iniciar o transe. Devagar. Muito devagar, para que a transição se faça sem dor.&lt;br /&gt;O tempo coalhou-se formando pequenos grânulos de nuvens. Já houve tempo em que o céu azul se rendilhava de branco! Hoje não! Agora é o próprio tempo que se inquieta.&lt;br /&gt;Tudo permanece em silêncio. Um silêncio que fala sozinho consigo mesmo, onde a fronteira do que é real e do que é irreal se esbatem, como um horizonte, distante, estendido para além de tudo o que os sentidos físicos possam perceber.&lt;br /&gt;Ali está ele levitando ligeiramente.&lt;br /&gt;O pó debaixo dele comprime-se contra a terra.&lt;br /&gt;Os ramos da árvore que o cobrem nem estremecem.&lt;br /&gt;Nenhum insecto se atreve a perturbá-lo.&lt;br /&gt;O seu corpo toma a forma da escultura que, esculpida e polida, se exibe em perspectiva de movimento. Não se desvia um milímetro da forma inicial.&lt;br /&gt;Ele está e não está.&lt;br /&gt;Para além de si próprio percorre em velocidade vertiginosa o espaço indimensionável.&lt;br /&gt;Um espaço em que tudo o que acontece só é penetrável no seu espírito. A razão aqui não existe. É transportada no ar para mais tarde se materializar.&lt;br /&gt;Mas há limites? Sim. O limite do querer que fica ainda desperto. Aonde vai? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2504197675511185722?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2504197675511185722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2504197675511185722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2504197675511185722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2504197675511185722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/o-caminheiro.html' title='O Caminheiro'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNHgWDE9pI/AAAAAAAAAcw/nWSggGdU5xo/s72-c/corvos.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1220024888039232248</id><published>2009-04-25T18:01:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T18:19:58.472+01:00</updated><title type='text'>Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNGMnhLbcI/AAAAAAAAAco/wGdJWqo2fZ4/s1600-h/anjos230.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328679966689947074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 182px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNGMnhLbcI/AAAAAAAAAco/wGdJWqo2fZ4/s320/anjos230.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;As fadas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês acreditam em fadas? Pois, eu acredito. Eu já vi fadas, já falei com elas, fadas a sério! Eu conto-vos como foi:&lt;br /&gt;Um dia de manhã muito cedo, ainda o céu estava cor-de-rosa, resolvi fazer um passeio pelo pinhal que fica perto da minha casa. A princípio não aconteceu nada de especial, ia muito tranquila por um caminhozito de areia, acompanhada apenas pelos pássaros, alguns coelhos esquivos e umas quantas abelhas que teimavam em me cumprimentar. Depois, não sei porquê, assustei-me. Ouvi uns risos, umas cantilenas, umas vozinhas. Curiosa como sou, desviei-me do trilho e entrei pelo mato adentro. Não tinha dado ainda uma dezena de passos, quando à minha frente distingui perfeitamente, três lindíssimas meninas. Pareciam crianças, pelo menos pelo tamanho, estavam de mãos dadas fazendo uma roda, não deram logo por mim, por isso pude assistir àquilo que me parecia uma brincadeira. De repente, uma delas olhou para mim. Todas pararam e, depois de me observarem por uns momentos acenaram-me. Fui ter com elas, eram tão engraçadas!&lt;br /&gt;Perguntaram-me em coro o que é que eu estava ali a fazer, e eu tentei explicar que andava a passear e que fora atraída pelas vozes delas. Acho que entenderam, mas uma segredou qualquer coisa às outras e a seguir pediram que me apresentasse.&lt;br /&gt;- Bem, chamo-me Luísa, moro aqui perto, como é Primavera e o tempo está bom, resolvi apanhar o ar fresco da manhã.&lt;br /&gt;- E tu não sabes que este lugar é proibido aos homens?&lt;br /&gt;- Mas eu não sou homem, sou uma mulher! Não se nota?&lt;br /&gt;- Quando dizemos homens, queremos dizer seres humanos. Não és um ser humano?&lt;br /&gt;- Agora quem fica confusa sou eu! Claro que sou! E vocês o que são?&lt;br /&gt;- Somos fadas! O que é que achavas que éramos?&lt;br /&gt;- Fadas? Fadas a sério?&lt;br /&gt;- É estranho…- disse uma que tinha o cabelo todo aos caracóis castanho muito escuros e uns olhos rasgados em forma de amêndoa.&lt;br /&gt;- Lá isso é! Os humanos não costumam ver-nos… - acrescentou outra que tinha cabelos louros, muito lisos e compridos que faziam lembrar uma cortina de fios de ouro. Essa tinha os olhos redondos, tão azuis como o azul do céu em dis de Verão.&lt;br /&gt;- Mas já que nos vê e nos ouve, penso que tem todo o direito de saber mais coisas sobre nós. – Decidiu a terceira que era ruiva, de cabelo cor de mogno separado em duas tranças que lhe chegavam à cintura e cujos olhos eram verdes, verdes como o fundo de uma lagoa.&lt;br /&gt;Eu estava abismada, completamente boquiaberta. Não sabia se estava a a sonhar ou se era mesmo verdade o que estava a acontecer. Mas não dei parte fraca, mantive-me no meu lugar, direitinha, com o ar mais natural deste mundo.&lt;br /&gt;Convidaram-me a sentar-me junto delas numas pedras que ali estavam.&lt;br /&gt;Sentei-me. Então a fada do cabelo castanho apresentou-me as outras, indicando primeiro, a do cabelo louro e depois a do cabelo ruivo.&lt;br /&gt;- Eu sou a Fada da Madrugada, esta é a Fada da Meia-Noite e esta é a Fada do Entardecer. Ficas já a saber que quando um homem, ou mulher, nos vê, tem o direito a receber um favor nosso. Portanto cada uma de nós vai conceder-te um desejo.&lt;br /&gt;Devo ter aberto e fechado a minha boca e feito uma cara muito esquisita, porque as três começaram a rir às gargalhadas.&lt;br /&gt;A Fada da Meia-Noite perguntou-me então que desejos, queria eu ver satisfeitos. Fiquei atrapalhada. Passamos a vida toda a ter desejos, a maioria, sonhos que nunca os vimos realizados e, agora, de um momento para o outro, as fadas propunham-se a realizar três deles. Nem sabia o que escolher…&lt;br /&gt;- Despacha-te, daqui a pouco temos que nos ir embora. E não podes perder esta oportunidade!&lt;br /&gt;Primeiro pensei em pedir saúde, trabalho e amor como toda a pessoa sensata, mas vi passar ao longe um cão com a perna a arrastar a perna ferida, sem medir o que ia pedir, desejei que o cão se curasse. A seguir reparei que grande parte do pinhal estava deserto por causa do incêndio do Verão passado e desejei que todo aquele espaço se transformasse num local muito verde e vivo, finalmente, reparei que quase não havia ninhos nas poucas árvores que sobreviveram e desejei que todo o pinhal se tornasse num paraíso para as aves e para todos os animais que ainda conseguiam viver ali. Fechei os olhos e as fadas desapareceram sem que eu desse por isso.&lt;br /&gt;Quando os abri, ouvi o ladrar satisfeito do cão que corria para mim e me veio lamber as pernas e as mãos. Sorri porque ele tinha recuperado a sua perna. Voltei para casa e à hora do almoço, o meu filho mais novo chegou a casa muito excitado porque no local onde tinha havido o incêndio cresciam agora novas árvores. À noite, quando me preparava para fazer um serão, ouvi um leve batimento no vidro da janela da sala, era um enorme bando de pássaros que numa coreografia mostravam o seu agradecimento.&lt;br /&gt;Confesso que as lágrimas me vieram aos olhos, e disse baixinho:&lt;br /&gt;- Bem hajam, fadas amigas!&lt;br /&gt;A partir daí passei a acreditar em fadas.&lt;br /&gt;E vocês? Agora também já acreditam nelas?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-1220024888039232248?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/1220024888039232248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=1220024888039232248&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1220024888039232248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/1220024888039232248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/historias-de-mim-para-ti-ou-historias_25.html' title='Histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNGMnhLbcI/AAAAAAAAAco/wGdJWqo2fZ4/s72-c/anjos230.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-6906377783191928296</id><published>2009-04-25T17:58:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T18:01:00.971+01:00</updated><title type='text'>25 de Abril</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNBwlp8cOI/AAAAAAAAAcg/cdQW3KB2Q8g/s1600-h/78407-47il.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328675087106994402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 170px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNBwlp8cOI/AAAAAAAAAcg/cdQW3KB2Q8g/s320/78407-47il.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já passaram tantos anos e eu nem tenho dado por isso!&lt;br /&gt;Ainda não tinha vinte anos quando nesse dia de Abril acordei para uma nova vida.&lt;br /&gt;Ontem fui a uma escola falar do 25 de Abril, é estranho mas ainda se me embarga a voz quando falo do primeiro dia de liberdade, do primeiro dia em que vi os portugueses acordarem e descobrirem que também tinham voz e podiam orgulhar-se do seu país.