Como um clandestino,
abri um buraco
redondo, circular.
Nele, caiu do meu corpo fraco
Hediondo a gritar,
Todo o meu medo.
Tapei-o depressa
enchendo-o de terra
e fugi com pressa
prevendo a guerra.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Tens um ar magoado
no rosto
de sorriso emprestado...
Do imenso desgosto
fica amargado
na boca, o gosto...
Do caracter ambicioso
ficou o desafio
no olhar ansioso
tornou-se o calor, frio.
Raivoso
como um calafrio.
Sereno, erecto como um pilar
Nas águas negras oceânicas,
Tapaste como nuvem o luar,
Perdendo-te em lutas titânicas.
Estás aí na praia estendido.
De bruços, em indiferença,
E deixas-te assim perdido,
Ficar à espera que alguém te vença!
no rosto
de sorriso emprestado...
Do imenso desgosto
fica amargado
na boca, o gosto...
Do caracter ambicioso
ficou o desafio
no olhar ansioso
tornou-se o calor, frio.
Raivoso
como um calafrio.
Sereno, erecto como um pilar
Nas águas negras oceânicas,
Tapaste como nuvem o luar,
Perdendo-te em lutas titânicas.
Estás aí na praia estendido.
De bruços, em indiferença,
E deixas-te assim perdido,
Ficar à espera que alguém te vença!

Tenho o termóstato avariado. É uma frase antiga do meu linguajar. Sempre foi assim, o frio tolhe-me por completo. Fico incapaz de reagir, os pensamentos parecem até que congelam, o corpo enrola-se e todos os músculos ficam duros e incapazes de cumprir a sua função. As articulações rangem e magoam. A vontade de sair à rua fica nisso, apenas na vontade!
Eu consigo ver a beleza da paisagem no Inverno, entendo as suas virtudes mas é a época que mais me apaga! Principalmente se aliada ao frio, vem a chuva! Detesto ter que vestir camadas de roupa, chegar às cinco da tarde e ter que acender a luz, acordar de manhã com a noite lá fora. Toda a minha energia se esgota!
Eu, que nasci no Inverno, desespero com ele!
Eu consigo ver a beleza da paisagem no Inverno, entendo as suas virtudes mas é a época que mais me apaga! Principalmente se aliada ao frio, vem a chuva! Detesto ter que vestir camadas de roupa, chegar às cinco da tarde e ter que acender a luz, acordar de manhã com a noite lá fora. Toda a minha energia se esgota!
Eu, que nasci no Inverno, desespero com ele!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Somos acima de tudo pessoas. Eus individuais com características próprias, umas inatas e originais, outras, fruto da sociabilização a que fomos expostos.
A grande dificuldade é conciliar o que somos com aquilo que o grosso da sociedade nos exige. Cumprir regras, às vezes, torna-se tão violento que nos fere os princípios e os valores, e isso, alimenta o conflito interno ou leva-nos a uma certa marginalização.
É verdade que não podemos aceitar ser ferramentas de produção, elos de uma cadeia acéfala, números estatísticos, meros figurantes de uma opereta de gosto duvidoso. É verdade que ninguém se sente bem a vestir os trajes conceptualizados pela opinião pública ou a vontade politica daqueles que cobiçam apenas o bem-estar económico em detrimento do bem-estar psico-social da humanidade em geral, mas… vivemos aqui!
Se uma barriga vazia não racionaliza, também é certo que na digestão difícil das refeições opíparas, nos tornamos indolentes e indiferentes à causa dos outros e ao exercício do pensamento existencial.
Actualmente vivemos numa espécie de torpor e tudo aponta que o mundo ainda nos proponha uma forma de estar ainda mais inerte e conformada!
Quando o Homem deixa de pensar em si como um ser potencialmente criador e afectivo, torna-se o animal mais frágil da Natureza, numa espécie de vida vegetativa, um instrumento nas mãos dos interesses mais obscenos e materiais.
Que herança legaremos aos vindouros, se a nossa oferta é já um produto sem qualidade e conspurcada pela negligência?
A grande dificuldade é conciliar o que somos com aquilo que o grosso da sociedade nos exige. Cumprir regras, às vezes, torna-se tão violento que nos fere os princípios e os valores, e isso, alimenta o conflito interno ou leva-nos a uma certa marginalização.
É verdade que não podemos aceitar ser ferramentas de produção, elos de uma cadeia acéfala, números estatísticos, meros figurantes de uma opereta de gosto duvidoso. É verdade que ninguém se sente bem a vestir os trajes conceptualizados pela opinião pública ou a vontade politica daqueles que cobiçam apenas o bem-estar económico em detrimento do bem-estar psico-social da humanidade em geral, mas… vivemos aqui!
Se uma barriga vazia não racionaliza, também é certo que na digestão difícil das refeições opíparas, nos tornamos indolentes e indiferentes à causa dos outros e ao exercício do pensamento existencial.
