domingo, 8 de março de 2009

Que bom rever Matilde!


Imagens de Chagall






Revi Matilde. Uma mulher que não parece existir aqui. Que é feita de algodão doce que se desfaz em ternura e deixa a sua doçura escorrer na forma da sua poesia.
Conheci Matilde há trinta e quatro anos, está igual, etérea, suave, com os mesmos olhos escuros que perscrutam o mundo dos homens e das crianças sem censura, apenas com compreensão. Toda ela é um sorriso de delicadeza que nos torna pequenininhos…
Se hoje continuo a escrever poesia, é porque recebi também dela, naquele tempo, o incentivo para o fazer. E, se como mãe e como professora elegi a poesia como veículo de educação, foi porque aprendi com pessoas como ela, que o meio mais eficaz de chegar ao coração das crianças é o afecto e o respeito. Quando se age assim, abre-se um canal entre nós e as crianças que permite que o ensino e a aprendizagem se façam do modo mais simples do mundo.
Matilde nunca foi formalmente minha professora, encontrávamo-nos nos corredores, escadas ou bar da escola, era aí que trocávamos breves palavras e nos entendíamos.
Nem sempre associamos os artistas à sua obra, às vezes há como uma bipolaridade neles, são uns quando criam, são outros como cidadãos. Mas Matilde, não. Ela é a sua própria poesia! E, embora a sua frágil figura o não demonstre, ela não é de modo nenhum alheia às realidades da nossa sociedade. Escolheu um caminho: defender e lutar pelos direitos das crianças. Essa tem sido o mote da sua vida e tem dado muito mais do que a sociedade portuguesa lhe reconhece.
Gosto de Matilde, da sua voz feita de arrastos e pausas, de palavras escolhidas ditas em modo de improviso, gosto da música dessas palavras que entram dentro do nosso espírito e nos fazem saltar os melhores sentimentos para fora de nós.
Foi bom rever Matilde! Porque cada vez que estou com ela através de suas poesias, fico mais doce e com vontade de ser melhor.
Obrigada, Matilde. Ainda bem que vives neste mundo de arestas!

1 comentário:

Vanda disse...

Belo texto,Luísa,vou enviar à Matilde.UM abraço da vanda.