&lt;br /&gt;Os meninos da escola que visitei são meninos de um bairro social, os seus pais não sabem muito de política, têm pouca instrução mas, quando lhes perguntei porque era tão importante festejar a liberdade, um deles soube responder-me que antes não havia.&lt;br /&gt;Talvez eles não saibam o que é isso de liberdade e democracia, talvez não entendam ainda que a liberdade é o par de asas que nos deram para poder voar, que esse voo depende apenas de nós mesmos e que a rota que escolhemos é de nossa inteira responsabilidade.&lt;br /&gt;Talvez eles não saibam que a democracia é mais do que ter eleições de tempos a tempos, que é uma maneira de estar na vida, de participar nela, de a construir mas… todos os adultos saberão?&lt;br /&gt;Às vezes fico triste quando sinto a indiferença do povo português quanto à sua cidadania, quando sei que os movimentos neofascistas proliferam no centro norte da Europa e na Itália, que os homens que tiveram sonhos estão calados.&lt;br /&gt;Às vezes assusta-me esta contra volta de pensamentos, preocupa-me os rugidos das hienas prontas a abocanhar de novo o poder, zango-me com a acção dos partidos políticos.&lt;br /&gt;Mas… quando oiço Abril cantado por vozes infantis, o meu coração bate feliz e as lágrimas assomem discretas nos meus olhos.&lt;br /&gt;Há esperança num Mundo Novo! E é isso que Abril nos trouxe!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-6906377783191928296?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/6906377783191928296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=6906377783191928296&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6906377783191928296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/6906377783191928296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/25-de-abril.html' title='25 de Abril'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SfNBwlp8cOI/AAAAAAAAAcg/cdQW3KB2Q8g/s72-c/78407-47il.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2167758512772970600</id><published>2009-04-25T17:56:00.001+01:00</published><updated>2009-04-25T17:57:32.226+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Hélio, o Guardião das Portas Sagradas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele sorriu, passou sobre os meus olhos a palma da sua mão, e logo, uma brisa fresca e húmida me roçou!&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, estava pisando a areia dourada de uma praia beijada por ondas de espuma branca. Um grande sol amarelo estendia os seus raios sobre a superfície líquida azul e emprestava-lhe reflexos prateados.&lt;br /&gt;Despi a túnica e corri para ele. Mergulhei de cabeça e quando emergi nadei furiosamente por todo o seu comprimento. Voltei a mergulhar e misturei-me com os cardumes que por ali passavam, afaguei cautelosamente alguns corais, só subia quando o meu fôlego se esgotava e nessa altura, lançava para o ar gritos selvagens de pura alegria.&lt;br /&gt;Só depois de muito cansado é que regressei para junto do Guardião e me estendi no areal recebendo em cheio o calor meigo do meu astro amigo.&lt;br /&gt;-Hélio, que mais posso eu desejar para estar em inteira harmonia com o Cosmos?&lt;br /&gt;- Não sejas precipitado Telmo, volta aos poucos à tua consciência e vê dentro dela outros momentos de felicidade.&lt;br /&gt;Virei-me de borco escondendo a cabeça nos meus braços, fechei os olhos e respirei com lentidão. Senti-me elevado.&lt;br /&gt;Um alvoroço imenso veio até mim. Era um cais repleto de gente numa cidade que eu vagamente reconhecia. Deslizei até à amurada do navio em que me encontrava. Havia mais elementos da tripulação. Do outro lado do cais podia aperceber-me dos brados e acenos de familiares. Dada a ordem de desembarque, desci a prancha e pisei… a minha velha cidade.&lt;br /&gt;- Hélio! - Gritei, como se tivesse acordado de um sonho. - É este o meu futuro?&lt;br /&gt;- Está na hora de regressarmos, meu filho, vem, vem conhecer a minha esposa. Ela te dará a chave do teu destino.&lt;br /&gt;Ergui-me e, como um rapazinho, falei de todos os meus sonhos, de todos os meus sentimentos, de todas as coisas que tinha guardado dentro de mim em todo aquele tempo que tinha vivido com os Seguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2167758512772970600?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2167758512772970600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2167758512772970600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2167758512772970600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2167758512772970600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/telmo-o-marujo_25.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8405387302984856717</id><published>2009-04-18T19:32:00.015+01:00</published><updated>2009-04-18T19:36:53.975+01:00</updated><title type='text'>Chagall</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodnMJIyrI/AAAAAAAAAcY/zGq9o49Ss8M/s1600-h/1500-15475_b~Le-Couple-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326102068430686898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodnMJIyrI/AAAAAAAAAcY/zGq9o49Ss8M/s320/1500-15475_b~Le-Couple-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodiYFzrEI/AAAAAAAAAcQ/33RDvtXXTnY/s1600-h/1400-15442_b~L-Envol-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101985738599490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodiYFzrEI/AAAAAAAAAcQ/33RDvtXXTnY/s320/1400-15442_b~L-Envol-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoddh550HI/AAAAAAAAAcI/FXEogwKqtvg/s1600-h/1200-14362_b~Amoureux-de-Vence-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101902473678962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoddh550HI/AAAAAAAAAcI/FXEogwKqtvg/s320/1200-14362_b~Amoureux-de-Vence-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodY9XSjzI/AAAAAAAAAcA/13_3fsdZizQ/s1600-h/1150-13167_b~Violoniste-Bleu-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101823945346866" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodY9XSjzI/AAAAAAAAAcA/13_3fsdZizQ/s320/1150-13167_b~Violoniste-Bleu-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodUhtU7nI/AAAAAAAAAb4/mCFIBmhMSxM/s1600-h/1150-13148_b~The-Champ-de-Mars-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101747802107506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodUhtU7nI/AAAAAAAAAb4/mCFIBmhMSxM/s320/1150-13148_b~The-Champ-de-Mars-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodQTGpUMI/AAAAAAAAAbw/J9LQNvxzDgI/s1600-h/958_2600302_b~Woman-Flowers-and-Bird-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101675162292418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 122px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodQTGpUMI/AAAAAAAAAbw/J9LQNvxzDgI/s320/958_2600302_b~Woman-Flowers-and-Bird-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodLovgRSI/AAAAAAAAAbo/ye7Cf0EtME4/s1600-h/608_4706500_b~Printemps-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101595071464738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodLovgRSI/AAAAAAAAAbo/ye7Cf0EtME4/s320/608_4706500_b~Printemps-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodHkonrmI/AAAAAAAAAbg/DE0s54DK-hk/s1600-h/0312_b~Die-Liebenden-Uber-St-Paul-1971-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101525249371746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodHkonrmI/AAAAAAAAAbg/DE0s54DK-hk/s320/0312_b~Die-Liebenden-Uber-St-Paul-1971-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodDSnyBnI/AAAAAAAAAbY/PfnOwCmEPXs/s1600-h/0114_b~L-Ete-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101451694540402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodDSnyBnI/AAAAAAAAAbY/PfnOwCmEPXs/s320/0114_b~L-Ete-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc_8XTWlI/AAAAAAAAAbQ/UuC3FteRCNk/s1600-h/0000-3272-4_b~The-Magic-Flute-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101394180233810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc_8XTWlI/AAAAAAAAAbQ/UuC3FteRCNk/s320/0000-3272-4_b~The-Magic-Flute-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc7Z27BzI/AAAAAAAAAbI/njs4vhztnjw/s1600-h/0000-0797_b~Nice-Soleil-Fleurs-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101316198139698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc7Z27BzI/AAAAAAAAAbI/njs4vhztnjw/s320/0000-0797_b~Nice-Soleil-Fleurs-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc3oQ5QZI/AAAAAAAAAbA/kMoBJv3TKSw/s1600-h/0000-0708-4_b~Metropolitan-Opera-Opening-September-1966-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101251345695122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc3oQ5QZI/AAAAAAAAAbA/kMoBJv3TKSw/s320/0000-0708-4_b~Metropolitan-Opera-Opening-September-1966-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc0YAHVyI/AAAAAAAAAa4/ZNYIuPc3baY/s1600-h/0000-0707_b~Paris-l-Opera-1965-Posters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326101195440740130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Seoc0YAHVyI/AAAAAAAAAa4/ZNYIuPc3baY/s320/0000-0707_b~Paris-l-Opera-1965-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8405387302984856717?