Actualmente vivemos numa espécie de torpor e tudo aponta que o mundo ainda nos proponha uma forma de estar ainda mais inerte e conformada!
Quando o Homem deixa de pensar em si como um ser potencialmente criador e afectivo, torna-se o animal mais frágil da Natureza, numa espécie de vida vegetativa, um instrumento nas mãos dos interesses mais obscenos e materiais.
Que herança legaremos aos vindouros, se a nossa oferta é já um produto sem qualidade e conspurcada pela negligência?
Telmo, o marujo
3. A negociação
Não foi fácil chegar a acordo sobre o meu engajamento no Boa Nova.
Para o meu pai a vida tinha apenas três actos: investir pouco, ganhar dinheiro e guardá-lo.
O comércio de panos a que se dedicava, era um negócio de família, herdado de um tio-avô tão ou mais sovina do que ele. Sempre pensara que os filhos haviam nascido para o servir e por isso os obrigara a trabalhar desde muito novos na loja. Quanto a mim, reservara-me a função de guarda-livros porque era o último e, porque em parte, considerava que eu aprendia muito bem tudo o que me ensinavam, principalmente o cálculo e a lógica. Quanto ao meu irmão antes de mim, o João, ninguém podia contar com ele, porque nunca conseguira viver perto da realidade, era uma espécie de peso-morto para o meu pai.
Foi por essa razão que quando Bartolomeu lhe falou na possibilidade de me embarcar, ele se fez rogado. Alegou primeiro que essa não era a tradição da família, depois queixou-se do dinheiro que estava a gastar nos meus estudos e perguntou ainda, quem é que o compensava. Assim mesmo! Sem mais rodeios, porque o meu pai era frio e calculista e não tinha que disfarçar perante aquele estranho.
Bartolomeu, com um sorriso sábio, encarou-o e contra-argumentou. Abriu-lhe o apetite pelo que ele mais gostava, o dinheiro. Lembrou-lhe que para um futuro homem de negócios seria muito útil o conhecimento de outros mercados, a forma como se comercializava com outros povos, a variedade de artigos e produtos. Que dessa maneira, o negócio poderia expandir-se muito mais e que o nome da sua família seria prestigiado em qualquer ponto do mundo.
De facto o espírito de cobiça e ambição do meu velho, borbulhou e veio ao de cima. Além disso os meus três irmãos mais velhos, corroboraram com os argumentos de Bartolomeu, embora, claro, por motivos diferentes.
Gil e Henrique tinham herdado do meu pai a ganância e a ambição. Invejavam-me, e com alguma razão, porque eu nunca fora obrigado a trabalhar na loja.
Revoltavam-se porque eu andava solto como uma gaivota depois das aulas e ninguém me prendia. Portanto a minha partida podia significar duas coisas desejadas por eles; menos um herdeiro e, com sorte, uma indemnização se eu perdesse a vida ao serviço da companhia.
Bernardo, ao contrário dos outros, sempre fora uma espécie de meu protector, acho que no fundo admirava a minha rebeldia e independência e via, tal como Bartolomeu, uma oportunidade de eu melhorar a minha vida. Creio mesmo que lá no íntimo, também gostasse de partir dali.
Finalmente o consentimento foi obtido. Ficou acordado que a minha família receberia a quantia devida pelo meu trabalho, na sede da companhia que se situava no porto. Bartolomeu, também se comprometeu a que se houvesse qualquer acidente, o meu pai seria ressarcido através de uma espécie de seguro.
A minha mãe nada fez para contrariar o meu pai, primeiro porque as decisões dele eram sagradas e depois porque tinha João, a quem ela se dedicava inteiramente. Para mais, segundo o meu pai, o negócio não ia lá muito bem, os lucros tinham decaído desde que a nossa cidade tinha adoptado um negociante dos Países Baixos que recebia directamente mercadoria muitíssimo mais valiosa do que a nossa. O meu pai, tinha mantido teimosamente os mesmos artigos com a desculpa que as rendas e os brocados não vestiam toda a gente. Ora, esta atitude era secretamente criticada pela minha mãe porque o que ela mais desejava era subir na escala social e com os artigos que o meu pai teimava em vender, nunca se sairia da cepa-torta. Com a ideia de um dia eu vir a ser um rico mercador de coisas finas, também se via mais tarde a lidar com gente de mais valor. Logo quase que me enxotou dali para fora.
Sendo assim, dois dias depois saí de casa da família sem grande angústia. Ninguém se veio despedir de mim ao cais. Apenas contei com o meu velho amigo Josias, que na hora do embarque, me abraçou muito comovido. Tanto, que me colocou uma medalhinha de Sant’Telmo, padroeiro dos marinheiros, ao peito. Quando desfiz o abraço, corri para a prancha e acenei-lhe com uma mão enquanto com a outra, limpava disfarçadamente a única lágrima que a minha partida merecia.
Não foi fácil chegar a acordo sobre o meu engajamento no Boa Nova.