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8405387302984856717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8405387302984856717&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8405387302984856717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8405387302984856717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/chagall_18.html' title='Chagall'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeodnMJIyrI/AAAAAAAAAcY/zGq9o49Ss8M/s72-c/1500-15475_b~Le-Couple-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7614687103612059018</id><published>2009-04-18T19:20:00.002+01:00</published><updated>2009-04-18T19:21:12.017+01:00</updated><title type='text'>O suspiro de uma cadela</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoaFHiX9kI/AAAAAAAAAZQ/ULcdrs8okAA/s1600-h/cao+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326098184543925826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 85px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoaFHiX9kI/AAAAAAAAAZQ/ULcdrs8okAA/s320/cao+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;9. A pardacenta nuvem que me aconchega ameaça escurecer de vez. Não faz mal, a ressurreição surge sempre! Tenho que me recordar como é…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Chove sem parar há três dias e, há três dias que vagueio pelos meus pensamentos. Não há mais nada que fazer! Há três dias que estou completamente só e não me lembro de ninguém.&lt;br /&gt;Há pouco tempo, porem, um ventinho doce e meigo varreu as pedras da calçada e os regueiros sujos, animou-me. Sacudi-me com a maior energia de que fui capaz e propus-me a procurar alimento. Não sentia fome mas forcei-me a ir para não voltar a cair na modorra. Dantes o exercício dava-me forças e prazer mas agora, que já não luto por muito, a tentação de ficar e morrer apanha-me constantemente.&lt;br /&gt;Vou até ao campo. Pensei. E fui.&lt;br /&gt;Já tinha percorrido umas quantas veredas quando me deparei com quatro cachorrinhos malhados, de olhos recém-abertos que latiam desajeitadamente enquanto disputavam as tetas da mãe. A cadela sem brilho, nem se mexia. Não os desinquietei, fiquei ali a olhar os pequenotes que pareciam querer beber todo o universo no leite materno.&lt;br /&gt;Uma espécie de dor aguda perfurou-me o peito e a barriga. De repente senti uma nostalgia enorme. Ah quanto tempo sofri eu, as ferroadas trémulas de meus filhos?! Aquela sensação de me dar toda no leite que escorre?! Suspirei. Um suspiro que desceu até ao fundo da minha juventude.&lt;br /&gt;Enquanto mamavam mantive-me discreta a observá-los, temia assustá-los. Depois, quando a cadela se levantou deixando no ninho o rancho adormecido, meti conversa. Ficámos ali as duas a falar dessa coisa que se chama maternidade. De gravidezes goradas e de outras bem sucedidas, de partos fáceis e difíceis, de cuidados e ralações, de prazeres e emoções. Acabei por ficar surpreendida com o que eu sabia partilhar. Daí a pouco, como todas as crias, os cachorros acordaram e vieram cheirar-me sem inibições, alguns chegaram a lamber-me, o que, vejam lá, me comoveu bastante! No final da tarde, separarmo-nos e não tive coragem de voltar a casa logo. Por esse motivo resolvi revisitar a falésia. De lá, olhei para o mar líquido que me pareceu disposto a abraçar a terra. E, uivei. Uivei afirmando a mim mesma que estava viva. Ainda viva…&lt;br /&gt;Então o luar desceu sobre mim e vestiu-me com a sua luz pálida, os cheiros dos frutos silvestres dessa tarde voltaram ao meu nariz descendo e perfumando-me por dentro. Estava viva e sentia. Sentia e estava viva!&lt;br /&gt;Na minha mente rasgou-se uma cortina que eu ignorara e todas as minhas perguntas obtiveram resposta. Viver é isto. Partilhar sentidos e descobrir que há intimidade. Lançar o maior uivo de todos para que esse grito se repercuta nos elementos que nos rodeiam. Acreditar que o tempo que nos falta cumprir deve ser cheio, pleno de nós até ao fim.&lt;br /&gt;Então esperei que o céu mudasse de cor e rosasse o princípio da noite. Marquei aquele lugar com o meu cheiro e senti consciente, que me multiplicara eternamente e que portanto eu existiria sempre. O vento despenteou-me o pêlo voltei enfim ao encontro com a cidade.&lt;br /&gt;Senti os olhos húmidos, as patas transformaram-se em asas e a minha cauda, tantas vezes mordida, encontrava-se agora esticada até ao limite do universo. Sem uma única pelada, pelo contrário, nunca a vira tão lisa, comprida, lustrosa! Toda a sua extensão abraçava a vida de que me esquecera. Agora eu sentia-a na minha boca. Eu tornava-me nela e, projectava-me em sentido inverso ao da morte. Agora sim, era verdadeiramente livre! Suspirei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7614687103612059018?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7614687103612059018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7614687103612059018&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7614687103612059018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7614687103612059018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/o-suspiro-de-uma-cadela_18.html' title='O suspiro de uma cadela'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoaFHiX9kI/AAAAAAAAAZQ/ULcdrs8okAA/s72-c/cao+13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7213274005865977812</id><published>2009-04-18T19:12:00.002+01:00</published><updated>2009-04-18T19:18:47.450+01:00</updated><title type='text'>histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoZfFVnacI/AAAAAAAAAZI/m-yaHLY4-LA/s1600-h/191.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326097531118512578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoZfFVnacI/AAAAAAAAAZI/m-yaHLY4-LA/s320/191.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O amigo de Carolina&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Carolina é uma menina mais ou menos da vossa idade. Também anda na escola da freguesia, é uma aluna razoável que gosta de brincar mas sabe que dentro da sala de aula é preciso estar atenta para aprender tudo muito bem.&lt;br /&gt;A dada altura começou a sentir-se infeliz porque havia problemas em casa. O pai ficara desempregado e só arranjava trabalho de vez em quando e, a mãe, que andava nas limpezas, passara a trabalhar mais. Carolina tinha um irmão mais velho, mas ele andava na escola da cidade e também estava pouco tempo com ela.&lt;br /&gt;Carolina passou a ficar sozinha em casa, tentava fazer algumas coisas para ajudar a mãe, mas a vida tornara-se muito aborrecida. Um dia, depois da escola, estava ela no quintal, a brincar com a terra, apareceu-lhe um rapazinho que lhe pediu para brincar também. Ela sabia que os pais não gostavam que ela falasse com estranhos, mas o rapazinho tinha um ar meigo e ela aceitou.&lt;br /&gt;Foi uma tarde maravilhosa! O rapaz tinha boas ideias e também lhe ensinou muitas coisas. Disse-lhe que conhecia o mundo todo. Que sabia de meninos que viviam em países onde havia guerra, que tinham fome e medo. Também lhe falou de meninos doentes. Não de doenças como as que ela já tivera que passavam com os xaropes e os comprimidos, doenças a sério, daquelas que até os médicos desconhecem a cura, e de outros meninos que viviam nas ruas, ao Deus, dará! Mas que em todo o lado, os meninos, apesar das suas mágoas, sabiam rir, sabiam brincar.&lt;br /&gt;Quando a noite chegou e Carolina foi para a cama, começou a pensar nas palavras do rapazinho, afinal de tudo ela tinha uma família que a amava, uma casa agradável, podia ir para a escola sem medo de tiros e não tinha doenças. Ficou contente com isso.&lt;br /&gt;Na manha seguinte, ao atravessar a rua para ir para a escola, ouviu um carro que vinha com grande velocidade aproximar-se. Ficou assustada e não conseguiu mexer-se. De repente, apareceu o rapazinho que lhe deu a mão e a puxou para o passeio. Foi tudo muito rápido, ela só se apercebeu realmente do que se tinha passado quando os vizinhos lhe contaram. Ela então perguntou pelo menino, mas ninguém o vira. Levantou os olhos para o céu e, lá estava ele a fazer adeus.&lt;br /&gt;Nunca mais o viu, mas hoje, quando a tristeza ameaça aparecer, ela olha para o céu e lembra-se daquela tarde em que foi tão feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7213274005865977812?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7213274005865977812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7213274005865977812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7213274005865977812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7213274005865977812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/historias-de-mim-para-ti-ou-historias.html' title='histórias de mim para ti ou Histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoZfFVnacI/AAAAAAAAAZI/m-yaHLY4-LA/s72-c/191.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-7772990439741324450</id><published>2009-04-18T19:08:00.002+01:00</published><updated>2009-04-18T19:10:19.240+01:00</updated><title type='text'>A beleza</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoXfaM9KbI/AAAAAAAAAZA/6rwN2MMBZkc/s1600-h/farol+de+Alexandria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326095337696078258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoXfaM9KbI/AAAAAAAAAZA/6rwN2MMBZkc/s320/farol+de+Alexandria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A beleza é um conceito estético e subjectivo que se torna ideal de épocas e culturas diferentes. É algo que permite vibrar agradavelmente as fibras do nosso espírito mas que se transmite e se ensina de geração em geração.&lt;br /&gt;A beleza está relacionada com todas as artes, com os sentimentos, com as emoções, que associa tanta vezes o aspecto físico ao aspecto emocional.&lt;br /&gt;Deve haver arquétipos de beleza no nosso eu mais escondido, assim se pode explicar por que nos deixamos enlevar pelas manifestações artísticas do passado. Desde a arquitectura à escultura, da música à dança, da poesia à epopeia, somos levados a ser cúmplices de nossos avós.&lt;br /&gt;A beleza está ainda ligada a valores morais assim como as artes e as escolas de pensamento. Não está imune da manipulação política ou religiosa. Toda a vida assim foi! Os grandes monumentos, a decoração dos espaços colectivos e privados, os hinos unificadores, tudo isso em prol de alguém ou de ideias. Qualquer um que deseje o poder sobre os outros o sabe. Reveja-se os grandes ditadores da História, os grandes senhores fundadores de impérios, todos eles recorreram a ideais de beleza e os promoveram de forma propagandística. E, a importância que era ser opositores mesmos? Correu sangue, morreu gente, exilaram-se alguns e ostracizaram-se outros, tudo por que não pensavam de igual modo com o que estava instituído!&lt;br /&gt;Como pode a beleza ser responsabilizada por tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza é o reflexo de um raio de luz no cristal da nossa alma!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-7772990439741324450?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/7772990439741324450/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=7772990439741324450&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7772990439741324450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/7772990439741324450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/beleza.html' title='A beleza'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeoXfaM9KbI/AAAAAAAAAZA/6rwN2MMBZkc/s72-c/farol+de+Alexandria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-5086231392762142717</id><published>2009-04-18T18:51:00.002+01:00</published><updated>2009-04-18T19:06:15.247+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o Marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Hélio, o Guardião das Portas Sagradas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não Telmo, tu já não és frágil. E, quanto às tentações e medos, dominá-los-ás como aprendeste. O espaço que alcançares depende do que tu decidires. Ninguém te imporá nenhum, é a tua liberdade e a tua intuição que decidirão.&lt;br /&gt;- Acreditas que estou pronto?... então estou. Acredito hoje mais em vós do que acreditava em menino.&lt;br /&gt;- Vem então, meu filho. – Hélio ergueu-se e fez um sinal para que eu o seguisse. Dirigimo-nos ao Portões Dourados.&lt;br /&gt;Eu não escondia a emoção, não sentia medo porque me sentia protegido mas, conjecturava de mim para mim sobre o que haveria por detrás daquelas portas.&lt;br /&gt;Com um gesto quase dramático, Hélio agarrou as maçanetas e puxou-as. Sem qualquer ruído elas abriram-se de par em par, deixando-nos passar para depois, se fecharem de novo.&lt;br /&gt;Um vasto campo verde e amarelo estendia-se à nossa frente. Um caminho desenhado em arenito branco traçava-nos o destino. O ar que se respirava era puro, quase se sentia um sabor doce em cada inspiração. E, para minha alegria, o céu era azul! Azul forte como o azul luminosos da minha infância!&lt;br /&gt;- Este é o campo do mundo onde os seres são apenas felizes. Aqui não há anseios, nem perguntas, nem decisões. É um espaço apenas que serve a contemplação e que permite ao espírito que se exercite. Esta é a estrada que nos leva à Casa da Luz Eterna. Ainda não poderás entrar nela mas, poderás apreciá-la de fora e, se passares as provas, poderás um dia ser seu convidado e repousares sob o seu tecto. Vem, vem visitar os seus jardins, sentar-te à beira dos seus lagos, beber, se quiseres, das suas fontes. Vem conhecer um pouco da felicidade suprema que te espera um dia.&lt;br /&gt;Eu sabia que Hélio era um Seguidor da Fé, tal como Jerónimo, mas nunca me passara pela cabeça ser através dele que iria conhecer a Felicidade.&lt;br /&gt;- Diz-me por favor: esta felicidade só é possível com o seguimento da Fé? Eu ainda a desconheço…&lt;br /&gt;- Tu já conheces muitas coisas, coisas que te tens esquecido de recordar, a Fé é a certeza de todo o Conhecimento e de todo o Serviço. Lembras-te quando tu eras uma criança de te sentares na muralha da tua cidade à espera do navio que te levasse pelo oceano fora? Às vezes limitavas-te a observar mas outras vezes, descias até eles e tocava-os como se os afagasses. Lembras como acreditavas que um dia partirias num deles?&lt;br /&gt;- Lembro-me… Foi há tanto tempo…&lt;br /&gt;- Lembras da convicção com que defendeste o teu desejo e mesmo contra a vontade da tua mãe e pai, embarcaste?&lt;br /&gt;- Sim, ninguém podia arrebatar-me o sonho…&lt;br /&gt;- Lembras-te como viveste os momentos de confusão de toda a tripulação e arranjaste forças para resistir e desviares-te das ciladas?&lt;br /&gt;- Sim, Hélio, lembro-me de tudo isso!&lt;br /&gt;- Pois, meu amigo, foi a Fé que te guiou. A Fé que te deu argumentos e energia para alcançar o objectivo a que te propuseste. Quando acreditamos tudo é possível!&lt;br /&gt;- No entanto eu não tinha fé no sentido religioso, pelo menos do tipo a que a religião de meus pais exigia. Uma fé feita de dogmas sem sentido e à revelia dos sentimentos!&lt;br /&gt;-Os dogmas foram impostos por homens diferentes de ti. As razões da Fé não se explicam, só as das crenças, porque essas vêm de um passado longínquo que se transmitem de pais para filhos. Por isso não tinhas a que te agarrar e fizeste do mar a resposta à tua Fé.&lt;br /&gt;Os valores desenvolvem a dimensão da Fé e ela, alimenta-os, sublima-os.&lt;br /&gt;Hoje tens conhecimentos em que não usas somente os teus sentidos físicos. Que outros sentidos existem em ti e que proporcionam outras formas de percepção? Quanto mais evoluído é o ser vivente, mais ele utiliza esses sentidos subtis deixando que os materiais adormeçam. Com a Fé aprenderás a conhecê-los melhor e verás mais longe.&lt;br /&gt;- E, é aqui, neste lugar que eu vou aprender a reconhecer a minha fé?&lt;br /&gt;- Telmo, vieste aqui apenas para vislumbrar a tua felicidade e descobrir como podes escolher o cenário da tua nova vida. Eu dei-te no entanto, a felicidade que conheces. Sabia a saudade que tinhas do teu céu azul, dos espaços verdes e cultivados, dos caminhos de areia. Foi isso que encontraste. A felicidade é desenhada por nós mesmos, embora às vezes o não saibamos!&lt;br /&gt;- Então eu posso perspectivar a felicidade com a inha imaginação individual?&lt;br /&gt;- Sim, e com a Fé em a alcançares!&lt;br /&gt;- Ah, Hélio, leva-me depressa a uma praia de águas azuis e verdes e deixa-me mergulhar nelas como outrora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-5086231392762142717?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/5086231392762142717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=5086231392762142717&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5086231392762142717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/5086231392762142717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/telmo-o-marujo_18.html' title='Telmo, o Marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8851906059722869404</id><published>2009-04-11T13:30:00.002+01:00</published><updated>2009-04-11T13:31:06.352+01:00</updated><title type='text'>O suspiro de uma cadela</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCNhf2ZAkI/AAAAAAAAAY4/eB2wkRT6d98/s1600-h/cao+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323410366176756290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 85px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCNhf2ZAkI/AAAAAAAAAY4/eB2wkRT6d98/s320/cao+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;8. Ruidoso, violento, agressivo, era o vento, batendo em rajadas por toda a cidade estremecida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Há muito tempo que um temporal não desencadeava tanto pânico. Nas ruas não se via vivalma, acobertadas que estavam no seu medo. E nós, os cães de rua, encolhidos nos recantos mais escondidos, enrolávamo-nos tiritantes uns nos outros.&lt;br /&gt;Juntamente com a ventania, o céu desfazia-se em bátegas furiosas que doíam nos corpos e inundavam as sarjetas. E era Abril!