Para o meu pai a vida tinha apenas três actos: investir pouco, ganhar dinheiro e guardá-lo.
O comércio de panos a que se dedicava, era um negócio de família, herdado de um tio-avô tão ou mais sovina do que ele. Sempre pensara que os filhos haviam nascido para o servir e por isso os obrigara a trabalhar desde muito novos na loja. Quanto a mim, reservara-me a função de guarda-livros porque era o último e, porque em parte, considerava que eu aprendia muito bem tudo o que me ensinavam, principalmente o cálculo e a lógica. Quanto ao meu irmão antes de mim, o João, ninguém podia contar com ele, porque nunca conseguira viver perto da realidade, era uma espécie de peso-morto para o meu pai.
Foi por essa razão que quando Bartolomeu lhe falou na possibilidade de me embarcar, ele se fez rogado. Alegou primeiro que essa não era a tradição da família, depois queixou-se do dinheiro que estava a gastar nos meus estudos e perguntou ainda, quem é que o compensava. Assim mesmo! Sem mais rodeios, porque o meu pai era frio e calculista e não tinha que disfarçar perante aquele estranho.
Bartolomeu, com um sorriso sábio, encarou-o e contra-argumentou. Abriu-lhe o apetite pelo que ele mais gostava, o dinheiro. Lembrou-lhe que para um futuro homem de negócios seria muito útil o conhecimento de outros mercados, a forma como se comercializava com outros povos, a variedade de artigos e produtos. Que dessa maneira, o negócio poderia expandir-se muito mais e que o nome da sua família seria prestigiado em qualquer ponto do mundo.
De facto o espírito de cobiça e ambição do meu velho, borbulhou e veio ao de cima. Além disso os meus três irmãos mais velhos, corroboraram com os argumentos de Bartolomeu, embora, claro, por motivos diferentes.
Gil e Henrique tinham herdado do meu pai a ganância e a ambição. Invejavam-me, e com alguma razão, porque eu nunca fora obrigado a trabalhar na loja.
Revoltavam-se porque eu andava solto como uma gaivota depois das aulas e ninguém me prendia. Portanto a minha partida podia significar duas coisas desejadas por eles; menos um herdeiro e, com sorte, uma indemnização se eu perdesse a vida ao serviço da companhia.
Bernardo, ao contrário dos outros, sempre fora uma espécie de meu protector, acho que no fundo admirava a minha rebeldia e independência e via, tal como Bartolomeu, uma oportunidade de eu melhorar a minha vida. Creio mesmo que lá no íntimo, também gostasse de partir dali.
Finalmente o consentimento foi obtido. Ficou acordado que a minha família receberia a quantia devida pelo meu trabalho, na sede da companhia que se situava no porto. Bartolomeu, também se comprometeu a que se houvesse qualquer acidente, o meu pai seria ressarcido através de uma espécie de seguro.
A minha mãe nada fez para contrariar o meu pai, primeiro porque as decisões dele eram sagradas e depois porque tinha João, a quem ela se dedicava inteiramente. Para mais, segundo o meu pai, o negócio não ia lá muito bem, os lucros tinham decaído desde que a nossa cidade tinha adoptado um negociante dos Países Baixos que recebia directamente mercadoria muitíssimo mais valiosa do que a nossa. O meu pai, tinha mantido teimosamente os mesmos artigos com a desculpa que as rendas e os brocados não vestiam toda a gente. Ora, esta atitude era secretamente criticada pela minha mãe porque o que ela mais desejava era subir na escala social e com os artigos que o meu pai teimava em vender, nunca se sairia da cepa-torta. Com a ideia de um dia eu vir a ser um rico mercador de coisas finas, também se via mais tarde a lidar com gente de mais valor. Logo quase que me enxotou dali para fora.
Sendo assim, dois dias depois saí de casa da família sem grande angústia. Ninguém se veio despedir de mim ao cais. Apenas contei com o meu velho amigo Josias, que na hora do embarque, me abraçou muito comovido. Tanto, que me colocou uma medalhinha de Sant’Telmo, padroeiro dos marinheiros, ao peito. Quando desfiz o abraço, corri para a prancha e acenei-lhe com uma mão enquanto com a outra, limpava disfarçadamente a única lágrima que a minha partida merecia.
À procura do Amor
Cabias na minha mão quando eras azul.
Azul e branco como o teu olhar...
Cabias no meu abraço quando refulgias
No brilho argênteo do meu olhar.
Cabias no meu peito quando enfurecias
De labaredas a fogueira do teu olhar.
Cabias no meu corpo inteiro quando bastava
Só olhar para o teu olhar...
Azul e branco como o teu olhar...
Cabias no meu abraço quando refulgias
No brilho argênteo do meu olhar.
Cabias no meu peito quando enfurecias
De labaredas a fogueira do teu olhar.
Cabias no meu corpo inteiro quando bastava
Só olhar para o teu olhar...
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