&lt;br /&gt;Éramos cinco enrodilhados juntos, tentado rijamente não nos deixarmos levar pelo vendaval. Conhecíamo-nos intimamente e, naquele momento era preciso que formássemos um muro sólido contra a intempérie.&lt;br /&gt;O Inverno passara, as defesas já se tinham alargado, o pêlo já secara, ninguém previra esta loucura, fôramos apanhados na ratoeira do tempo, porque era Abril.&lt;br /&gt;O dia tornara-se noite debaixo da negrura das nuvens. A pacatez tinha dado lugar à aflição e, sobretudo o medo, escancarava-se escandalosamente na cidade. Houvesse o que houvesse, éramos cinco. O universo que nos parecia pequeno até há pouco, tornava-nos, agora pequenininhos. Os raios rasgavam a cidade de lado a lado, abria-nos os olhos com a sua luz acutilante. A cada ribombar todo o nosso tamanho diminuía, ninguém se atrevia a erguer o focinho. Mas como éramos jovens, acreditávamos que no final da tempestade viria a bonança, tal como nossos avós nos ensinaram. Mesmo que essa tempestade tivesse vindo na primavera. Por isso, logo que tudo amainou, ladramos alegremente e percorremos as ruas em ar de desafio. O ar, cheirava bem, como se tivesse acabado de tomar um banho, e sol riscou com uma força nova o nosso olhar. Era Abril!&lt;br /&gt;Durante os dias que se seguiram os homens pareceram-nos generosos porque repartiram connosco os restos das suas riquezas. Afagavam-nos, falavam-nos e riam para nós. De manha, ou de tarde, ou de noite, ou de madrugada, passeávamos pela cidade e convivíamos em boa paz tanto com os gatos como com os ratos. Era Abril e a primavera espicaçava-nos a alegria.&lt;br /&gt;Éramos cinco, depois fomos cinquenta, e creio que chegámos rapidamente aos quinhentos, tanta era a nossa ânsia em ladrarmos em coro e copularmos numa comunhão total. Era bom. Tão bom que guardei na memória, dentro de mim, esses risos e abanares de cauda. Como era belo o Abril de outros tempos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8851906059722869404?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8851906059722869404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8851906059722869404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8851906059722869404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8851906059722869404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/o-suspiro-de-uma-cadela_11.html' title='O suspiro de uma cadela'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCNhf2ZAkI/AAAAAAAAAY4/eB2wkRT6d98/s72-c/cao+13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-3352088764040199799</id><published>2009-04-11T13:26:00.001+01:00</published><updated>2009-04-11T13:28:27.559+01:00</updated><title type='text'>Histórias de mimpara ti ou histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCM41qdEqI/AAAAAAAAAYw/HcnxKU_lzws/s1600-h/gallery_4_5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323409667657634466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 217px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCM41qdEqI/AAAAAAAAAYw/HcnxKU_lzws/s320/gallery_4_5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Colibri&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um menino como tantos outros meninos do mundo. Tinha os olhos despertos, os ouvidos apurados e uma boca rasgada em sorrisos.&lt;br /&gt;Não me lembro da cor do seu cabelo, nem da sua pele, mas sei que as suas bochechas eram macias quando o beijava e, os cabelos de seda, bons de passar os dedos.&lt;br /&gt;Eese menino tinha um nome, melhor, tinha dois nomes, um dado pelos pais e, outro que eu lhe dei. Colibri.&lt;br /&gt;Sabem por que lhe pus esse nome? Porque o colibri é a ave mais pequena que existe, tem o tamanho de uma borboleta, penas coloridas e um bico comprido que enfia nas corolas das flores para lhes sugar o néctar. O colibri tem muita energia, bate as asas tão depressa que fica suspenso no ar. Ora o menino de que falo também sabia aproveitar as coisas bonitas da vida, força para lutar, sem magoar ninguém, e era muito alegre.&lt;br /&gt;O menino cresceu, é o que acontece a todos os meninos! E encontrou na vida, homens diferentes de si. Uns eram seus amigos mas outros desprezavam-no por ele ser parecido com uma borboleta.&lt;br /&gt;Colibri, apesar de ter crescido, de trabalhar para se sustentar, continuava a achar que o mundo era um jardim.&lt;br /&gt;Um dia, um dos homens que não gostavam dele, inventou uma mentira muito grande sobre ele, envenenando todos à sua volta. Colibri deixou de andar de um lado para o outro a sugar o mel da amizade ficou doente, muito doente! No canteiro da sua casa e nos jardins da sua terra, as flores, deram por falta dele e, uma a uma, deixaram-se morrer.&lt;br /&gt;Uma das fadas que o acompanhava desde que tinha nascido resolveu tomar conta dele. Levou-o pelos ares até ao maior jardim do mundo que fica no vale da sabedoria, entre as montanhas da Razão e da Paixão. Ao encontrar-se naquele lugar, Colibri ficou curado, beijou todas as flores e trouxe nas penas as suas sementes.&lt;br /&gt;Quando chegou a casa, estava exausto, mas não descansou sem depositar em todos os canteiros e jardins que conhecia, as sementes que trouxera. A Primavera nem esperou por Março, veio logo no dia seguinte, e toda a gente ficou espantada com as cores e os perfumes novos que alegraram de novo as suas vidas.&lt;br /&gt;Os homens que amavam Colibri, riam de contentes, e os que não gostavam dele, acabaram por aceitar a derrota porque não queriam ir contra a opinião da maioria.&lt;br /&gt;Colibri morreu. Todos os colibris morrem um dia. Mas o seu nome ficou conhecido de toda a gente porque todos os anos, nascem centenas de flores na Primavera.&lt;br /&gt;E, eu sei, que hoje há outros colibris que nasceram e continuam a enfeitar o mundo com a sua generosidade e simpatia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-3352088764040199799?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/3352088764040199799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=3352088764040199799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3352088764040199799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/3352088764040199799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/historias-de-mimpara-ti-ou-historias.html' title='Histórias de mimpara ti ou histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCM41qdEqI/AAAAAAAAAYw/HcnxKU_lzws/s72-c/gallery_4_5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2452197414121232837</id><published>2009-04-11T13:12:00.002+01:00</published><updated>2009-04-11T13:18:54.105+01:00</updated><title type='text'>Páscoa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCKpidZzoI/AAAAAAAAAYY/XzjopzePgvA/s1600-h/ovopascoa%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323407205781327490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCKpidZzoI/AAAAAAAAAYY/XzjopzePgvA/s320/ovopascoa%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não me considero católica apostólica romana já que não comungo de muitos dos seus dogmas. Embora educada, como o comum dos portugueses, sob a orientação da Igreja Católica, nunca consenti em depender totalmente dela.&lt;br /&gt;Tem graça, durante toda a minha vida tenho passado momentos de aproximação e outros de afastamento em relação à Igreja Católica. Reconheço a sua importância na orientação moral e social da sociedade e o seu papel histórico que desenhou a geografia política do mundo em que vivemos. Não podemos portanto ignorar.&lt;br /&gt;Na minha deriva pelo espiritual, pela ética e pela tentativa de me encontrar interiormente, procurei aprender o máximo sobre outras religiões e cheguei à conclusão que a fé é um sentimento transversal a todas, que a necessidade de contactar a divindade é igual, que o poder hierárquico de todas a igrejas comete os mesmos erros e tem as mesmas ambições. Que os crentes apenas querem ver resolvidos os seus problemas materiais e espirituais, que nem sempre agem em consciência ou são coerentes com o que aprenderam nas suas doutrinas. No entanto, não posso deixar de reconhecer que a Igreja Católica é ainda aquela que permite maior liberdade de ser e de estar.&lt;br /&gt;Isto veio à baila porque hoje é Sábado de Aleluia e aqui em Braga, a Páscoa é festejada com um vigor ainda maior que o Natal. De facto, é a Páscoa que cimenta o dogma da ressurreição e a divindade de Jesus. Logo, é natural que seja esta a maior festa dos cristãos. A Igreja, desde os seus primórdios, demonstrou grande inteligência na escolha dos tempos e lugares a santificar por isso, aproveitou a época da Primavera para esta festa. É o momento da renovação da natureza, o tempo em que se torna visível o resultado do trabalho dos homens. É um tempo de fecundidade e alegria, da promessa dos dias de abundância. Mesmo os menos sensíveis sentem que esta época lhes proporciona um bem-estar diferente, uma espécie de euforia.&lt;br /&gt;É também a resposta e o incentivo para que cada homem se renove, se redima dos seus erros e se proponha a uma nova vida. Depois do recolhimento que a Quaresma oferece, existe a possibilidade de se limpar e, qual “noivo” poder entrar numa nova vida. É interessante, todo este pensamento, em que cada um de nós tem a oportunidade de agarrar novos desígnios. Não há dúvida que dois milénios de estudo e organização têm os seus efeitos!&lt;br /&gt;O cristianismo soube ir buscar ao pensamento da Antiguidade a base com que consolidou a sua doutrina, no fundo não trouxe ensinamentos novos, mas conseguiu aquilo que outras religiões não conseguiram; a acessibilidade da religião. Soube agregar o pensamento e a cultura de todos os povos e aplicar os seus dogmas de forma a tornarem-se universais.&lt;br /&gt;Não está portanto aqui em causa o que penso da Páscoa como acto religioso mas, o que penso da Páscoa como símbolo. É realmente o OVO, o princípio material do gene pré-existente do Ser. E isso é que é fabuloso continuar a viver.&lt;br /&gt;Feliz Páscoa para todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2452197414121232837?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2452197414121232837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2452197414121232837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2452197414121232837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2452197414121232837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/pascoa.html' title='Páscoa'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SeCKpidZzoI/AAAAAAAAAYY/XzjopzePgvA/s72-c/ovopascoa%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8779768492590433493</id><published>2009-04-11T13:10:00.000+01:00</published><updated>2009-04-11T13:11:54.003+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Hélio, o Guardião das Portas sagradas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ceávamos todos juntos como há muito o não fazíamos, lembrei-me a primeira vez que o fizemos, ainda eu era pouco mais que uma criança.&lt;br /&gt;Os seguidores não eram as criaturas desconhecidas e distantes de outros tempos, naquele momento sentia-os parte de mim, respiravam comigo o mesmo ar e comíamos os mesmos alimentos.&lt;br /&gt;Hélio, o Guardião das Portas Sagradas e representante do grupo, pareceu-me um pouco diferente do costume. Estava eufórico e a maioria de nós desconhecia a razão. Talvez apenas Jerónimo soubesse o que se passava pois, comentava de vez em quando que as Portas Sagradas em breve se abririam.&lt;br /&gt;A minha curiosidade estava espicaçada ao máximo. Durante toda a minha estada jamais vira abrirem-se as Portas e nunca entendera muito bem o que nos separava. Hélio era o único a poder tocá-las e isso tornava-o o detentor do mistério.&lt;br /&gt;Como sempre, o velho Seguidor apresentava-se de modo sóbrio com a sua túnica azul comprida a cobri-lhe o corpo imponente. No peito rebrilhava um enorme círculo dourado raiado de diamantes, jóia que nenhum dos outros possuía. A sua barba cobria somente o queixo saliente dando-lhe um ar distinto.&lt;br /&gt;Por norma ele era pouco comunicativo mas naquele dia estava muito falador e risonho, no fim da ceia quando todos estavam bem-dispostos, fez o anúncio solene:&lt;br /&gt;- Meus irmãos, sei que não consigo disfarçar a minha alegria, que o meu entusiasmo transborda por isso quero esclarecer-vos sobre o que se passa. Quero partilhar convosco a minha felicidade e, acima de tudo, dar a Telmo o maior presente que alguma vez recebeu.&lt;br /&gt;Fiquei atónito, era a última coisa que esperava! Que fosse eu o objecto da sua generosidade! Até porque não percebia qual era a razão de tal dádiva!&lt;br /&gt;Com um olhar carinhoso, Hélio, esclareceu-me:&lt;br /&gt;- Meu filho, quando chegaste aqui eras apenas uma criança curiosa e valente, sonhadora e persistente, qualidades essas que percebemos logo serem as indicadas para cresceres. Hoje, maior do que tu próprio ousarias pensar, encontras-te próximo das tuas provas finais. Foste alimentado e treinado para as passar e nós acreditamos que não nos decepcionarás.&lt;br /&gt;- Mas… Guardião, a que provas me exporão? Que espaço alcançarei depois delas? E… se eu falhar? Sou apenas humano, frágil de nascença e sujeito a tentações e medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8779768492590433493?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8779768492590433493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8779768492590433493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8779768492590433493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8779768492590433493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/telmo-o-marujo_11.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-2078664925132955141</id><published>2009-04-04T12:54:00.001+01:00</published><updated>2009-04-04T12:56:18.566+01:00</updated><title type='text'>O suspiro de uma cadela</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddK25pLqyI/AAAAAAAAAYQ/M4uByCdiA2M/s1600-h/cao+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320803791808473890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 85px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddK25pLqyI/AAAAAAAAAYQ/M4uByCdiA2M/s320/cao+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;7. O largo da feira é o meu mar de descobertas. Um mundo de cores, ruídos e aromas que entontecem e estimulam os meus sentidos e me agitam perante a indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O dia estava esplêndido, por isso resolvi ir por novos caminhos e descobrir as coisas perdidas.&lt;br /&gt;No meu passo miúdo, revisitei a feira que fica pendurada na colina que serve de colo à cidade.&lt;br /&gt;O mundão de gente, animais e tralha, atravanca mas não atrapalha os avanços, ate porque não fui para andar em frente mas, para rondear as tendas, gincanar os espaços, enfim, cirandar, cirandar…&lt;br /&gt;Nariz levantado, absorvendo o ar, caminhava como num exercício de memória de olfactos. Alem do mais há sempre umas guloseimazinhas caídas no chão. É sempre bom andar assim sem cuidados, sem pressas e sem medos.&lt;br /&gt;Ali estava eu cheirando uns, cheirando outros, muitos que não via há um ror de tempo, quando deparei com uma das minhas irmãs. Estava prenha de novo (segundo parece tem sido uma boa parideira) mas estava gorda, luzidia e, como se diz, de olhos límpidos. Nem parece minha irmã gémea, fez-me sentir mais velha! Também vive na cidade mas raramente nos encontramos. Como vai a tua vida? O que fazes? Perguntas de quem não tem muito para contar. Vive, já lá vão três anos, com o mesmo macho, um cão grande e gordo que antes de a conhecer guiava um cego. Diz que foi amor à primeira vista, largou ela a velha do pátio, largou ele o cego e ala, lá foram eles viver para perto do porto. Habituou-se bem àquela vida, traz sempre os cachorros debaixo dos olhos, é feliz! Naquele dia vinha à procura de um mimo especial para o seu cão. – Sabes, ele é tão bom para mim! – Ladrava ela, sem disfarçar um certo desprezo pela minha situação. Acreditasse ou não, fiquei satisfeita por a rever e saber da sua felicidade. Eu não a invejo, apesar da minha solidão não me imagino a viver apenas para o “meu cão” e para “os meus cachorrinhos”. Prefiro mil vezes esta liberdade e esta disponibilidade que tenho e que, me proporciona vaguear por todos os lados. Claro que ela me considera irresponsável, a vergonha da classe canina! Pensa que a evolução da raça passa por imitar os humanos e a sua sociedade plena de esquemas complexos.&lt;br /&gt;Na curta conversa que tive com ela, fez-me o relato sobre a vida indecorosa da nossa outra irmã. Vê-a com frequência, disse-me que está escanzelada, ainda mais do que eu, que é constantemente requisitada por cães a qualquer hora do dia e da noite. Notei-lhe uma pontinha de despeito mas disfarcei e escutei apenas.&lt;br /&gt;No final, vejam lá! Aconselhou-me juízo e que procurasse um cão que me protegesse. Anuí só para não a ouvir e despedi-me sem mágoa, digo mais, até com algum alívio. Prometi que a iria visitar para conhecer a sua família, promessa, essa, que não penso cumprir.&lt;br /&gt;Depois continuei a andarilhar pela feira com um gosto renovado pela minha independência!&lt;br /&gt;Ao regressar a casa passei por um tanque pouco fundo onde me lavei do pó, da gordura, do açúcar acumulados durante o dia. Sentia-me verdadeiramente cansada, mas em paz! Ah como é bom regressar ao nosso canto preferido e poder dormir sem cuidados!&lt;br /&gt;Afinal o sono não veio tão depressa como eu julgara, de olhos fechados via passar a uma velocidade imensa os acontecimentos do dia, mas não era eu que caminhava, eram as imagens que vinham até mim e que depois disparavam em direcções diversas. Todo o filme era acompanhado pelo latir constante da minha irmã, do companheiro e dos filhos, sentia-me enjoada. Tão mal disposta me encontrava que sacudi do meu corpo a minha sonolência vomitando aquela girândola de recordações. Desatei a correr à toa pelas ruas rosnando atrevida para todos os gatos que encontrei. Acho que precisava de dar folga às minhas emoções, gritar bem alto que esta era, a minha vida! Toda a vida, com todos os sofrimentos e crises de identidade que fazem também parte dela, ninguém, nem nada maior do que eu poderia alterar isso. Era livre, com todas as consequências que a liberdade nos dá!&lt;br /&gt;Acabei estoirada no degrau de um edifício moderno e adormeci então profundamente até à manha seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-2078664925132955141?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/2078664925132955141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=2078664925132955141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2078664925132955141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/2078664925132955141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/o-suspiro-de-uma-cadela.html' title='O suspiro de uma cadela'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddK25pLqyI/AAAAAAAAAYQ/M4uByCdiA2M/s72-c/cao+13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8669862280714687093</id><published>2009-04-04T12:51:00.001+01:00</published><updated>2009-04-04T12:53:58.287+01:00</updated><title type='text'>História d mim para ti ou histórias mágicas de reais acontecimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddKTzLgYpI/AAAAAAAAAYI/79p8N5OyxIw/s1600-h/aldemir+martins+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320803188777968274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddKTzLgYpI/AAAAAAAAAYI/79p8N5OyxIw/s320/aldemir+martins+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O gato comeu-te a língua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sempre a mesma coisa. De mão dada com o pai ou com a mãe, Isabel Maria, ficava “muda” quando os estranhos lhe perguntavam coisas. E depois de insistirem, acabavam invariavelmente por lhe perguntar: - “então? O gato comeu-te a língua?”&lt;br /&gt;Isabel Maria não compreendia por que é que os adultos tinham sempre que fazer tantas perguntas, ainda por cima algumas completamente parvas! Por exemplo: como te chamas? Para que é que eles queriam saber o nome? Depois em vez de dizerem: a Isabel Maria, diziam sempre; a filha do João ou a filha da graça! Outra pergunta que a irritava profundamente era sobre a sua idade. Não percebia qual a razão de a querem saber, só se era para confirmar que eram bem mais velhos do que ela! E ainda havia mais, como: sabes que és muito bonita? Claro que era bonita! Ela tinha espelhos em casa! Sabia, no entanto que havia pessoas mais bonitas do que ela, como a Marta ou a Ana. Por que não lhes diziam isso? Se calhar porque não as conheciam! Mas a pior, a pior de todas era quando se lembravam de lhe perguntar se ela queria ir para casa deles! Então ela não tinha pai e mãe? Não tinha casa? Não era nenhum boneco que se emprestasse aos outros! Além disso, sabia perfeitamente que os pais nunca a deixariam ir, disso tinha a certeza!&lt;br /&gt;Não conseguia compreender os adultos. A mãe quando ela fazia aquela cara séria e ficava calada, desculpava-a com:”sabes, é muito tímida!”.Tímida, nada! O que ela não queria mesmo era responder aos amigos dos pais. Mas a mãe, naquela maneira de ser, sempre simpática, ia respondendo por ela. O pai, era pior. Ficava muito aborrecido, dizia que era má educação não responder às perguntas que lhe faziam. Bem gostava de ver se os pais também sabiam dizer se eram bonitos ou feios, gordos ou magros, ou quantos anos tinham! Algumas vezes tinha vontade de também ela perguntar aos pais se as perguntas dos adultos também eram educadas!&lt;br /&gt;Isabel Maria, queixou-se disso às melhores amigas lá da escola, a Marta que é toda despachada, manifestou a sua opinião: “ Coitados dos adultos! Não têm imaginação! Mas a Ana, interveio dizendo: “Eles querem ser simpáticos connosco, só não sabem o que hão-de dizer!”&lt;br /&gt;Mas Isabel Maria não ficou satisfeita e, um dia resolveu inverter os papéis. Por acaso estavam a almoçar no restaurante. Uma das amigas da mãe que também, lá estava, veio ter com eles à mesa. Os pais convidaram-na a sentar-se e acompanhá-los no almoço e o convite foi aceite imediatamente. Era uma mulher grande, com o cabelo pintado de louro, uma boca que ia quase de orelha a orelha. Logo que se instalou, Isabel Maria, com um ar muito sorridente perguntou:&lt;br /&gt;- Como te chamas? - A mulher que estava desprevenida, gaguejou mas respondeu que se chamava Joana. Isabel Maria continuou:&lt;br /&gt;É parecida com o seu pai ou com a sua mãe? - Desta vez foi a mãe que abriu a boca. Mas a tal Joana respondeu:&lt;br /&gt;- Dizem que é com a minha mãe.&lt;br /&gt;- Quantos anos, tem? – O pai até deixou cair o garfo ao chão.&lt;br /&gt;- Trinta e quatro.&lt;br /&gt;- Olhe que não parece! A minha mãe tem a sua idade e parece mais nova, porque é que pinta o cabelo?&lt;br /&gt;- Bem…sabes…porque gosto.&lt;br /&gt;- Deve ter amigas mais bonitas do que a senhora. – Os pais estavam vermelhos sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;- Não quer ir viver lá para nossa casa?&lt;br /&gt;Silencio total.&lt;br /&gt;- Não responde? Será que o gato lhe comeu a língua?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8669862280714687093?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8669862280714687093/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8669862280714687093&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8669862280714687093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8669862280714687093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/historia-d-mim-para-ti-ou-historias.html' title='História d mim para ti ou histórias mágicas de reais acontecimentos'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddKTzLgYpI/AAAAAAAAAYI/79p8N5OyxIw/s72-c/aldemir+martins+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-569042253899519769</id><published>2009-04-04T12:46:00.001+01:00</published><updated>2009-04-04T12:49:53.834+01:00</updated><title type='text'>as alergias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddJVpIyH7I/AAAAAAAAAYA/KENfKOSNz-w/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320802120930303922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 115px; CURSOR: hand; HEIGHT: 102px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddJVpIyH7I/AAAAAAAAAYA/KENfKOSNz-w/s320/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Tenho estado com aquelas crises alérgicas que me tomam na Primavera de cada ano. Eu e milhares de outras pessoas somos atacados pelos pólenes obrigando-nos a sofrer os espirros, as irritações cutâneas, as dores de cabeça, de garganta, a comichão irritante dos ouvidos, enfim todos os sintomas que não matam mas chateiam!&lt;br /&gt;Este ano pus-me a pensar durante a mocada que os anti-histamínicos nos dão, sobre a razão pela qual somos cada vez mais vítimas destes desconfortos. Cá para mim é uma vingançazinha da Mãe Natureza. E vá lá, que ela o faz com relativa suavidade! Nós que passamos o tempo a feri-la, a explorá-la, a magoá-la, até nem nos podemos queixar muito.&lt;br /&gt;À força de nos considerarmos a obra divina mais perfeita, de pensarmos que somos o pico da criação, estremecemos quando a base alargada do reino vegetal ou dos animais, como os ácaros, nos atacam. É o preço da nossa soberba.&lt;br /&gt;Assim, só há duas coisas a fazer: ou começamos a conviver com maior cuidado com os nossos irmãos terrenos ou, inventamos uma vacina contra tudo o que não é humano.&lt;br /&gt;Este dilema urge ser resolvido, pois corremos o risco de nos extinguirmos com a força de um espirro ou de um ataque de tosse. Pela minha parte, quando a minha cabeça estiver menos embrulhada comprometo-me a pensar no assunto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-569042253899519769?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/569042253899519769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=569042253899519769&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/569042253899519769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/569042253899519769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/as-alergias.html' title='as alergias'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SddJVpIyH7I/AAAAAAAAAYA/KENfKOSNz-w/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-8957007952829538341</id><published>2009-04-04T12:44:00.001+01:00</published><updated>2009-04-04T12:46:02.262+01:00</updated><title type='text'>Telmo, o marujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Catarina, a  incorromptível&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;Depois de um breve repouso, eu e Catarina continuamos o nosso trabalho. Desta vez dirigimo-nos a um bordel, onde uma mulher de aspecto doente se oferecia sem paixão ao acto sexual, pago à hora. Perturbei-me com a cena e desviei o olhar.&lt;br /&gt;- Não é por deixarmos de ver que as coisas deixam de existir, Telmo. Para corrigir erros e aprender, é necessário saber o que nos leva a prevaricar. – Disse-me Catarina.&lt;br /&gt;Consumado o acto, o homem partiu e a mulher ficou. Dela exalava o cheiro da doença e do sémen desperdiçado. Na solidão em que se julgava, rompeu num choro convulso resultado da impotência e do desespero.&lt;br /&gt;Catarina aproximou-se dela e acariciou-lhe o rosto e suavizando-lhe as dores. A mulher parecia uma menina desamparada e, mesmo sem perceber quem a acarinhava, deixou-se embalar pela Seguidora. O hálito Que Catarina soprou sobre ela fez com que a desgraçada fechasse os olhos e se desprendesse.&lt;br /&gt;Rapidamente a beleza da mulher se tornou evidente e os estragos da vida a que entregara se desvaneceram. Ergueu-se mas, quando nos viu, caiu de joelhos envergonhada e deixou que as suas lágrimas rolassem silenciosas de um modo sincero. Mostrou-se grata pela nossa presença.&lt;br /&gt;A Seguidora ergueu-a docemente e abraçou-a até que alguém que a mulher reconheceu, veio ter com ela e a levou para outro lugar. Sobre o colchão, o corpo jazia sem vida. Tapei-lhe o rosto com o lençol encardido e limpei os meus olhos.&lt;br /&gt;- Ela agora está em paz. O véu de carne rasgou-se e deixou-a livre. Acabou-se tudo com a sua morte. – Disse eu em jeito de conclusão.&lt;br /&gt;- Não. Não é bem assim, Telmo. Nem todos despertam. Nem todos os sofrimentos trazem amanhãs felizes. Depende sempre de como se encara o sofrimento. Só aqueles que o entendem como etapas do seu crescimento, é que conseguem reconhecer outros caminhos.&lt;br /&gt;- Eu sei, Catarina! Mas fico admirado como é que tu lidando constantemente com a miséria humana te manténs tão pura! Posso perguntar-te porque escolheste tu, este serviço e que tem ele a ver com a via do Conhecimento? Entendia-o melhor com Helena ou Irene!&lt;br /&gt;- Não. Sou eu que desperto os homens para o Conhecimento real. É através de mim que as imagens e sensações do passado, desfilam nas horas mais críticas, para que todos possam recordar quem verdadeiramente são. É verdade que me chamam Incorruptível, mas eu não me considero assim. O facto de permanecer muito tempo nas zonas sombrias e degradadas leva-me a aprender estratégias de acção e, não me corrompo porque, ao invés de os considerar menores, os tenho como iguais. Eu mesma, numa época remota, também sofri e fiz sofrer como eles.&lt;br /&gt;Sei o que é o prazer doloroso do vício e do poder. Sei o que significa a violação das regras, porque um ia também me sujei nesse lodo e aprendi dolorosamente a reconhecer os meus erros e a evitar cair no abismo. Não me julgues isenta de tentações, e não tenho caído de novo, é porque já conheço as ciladas. O meu nome não significa pureza, mas a força e o conhecimento que afastam do que está errado. Conquistei-o como se lapidasse um diamante e, doeu muito a consegui-lo!... Cada golpe, cada raspagem… me limpou!&lt;br /&gt;- Mas agora, rebrilhas, reflectes o sol em cada uma das tuas faces. Quem me dera absorver essa luz e ser também eu, uma jóia do tesouro divino! Compreendo agora que o Conhecimento só pode ser adquirido com o exercício da coragem e do amor incondicional. Realmente de que serve ele não nos levar a desejar uma luz mais pura!&lt;br /&gt;Foste tu, que ao roçar entre os tojos, deixaste nos seus espinhos parte de ti. Eles são sinais de esperança para aqueles que os encontram. E, és também, a água límpida do rio que lava a lama e descobre as pepitas de oiro que enobrecem a vida. Oh Catarina, escondida no teu corpo modesto, és ainda mais bela!&lt;br /&gt;- Meu caro Telmo, quanta exaltação nesses teus comentários! Apenas faço parte e um plano que permite aos homens transformarem-se. Hoje fui mansa e terna mas, às vezes a minha justiça é dura. Se for preciso também sou capaz de empurrar os homens para as ravinas provocando o susto e a dor. Se isso lhes mostrar a verdade, claro!&lt;br /&gt;Sorri e passei-lhe o braço sobre os seus ombros e murmurei ao seu ouvido:&lt;br /&gt;- Que forte és, frágil Catarina!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1976244947478381833-8957007952829538341?l=dissejuno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dissejuno.blogspot.com/feeds/8957007952829538341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1976244947478381833&amp;postID=8957007952829538341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8957007952829538341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1976244947478381833/posts/default/8957007952829538341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dissejuno.blogspot.com/2009/04/telmo-o-marujo.html' title='Telmo, o marujo'/><author><name>Juno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04722700249728604837</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/SV5aVFpfiqI/AAAAAAAAAAw/6e8zFPlrb3o/S220/minerva.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1976244947478381833.post-1521262954495955139</id><published>2009-03-29T20:20:00.002+01:00</published><updated>2009-03-29T20:27:34.246+01:00</updated><title type='text'>o suspiro de uma cadela</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sc_LoCeNK4I/AAAAAAAAAX4/HaHG9Cd-3-Y/s1600-h/cao+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318693573666614146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 85px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nhSH59lkSoE/Sc_LoCeNK4I/AAAAAAAAAX4/HaHG9Cd-3-Y/s320/cao+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;6. Era tão bom que tivéssemos todos, um dono que provesse as nossas necessidades, que sorrisse benevolente quando das nossas faltas e, nos afagasse o pêlo do lombo nos momentos de desilusão!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi só uma vez na minha vida que tive alguém a quem me apeteceu chamar dono!&lt;br /&gt;No fim de um dia chato, quente e abafado, que ainda recordo a dificuldade que tinha em respirar e mexer, procurei um lugar fresco e encontrei-o, debaixo de um arco, numa viela esconsa e escura. Tinha a minha língua de fora, arquejava, quando de repente, vi na à minha frente, duas mãos encardidas com uma tigela rachada cheia de água. Bebi sofregamente todo o líquido e de novo, essas mãos me voltaram a pôr uma quantidade igual da minha salvação. Quando me senti saciada, levantei os olhos e vi um velho barbado e sujo, tresandando o cheiro enjoativo dos humanos. – “Pobre cadelinha! Tens muita sede, não tens? Toma, toma que também és filha de Deus.” _ Embora não tivesse conhecido o meu pai, creio que não deve ser o tal Deus, por acaso até nem sei se ele tinha algum nome, não o conheci! Nunca percebi muito bem, quem é esse deus que os homens passam a vida a falar, mas naquele momento, acreditei que devia ser alguém muito bom pois, em seu nome, o velho me oferecia água e me salvava. Filha de Deus! Parece que ainda o estou a ouvir!&lt;br /&gt;Deixei que o velho me afagasse porque ele parecia feliz com isso, e sinceramente, também não me senti nada mal! O homem falava, falava comigo num palavreado que não percebi, mas deixei-o falar porque me pareceu que falava mais para si do que para mim. Depois disso, chamou-me para eu ir com ele, acompanhei-o à porta de uma taberna mas não entrei. Ele passado um bocadinho, veio até à porta trazer uns “restozinhos” para eu me entreter. Senti-me na obrigação de o seguir quando ele, trôpego, saiu de lá e caminhou pelas vielas murmurando sem parar. Ele à frente e eu atrás, nada de confusões porque ainda não o conhecia bem! Por fim deitou-se num banco de pedra e eu também me deitei por debaixo dele. Falava, acariciava-me, falava, julgo que mesmo a dormir ele falava!&lt;br /&gt;Tomei o hábito de o seguir, já lhe conhecia o cheiro e o passo arrastado, até que um dia as coisas mudaram. Talvez nem tivesse passado uma semana, pois havia um dia certo que eu costumava ir às traseiras de um restaurante onde todos os cães se encontravam para rilhar os ossos e pôr a conversa em dia e ainda, não lhes falara do meu novo companheiro. Seguia-o como de costume naquele dia, primeiro percorremos a avenida, depois atravessaríamos a rua e por fim esgueirar-nos-íamos até à rua do arco onde nos tínhamos encontrado pela primeira vez se não acontecesse o que aconteceu. O trânsito parecia louco e o velho arriscou atravessar a rua apesar da insegurança do seu andar. Ainda lhe puxei com os dentes uma das pernas, mas ele sacudiu-me rindo. Recuei sem saber porquê e foi então que ouvi um barulho horrível que me fez estremecer. Ouvi gritos e apesar de meio desorientada corri para o corpo do velho empapado em sangue, em pouco tempo percebi que estava rodeada por uma multidão de pessoas e que elas faziam comentários sobre mim e o velho. Foi então que percebi que perdera num instante, aquele a quem um dia poderia chamar dono. Gani e uivei como nunca o fizera, lambi-lhe as mãos e o rosto como se antes de ele partir pudesse levar consigo a minha gratidão. Pareceu-me que ele se erguia, agora mais limpo, quase brilhante, que falava uma vez mais comigo, até lhe ladrei com satisfação, mas deixei de o ver quase logo quando um carro a apitar se aproximou e de lá saíram uns homens que levaram o corpo. Atirei-me contra a parede de pernas e corri sem parar até à “nossa rua”, deitei-me debaixo do banco de pedra e pareceu-me, uma vez mais, que as suas mãos me tocavam.&lt;br /&gt;Uma cadela não costuma sorrir por isso dei ao rabo com quanta energia tinha. Durante muito tempo, foi aquele o lugar preferido para dormir as minhas noites. Ainda hoje, quando me
